Japão registra recorde de falências de instituições médicas em 20 anos

Tóquio – O Japão registrou 71 falências de instituições médicas no ano fiscal de 2025, incluindo hospitais, clínicas e consultórios odontológicos. O número representa um aumento de 20,3% em relação ao período anterior e foi o maior dos últimos 20 anos, superando os 59 casos registrados no ano fiscal de 2024, informou o Tokyo Shoko Research.
No ano fiscal de 2020, durante a pandemia de Covid-19, o total de falências ficou limitado a 25, devido aos efeitos das medidas de apoio. Os números permaneceram relativamente baixos nos anos fiscais de 2021 e 2022, com 37 casos em cada período.
Com o arrefecimento da pandemia, o total de falências no setor subiu para 53 no ano fiscal de 2023, passou para 59 em 2024 e chegou a 71 em 2025.
Do total, 32 casos envolveram clínicas, contra 28 no ano anterior, e 31 foram de consultórios odontológicos, ante 20 em 2024. Os dois segmentos registraram os maiores números dos últimos 20 anos. No caso dos consultórios odontológicos, o total aumentou cerca de 1,5 vez.
Também foram registradas oito falências de hospitais com pelo menos 20 leitos, abaixo das 11 ocorrências do ano anterior. Ainda assim, foi o segundo maior número desde a pandemia.
De acordo com o Tokyo Shoko Research, considerando todos os setores da economia, as empresas com dívidas inferiores a ¥ 100 milhões representaram 76,7% das falências no ano fiscal de 2025. Entre as instituições médicas, porém, foram 33 casos, o equivalente a 46,4% do total. O resultado indica uma presença maior de instituições de médio porte ou maiores entre as afetadas.
A principal causa apontada foi a queda no desempenho das atividades, registrada em 47 casos, ou 66,1% do total. Em seguida, apareceu o acúmulo de dificuldades financeiras anteriores, com 16 ocorrências, ou 22,5%.
Os dois fatores representaram 88,7% das falências, mostrando que a deterioração das receitas, provocada pela redução do número de pacientes e pelas revisões dos valores pagos pelos serviços médicos, continua sem sinais de contenção.
As instituições enfrentam diversos problemas, como a diminuição do número de pacientes em razão da redução populacional, o envelhecimento dos gestores, a falta de trabalhadores e a deterioração dos equipamentos médicos. Somam-se a isso os aumentos dos custos de energia, gás, mão de obra e materiais, que têm desequilibrado a relação entre as despesas e os valores pagos pelo sistema de remuneração médica, agravando a situação financeira do setor.
Do total de casos, 69, ou 97,1%, terminaram em falência, enquanto apenas duas instituições recorreram à Lei de Reabilitação Civil, mecanismo voltado à reconstrução das atividades. Os dados indicam que instituições médicas que entram em dificuldades financeiras enfrentam grandes obstáculos para se recuperar.
Essas falências podem reduzir as oportunidades de atendimento aos pacientes. Segundo o Tokyo Shoko Research, o impacto tende a ser maior nas regiões do interior, onde o envelhecimento da população avança mais rapidamente.
Foto: Canva







































