Japão: 72,5% preferem permanecer em casa após desastres, mas poucos sabem como se preparar

2026/10/30 09:35
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Tóquio – Mais de sete em cada dez moradores do Japão preferem permanecer em suas próprias residências após um grande desastre natural, desde que os imóveis estejam em condições de segurança. Entretanto, apenas 14,7% da população conhece detalhadamente os preparativos necessários para enfrentar uma situação de emergência sem recorrer aos centros públicos de evacuação.

O levantamento foi realizado de forma online pela empresa Macromill Inc. entre 4 e 15 de setembro, com 200 mil participantes de diferentes regiões do Japão. A pesquisa é conduzida anualmente desde 2024, informou a Jiji Press.

Ao serem questionados sobre onde prefeririam permanecer depois de um desastre, considerando que suas casas não apresentassem riscos de desabamento ou inundação, 72,5% responderam que continuariam em suas residências.

Outros 11,9% disseram que procurariam um centro público de evacuação, mesmo que suas casas estivessem seguras. Já 4,8% prefeririam ficar na residência de parentes ou conhecidos, ou em hotéis, enquanto 1,8% escolheriam permanecer dentro de automóveis.

Maioria desconhece os procedimentos necessários

Embora a preferência por permanecer em casa seja predominante, a pesquisa revelou uma diferença significativa entre a intenção dos moradores e o conhecimento sobre os procedimentos necessários.

Apenas 14,7% dos entrevistados afirmaram conhecer detalhadamente a modalidade de abrigo residencial, chamada em japonês de zaitaku hinan (在宅避難).

Outros 50,1% disseram que já ouviram falar dessa possibilidade, mas não conhecem todos os procedimentos. Além disso, 35,2% afirmaram desconhecer completamente essa alternativa.

Isso significa que 85,3% dos entrevistados não possuem conhecimento detalhado sobre como se preparar para permanecer em casa após uma catástrofe.

A pesquisa também identificou diferenças regionais no nível de conhecimento da população, indicando a necessidade de ampliar as campanhas de orientação.

Falta de água e alimentos é a maior dificuldade

A Macromill também investigou as experiências de 34.002 pessoas que já haviam enfrentado grandes desastres acompanhados de ordens de evacuação.

Entre elas, 39,6% apontaram a dificuldade para conseguir alimentos e água como um dos principais problemas enfrentados.

A interrupção dos serviços essenciais, como abastecimento de água, eletricidade e gás, foi mencionada por 38,1% dos participantes.

Outro problema relevante foi o estresse psicológico, citado por 37,7% dos entrevistados.

Os resultados mostram que, mesmo quando uma residência permanece estruturalmente segura, seus moradores podem enfrentar dificuldades para continuar vivendo no imóvel durante vários dias.

A falta de água compromete a alimentação, a higiene pessoal e o funcionamento dos banheiros. A interrupção da eletricidade também pode afetar a conservação dos alimentos, a iluminação e os meios de comunicação.

Permanecer em casa também é uma forma de evacuação

No Japão, permanecer na própria residência durante uma situação de emergência pode ser considerado uma modalidade de abrigo, desde que o imóvel e a região onde está localizado ofereçam condições de segurança.

Essa alternativa é reconhecida e incentivada por órgãos públicos, porque pode reduzir a superlotação dos centros de evacuação.

Também permite que os moradores permaneçam em um ambiente familiar, com maior privacidade e menor exposição aos problemas decorrentes da convivência de muitas pessoas em espaços coletivos.

Entretanto, permanecer em casa não significa simplesmente ignorar as orientações das autoridades. É necessário verificar os riscos de desabamento, incêndio, inundação, deslizamento de terra e outros perigos associados ao desastre.

Uma residência que não sofreu danos aparentes durante um terremoto, por exemplo, pode estar localizada em uma área sujeita a deslizamentos ou apresentar riscos que não são imediatamente perceptíveis.

Quando não houver condições de segurança, a orientação é procurar um local adequado e seguir as determinações das autoridades.

Governo recomenda alimentos e água para pelo menos três dias

A Agência de Gestão de Desastres do Gabinete do Governo japonês recomenda que as famílias mantenham reservas de água potável e alimentos suficientes para pelo menos três dias, preferencialmente para uma semana.

A quantidade recomendada de água é de aproximadamente três litros por pessoa diariamente.

Isso significa que uma família de quatro pessoas precisaria armazenar pelo menos 36 litros de água para três dias ou 84 litros para uma semana.

Também é importante manter alimentos que possam ser consumidos sem necessidade de preparo complexo, medicamentos de uso contínuo, lanternas, pilhas, rádio portátil, produtos de higiene e banheiros portáteis.

Uma das alternativas recomendadas é o sistema conhecido como rolling stock, que consiste em manter uma reserva adicional de produtos consumidos normalmente pela família, utilizando primeiro os mais antigos e repondo continuamente o estoque.

Moradores de apartamentos precisam de cuidados adicionais

Quem mora em prédios residenciais também precisa considerar a possibilidade de interrupção do funcionamento dos elevadores.

Em edifícios mais altos, a falta de eletricidade pode dificultar o transporte de água, alimentos e outros produtos essenciais até os apartamentos.

A administração do distrito de Minato, em Tóquio, recomenda que moradores de andares elevados mantenham reservas para pelo menos sete dias, justamente devido às dificuldades que podem surgir quando os elevadores deixam de funcionar.

Outro cuidado importante é com o sistema de esgoto. Mesmo quando há água disponível, os vasos sanitários não devem ser utilizados normalmente se houver suspeita de danos nas tubulações, devido ao risco de vazamentos e refluxo.

Por isso, os banheiros portáteis estão entre os produtos recomendados para situações de emergência.

Preparação deve começar antes do desastre

As autoridades japonesas também recomendam que as famílias conheçam previamente os locais de evacuação de seus bairros e estabeleçam formas de comunicação para situações em que as redes telefônicas estejam congestionadas.

Uma das alternativas é o serviço de mensagens para desastres, conhecido como Saigai-yō Dengon Dial (災害用伝言ダイヤル), acessado pelo número 171.

Além disso, é importante consultar os mapas de risco disponibilizados pelas prefeituras, conhecidos como hazard maps, para identificar áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos e outros perigos.

A pesquisa da Macromill evidencia que a preferência por permanecer em casa não é acompanhada, na mesma proporção, pelo conhecimento necessário para enfrentar os dias posteriores a uma catástrofe.

Para as famílias que vivem no Japão, a preparação antecipada pode determinar se permanecer na residência será uma alternativa segura ou se será necessário recorrer a um centro de evacuação.

Saiba como preparar uma mochila com itens de emergência no caso de um desastre: https://portaljapao.com/kit-de-emergencia-o-que-preparar-antes-de-um-desastre-em-shizuoka/

Foto: Canva

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