Festival Brasil & Latino celebra intercâmbio cultural no coração de Tóquio

2025/07/21 10:34
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Tóquio – O 18º Festival Brasil & Latino cumpriu seu papel ao favorecer o intercâmbio entre brasileiros, japoneses e estrangeiros de outras nacionalidades. Realizado neste fim de semana em Tóquio, o evento teve como ponto alto a apresentação do cantor e guitarrista Armandinho Macedo.

O festival, organizado pela Câmara de Comércio Brasileira no Japão (CCBJ), reuniu 20 empresas do ramo alimentício, 11 food trucks e outras oito empresas e serviços. Por ser realizado no Parque Yoyogi, uma área aberta, a estimativa é de que o público varie entre 30 mil e 40 mil pessoas a cada edição.

Jorge Imai, vice-presidente da CCBJ, explicou que a organização do Festival Brasil & Latino é complexa, demandando pelo menos dez meses de trabalho. “Após cada evento, é realizada uma avaliação para identificar problemas, propor melhorias e planejar a edição seguinte”, disse.

O evento ocorre em um fim de semana de julho, período mais quente do ano. Segundo Imai, antes o festival acontecia em setembro, coincidindo com a data da Independência do Brasil, mas depois foi transferido para julho. Ele destacou que a organização ainda busca uma nova data para o evento.

Imai, que participa desde o primeiro festival, garante que o evento evoluiu, tornando-se um encontro internacional. “Além dos brasileiros, atrai muitos japoneses, latinos e pessoas de outras nacionalidades. Depois do festival, costumamos receber comentários, em geral positivos. Claro, embora haja críticas, muitas delas estão relacionadas ao calor, que é um fator fora do nosso controle”, afirmou.

Apesar das dificuldades, a CCBJ continua firme no propósito de realizar o Festival Brasil & Latino, cujo objetivo é divulgar a cultura brasileira. “Queremos mostrar que o nosso país não é apenas samba e futebol, mas que também tem uma culinária e uma cultura ricas”, disse Imai.

Na cerimônia de abertura, o embaixador do Brasil em Tóquio, Octávio Henrique Dias Garcia Côrtes, destacou que o evento celebra os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão. “É uma data que nos faz refletir sobre o que queremos dessa relação nos próximos 130 anos”, comentou. Já o presidente da CCBJ, Celso Guiotoko, afirmou em seu discurso que o festival busca um espaço de convivência entre brasileiros e japoneses. “E que seja um reencontro de novas descobertas”, frisou.

O diretor para a América Latina do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yasushi Noguchi, falou sobre a importância do festival, acrescentando que, no ano que vem, espera que a final da Copa do Mundo de Futebol (que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá) seja entre as seleções brasileira e japonesa. “Eu gostaria que terminasse empatado. Mas como isso não é possível e para não termos problemas diplomáticos, espero que ambas as equipes joguem bem”, brincou.

Apoios importantes

Márcia Guimarães, presidente e fundadora da Tayo Corporation

O Festival Brasil & Latino precisa de apoio e patrocinadores para ser realizado, e uma das empresas que se mantém firme neste propósito é a Tayo Corporation, fundada por Márcia Guimarães há 30 anos.

“Nossa empresa acompanhou as várias fases do movimento dekassegui. No início eram pessoas que vinham trabalhar temporariamente, para depois retornar ao Brasil. Hoje o perfil é de imigrantes que querem se estabelecer no país, mudando as necessidades e a dinâmica do mercado, com a percepção de que somos imigrantes”, explicou Márcia.

A Tayo Corporation emprega 400 pessoas, a maioria brasileiros, mas há uma presença crescente de outras nacionalidades, como a vietnamita, que já representa entre 30% e 40% do quadro de funcionários. A empresa atua principalmente na região de Kanto, mas expandiu suas operações para a província de Aichi no último ano.

“A participação da Tayo Corporation no Festival Brasil & Latino é importante, pois o evento representa uma oportunidade para toda a comunidade, especialmente para artistas que podem mostrar seus trabalhos a um público amplo, incluindo japoneses. Isso é fundamental para promover um intercâmbio valioso entre as culturas.”

Exposição sobre a imigração japonesa

A Associação Central Nipo-Brasileira realizou uma exposição sobre a imigração japonesa ao Brasil, não apenas em comemoração aos 130 anos das relações entre Brasil e Japão, mas também para mostrar aos japoneses aspectos relacionados aos imigrantes em uma terra tão distante.

“Os japoneses gostam de saber mais sobre essa história, mas ainda falta divulgação. Poucos sabem que muitos de seus antepassados sofreram no Brasil, inclusive com doenças locais”, explicou Hitomi Sekiguchi, do Conselho de Administração da Associação, que já soma 90 anos de existência e é mantida por empresas e pessoas físicas.

Olha a capoeira!

Capoeiristas do "Capoeira Gerais"

Muitos japoneses jovens talvez desconheçam a difícil história dos primeiros imigrantes no Brasil, mas alguns se encantam com aspectos da cultura brasileira, como a capoeira. No festival, um dos grupos que marcou presença foi o Capoeira Gerais, de Tóquio.

De alguma forma, percebe-se que as culturas, mesmo tão diferentes, acabam se misturando. Sem esses contatos entre pessoas de diferentes origens, não se veria japoneses tocando berimbau, atabaques, pandeiros e cantando “Saia do mar, saia do mar, marinheiro” em português claro.

Um dos integrantes do grupo de capoeira, Ryu Shirahase, contou que o Capoeira Gerais nasceu originalmente em Kyoto há 20 anos. “Mas pratico em Tóquio há dez anos. E não temos apenas japoneses no grupo. Temos também um americano, um coreano e uma francesa”, disse Shirahase, com alguma dificuldade no português, mas se fazendo entender claramente.

Em favor dos estrangeiros

Representantes da JP-Mirai, entidade que auxilia estrangeiros no Japão

Perto da roda de capoeira, estava a barraca do Banco do Brasil, onde eram tiradas dúvidas sobre procedimentos do banco. Também estava presente Takayuki Nakagawa, secretário-geral da Japan Platform for Migrant Workers towards Responsible and Inclusive Society (Plataforma Japonesa para Trabalhadores Migrantes em Direção a uma Sociedade Responsável e Inclusiva), ou simplesmente JP-Mirai.

A organização assinou um memorando de entendimento sobre cooperação em responsabilidade social com a agência Tóquio do Banco do Brasil. O documento estabelece uma cooperação entre as partes para promover iniciativas de responsabilidade social, com foco na inclusão financeira, para contribuir com o desenvolvimento das comunidades latino-americanas no Japão.  

A JP-Mirai atende diversas necessidades dos estrangeiros, oferecendo suporte em 23 idiomas, inclusive português (de terça-feira a sábado, das 10h às 18h, pelo telefone 0800-123-5717), e no aplicativo JP-Mirai (disponível na Apple Store e no Google Play) com informações úteis sobre trabalho, saúde, desastres naturais e assessoria jurídica.

“Além do atendimento aos estrangeiros, também oferecemos assistência às empresas, grandes ou pequenas, para ajudá-las na comunicação e adaptação de trabalhadores de outros países. Além disso, orientamos trabalhadores de países asiáticos antes de virem ao Japão, para que saibam o que vão encontrar. O Japão oferece um bom ambiente de trabalho aos estrangeiros”, explicou Nakagawa.

Foto: Redação

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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