Justiça dos EUA analisa caso de exercício ilegal de advocacia por IA

2026/03/13 09:52
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Estados Unidos – Um caso na justiça dos Estados Unidos vem chamando a atenção. A subsidiária americana da gigante de seguros Nippon Life Insurance está processando a OpenAI, buscando uma indenização de 1,6 bilhão de ienes. A empresa japonesa alega que o ChatGPT, da OpenAI, forneceu orientação jurídica não autorizada para que um ex-beneficiário do seguro contestasse um caso já encerrado.

A Nippon Life Insurance Company of America alegou na semana passada, por meio de uma ação apresentada no Tribunal Federal de Chicago, que a OpenAI prestou indevidamente assistência jurídica, por meio de seu ChatGPT, a uma mulher que buscava reabrir um processo que já havia sido resolvido por acordo e que estava encerrado, publicaram a Reuters e a Japan Inside.

A empresa de seguros fez constar do processo a frase "ChatGPT não é advogado". Apesar das qualidades da ferramenta de Inteligência Artificial, "ela não foi autorizada a exercer a advocacia no estado de Illinois nem em qualquer outra jurisdição dos Estados Unidos", alegou a Nippon.

Para a gigante de seguros, a OpenAI violou a legislação de Illinois, que proíbe o exercício não autorizado de advocacia. Mas a OpenAI respondeu em um comunicado que "essa queixa não tem absolutamente nenhum mérito".

No entanto, a Nippon afirma que a OpenAI incentivou a ex-beneficiada, que é funcionária de uma empresa de logística e que possuía cobertura de seguro pela Nippon, a reabrir o processo de incapacidade mesmo depois de o caso ter sido encerrado por acordo. Os executivos da Nippon alegam que a situação provocou um gasto de tempo significativo, recursos e honorários para responder às petições apresentadas pela mulher com auxílio do ChatGPT.

O uso de IA em petições jurídicas tem levado ao aumento das chamadas "alucinações" da ferramenta, com juízes aplicando sanções a partes e advogados por apresentarem documentos com citações inexistentes ou materiais gerados por IA generativa e não verificados.

O caso da Nippon diz que o caso se originou depois que a mulher firmou um acordo em janeiro (24) em um processo sobre benefícios de incapacidade de longo prazo. A empresa informou que o ChatGPT considerou válidas as preocupações da mulher, que acabou demitindo seu advogado e tentou reabrir o caso encerrado usando como base as orientações da IA.

O processo apresentado pela mulher foi rejeitado por um juiz em fevereiro (25), mas a Nippon afirma que a autora apresentou um novo processo e petições que, conforme a empresa de seguros, não tinham "nenhuma finalidade jurídica ou processual legítima". A empresa afirma que os documentos foram redigidos pelo ChatGPT.

A Nippon afirma que a OpenAI alterou suas políticas em outubro para proibir usuários de utilizar a plataforma para obter aconselhamento jurídico, mas sustenta que anteriormente não existia tal restrição.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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