
Tóquio – O Japão registrou o recorde de 50.776 avistamentos de ursos-negros-asiáticos em todo o país no ano fiscal de 2025, encerrado em março passado, segundo o Ministério do Meio Ambiente. O total foi 2,5 vezes maior que os 20.513 registros feitos em 2024. O governo acredita que os ursos estejam avançando para perto de áreas habitadas por não encontrar comida em seu habitat.
Segundo o Ministério, o número de pessoas feridas ou mortas por ursos no Japão no ano fiscal de 2025 atingiu um recorde de 238, sendo que seis províncias de Tohoku registraram dois terços dos casos. Foram registradas 13 mortes.
Akita, no nordeste, lidera a lista de províncias com o maior número de avistamentos, num total de 13.592 ocorrências, seguida pela vizinha Iwate, com 9.739, noticiou a Jiji Press.
Os ursos-negros não habitam a província mais ao norte do país, Hokkaido, as sete províncias do sudoeste da região de Kyushu e a província mais ao sul, Okinawa.
O número nacional de ursos capturados, incluindo ursos-pardos, também atingiu um recorde, com 14.720 animais. Akita registrou o maior total, com 2.690 capturas.
Os avistamentos em áreas urbanas e rurais foram tantos que o governo classificou a situação como excepcional.
No geral, tem ocorrido avistamentos nas províncias de Akita, Iwate, Gifu, Nagano, Yamagata, Tochigi e Hokkaido, onde os animais se aproximaram de bairros residenciais, supermercados, escolas e estações de trem.
Sistemas de alerta e aplicativos no Japão
O Japão não possui um aplicativo nacional unificado para avistamentos de ursos, mas diversas prefeituras operam sistemas locais de alerta em tempo real.
Akita e Iwate: As duas províncias utilizam sistemas regionais de alerta enviados para celulares e aplicativos locais de desastres e segurança pública. Moradores recebem notificações sobre aparições de ursos próximas de escolas, áreas residenciais e estradas rurais. Um professor entrevistado pela Deutsche Welle afirmou que a esposa recebia avisos diretamente no celular sobre avistamentos na região de Morioka, em Iwate. Veja a situação de outros locais:
Gifu: O governo provincial passou a testar drones equipados com sons de cães e fogos de artifício para espantar ursos e ampliar o monitoramento em áreas de risco.
Aichi e Gifu: As prefeituras distribuíram panfletos, sinos de proteção e alertas comunitários após o aumento de aparições em cidades como Inuyama, Seto, Ena, Toyota e Okazaki.
Hokkaido: A ilha mais ao norte do Japão, onde vivem os ursos-pardos, mantém sistemas municipais de emergência e páginas online atualizadas com ocorrências em tempo real, principalmente em Sapporo e regiões turísticas.
Medidas emergenciais adotadas
No ano passado, devido ao alto número de avistamento de ursos, o governo japonês aprovou até o uso das Forças de Autodefesa para transporte de armadilhas e apoio logístico. Também aliviou as regras para o uso de armas contra ursos em áreas urbanas.
As autoridades aprovaram ainda a instalação de cercas elétricas em regiões rurais, o uso de drones e câmeras com inteligência artificial para rastreamento, e o patrulhamento em rotas escolares e áreas residenciais.
A orientação dada aos moradores é para que removam tudo o que possa servir de alimento para o urso (lixo orgânico, frutas caídas, plantações não utilizadas) e guardar itens que possam atraí-los (ração animal, tintas, combustíveis) em locais trancados ou devidamente controlados.
Outra recomendação é de que os moradores cortem e limpem a vegetação densa para reduzir a probabilidade de avistar ursos.
O que fazer ao encontrar um urso
Mas, uma dúvida que as pessoas talvez tenham é como agir, o que fazer caso se depare com um urso pelo caminho. As autoridades japonesas orientam:
- Não correr.
- Recuar lentamente sem virar as costas.
- Fazer barulho para demonstrar presença humana.
- Evitar caminhadas sozinho em áreas de mata.
- Não deixar restos de comida ou frutas expostas.
- Evitar florestas após o pôr do sol.
Os governos locais e especialistas japoneses recomendam também o uso de alguns materiais:
- Spray repelente para ursos.
- Sinos presos às mochilas.
- Apitos e buzinas.
- Rádios portáteis para produzir ruído constante.
- Garrafas plásticas amassadas para gerar sons de alerta.
- Drones com sons de cães e fogos em áreas críticas.
As autoridades japonesas afirmam que as mudanças climáticas, a escassez de alimentos naturais e o envelhecimento da população rural estão aproximando os ursos das cidades. O abandono de plantações e o avanço da vegetação em áreas antes habitadas criaram corredores naturais para a circulação dos animais perto de centros urbanos.
Foto: Canva






































