Japão lidera proporção de eleitores entre grandes comunidades brasileiras no exterior

Tóquio – Neste domingo (4), das 8h às 17h, no horário do Japão, os brasileiros escolhem o presidente e o vice-presidente da República. Em relação ao total de brasileiros residentes, o Japão tem a maior proporção de eleitores entre as dez maiores comunidades no exterior: 42 eleitores para cada 100 residentes.
Para medir o peso de cada comunidade nas urnas, foram considerados os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as estimativas de brasileiros residentes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), constantes no Relatório Consular Anual 2025. Entre as dez maiores comunidades, o Japão aparece em primeiro lugar: são 88.366 eleitores para cerca de 210 mil residentes, ou 42 eleitores para cada 100 brasileiros no país.
A média do exterior é de 17 eleitores para cada 100 residentes, considerando 918.876 eleitores para 5,29 milhões de brasileiros. O índice da comunidade no Japão é 2,4 vezes maior. O contraste é forte nas maiores comunidades: os Estados Unidos, com cerca de 2 milhões de brasileiros, têm 265.437 eleitores, ou 13 para cada 100 residentes, enquanto o Paraguai, com 270 mil residentes, tem 9.225, ou três para cada 100.
| País | Residentes (estimativa MRE 2025) | Eleitores (TSE 2026) | Eleitores por 100 residentes |
| Japão | 210.000 | 88.366 | 42,1 |
| França | 95.000 | 29.730 | 31,3 |
| Canadá | 151.000 | 46.488 | 30,8 |
| Itália | 159.000 | 38.829 | 24,4 |
| Alemanha | 187.000 | 41.551 | 22,2 |
| Reino Unido | 190.000 | 42.023 | 22,1 |
| Portugal | 628.000 | 134.797 | 21,5 |
| Espanha | 196.000 | 40.817 | 20,8 |
| Estados Unidos | 2.000.000 | 265.437 | 13,3 |
| Paraguai | 270.000 | 9.225 | 3,4 |
Eleitores: soma das jurisdições consulares de cada país. Residentes: estimativas do Ministério das Relações Exteriores (MRE) - Relatório Consular Anual 2025). O cálculo considera apenas os dez países com maior comunidade. Na França, o índice sobe para 34,6% se forem incluídas as seções da Guiana Francesa (Caiena e Saint-Georges), ainda abaixo do Japão.
O índice mostra que o alistamento eleitoral alcançou uma fatia maior da comunidade brasileira no Japão do que nos outros grandes destinos, o que reforça o peso da comunidade nas urnas e a importância de políticas voltadas a ela.
Um eleitorado maduro: mais da metade tem entre 40 e 64 anos
| Faixa etária | Eleitores | % |
| 16 e 17 anos | 116 | 0,1 |
| 18 a 24 anos | 7.433 | 8,4 |
| 25 a 34 anos | 13.484 | 15,3 |
| 35 a 44 anos | 17.259 | 19,5 |
| 45 a 54 anos | 20.952 | 23,7 |
| 55 a 64 anos | 18.580 | 21,0 |
| 65 a 69 anos | 5.598 | 6,3 |
| 70 anos ou mais | 4.944 | 5,6 |
A faixa de 40 a 64 anos reúne 55,6% do eleitorado, ou 49.143 pessoas. O pico está entre 50 e 54 anos, com 10.590 eleitores (12,0%). Os menores de 25 anos representam 8,5%, e os de 65 anos ou mais, 11,9%.
Voto facultativo: dos 16 anos aos mais de cem
A legislação brasileira torna o voto facultativo para quem tem 16 e 17 anos e para os maiores de 70 anos. No Japão, 116 jovens nessa situação estão aptos a votar: 11 de 16 anos e 105 de 17, sendo 53 meninas e 63 meninos.
Na outra ponta, 4.944 eleitores têm 70 anos ou mais: 3.092 entre 70 e 74, 1.399 entre 75 e 79 e 453 com 80 anos ou mais. Há nove com mais de 90 anos e, na jurisdição de Tóquio, um dos eleitores tem 100 anos ou mais. Ambos os grupos mantêm o título ativo, embora não sejam obrigados a votar.
Homens são maioria em todas as jurisdições
Dos 88.366 eleitores, 46.627 são homens (52,8%) e 41.739 são mulheres (47,2%).
| Jurisdição consular | Eleitores | Mulheres | % | Homens | % |
| Tóquio | 30.062 | 14.302 | 47,6 | 15.760 | 52,4 |
| Nagoia | 44.570 | 20.938 | 47,0 | 23.632 | 53,0 |
| Hamamatsu | 13.734 | 6.499 | 47,3 | 7.235 | 52,7 |
| Japão | 88.366 | 41.739 | 47,2 | 46.627 | 52,8 |
A diferença é maior entre 40 e 64 anos, quando os homens chegam a representar de 53% a 54% do total. Entre os eleitores de 18 e 19 anos, eles são 55,9%. As mulheres só superam os homens na faixa de 21 a 24 anos, com 2.582 contra 2.554, e entre os mais velhos, acima de 85 anos.
Fontes: TSE (perfil do eleitorado por seção, 2026); Ministério das Relações Exteriores (Relatório Consular Anual 2025); proporções e recortes calculados pelo autor.
Miguel Kamiunten reside no Japão desde 1989, é um dos cofundadores do Movimento Brasileiros Emigrados (MBE), coletivo com membros espalhados por vários países. Vota no exterior desde 1998, pesquisa e incentiva a participação dos brasileiros nas eleições.
Serviço
Os brasileiros com domicílio eleitoral no Japão poderão votar em oito locais: Tóquio, Oizumi, Gifu, Toyohashi, Suzuka, Takaoka, Hiroshima e Hamamatsu. Neste ano, não haverá votação na cidade de Nagoia, e os eleitores vinculados às seções que funcionariam lá deverão comparecer a Gifu.
• 1º turno: domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h (horário do Japão)
• 2º turno (se houver): domingo, 25 de outubro
• Cargos: apenas presidente e vice-presidente da República
• Como saber onde votar: abra o e-Título e escolha "Onde votar" ou use o Autoatendimento Eleitoral no site do TSE. Não existe voto em trânsito no exterior, portanto só é possível votar na seção indicada no cadastro
• O que levar: documento oficial com foto ou o e-Título, desde que o aplicativo apresente a fotografia do eleitor. Certidões de nascimento ou casamento não são aceitas
• Veja aqui os locais de votação no Japão: https://portaljapao.com/japao-tem-88-mil-eleitores-brasileiros-aptos-a-votar-dia-4-de-outubro/








































