Tufão 30 perde força, mas mantém risco de chuvas intensas no Japão

Tóquio - O tufão nº 30, denominado Champi, transformou-se em um ciclone extratropical às 21h de domingo (25), quando seu centro estava sobre o Mar da China Oriental, segundo informações da Agência Meteorológica do Japão (JMA). Apesar da mudança de classificação, o sistema continua provocando condições favoráveis a chuvas intensas em diferentes regiões do país nesta segunda-feira (26), com risco de deslizamentos de terra, alagamentos e aumento do nível dos rios.
Segundo informações divulgadas na manhã desta segunda-feira, o período mais intenso de chuva deverá ocorrer entre a manhã e o início da tarde em Kyushu, Chugoku e Shikoku. Nas regiões de Tokai e Kanto, a precipitação deverá se intensificar a partir do final da tarde, podendo continuar até a manhã de terça-feira (27).
A principal preocupação das autoridades está relacionada à grande quantidade de umidade transportada pelo antigo tufão, que continua alimentando uma frente meteorológica sobre o Japão.
O encontro do ar quente e úmido com a frente favorece a formação de nuvens carregadas, aumentando o risco de chuva intensa mesmo em regiões distantes do centro do ciclone extratropical.
As autoridades alertam que o enfraquecimento do sistema e a perda da classificação de tufão não significam o desaparecimento dos riscos meteorológicos.
Tufão perdeu força depois de atingir intensidade extrema
Champi se formou em 15 de outubro sobre o Oceano Pacífico, nas proximidades das Ilhas Marianas. Durante os dias seguintes, intensificou-se rapidamente e chegou a apresentar pressão atmosférica central de 900 hectopascais, com ventos sustentados máximos de 60 metros por segundo, equivalentes a 216 km/h.
O sistema avançou inicialmente para oeste, aproximando-se das ilhas do sul de Okinawa. Posteriormente, mudou gradualmente sua trajetória, seguindo para norte e nordeste pelo Mar da China Oriental.
Durante esse deslocamento, perdeu intensidade.
Às 15h de domingo, a pressão central havia subido para 996 hectopascais, com ventos sustentados máximos de 20 metros por segundo, equivalentes a 72 km/h, e rajadas de até 30 metros por segundo, ou 108 km/h.
Seis horas depois, às 21h, Champi deixou de ser classificado como tufão e passou a ser considerado um ciclone extratropical.
No momento da transformação, seu centro estava sobre o Mar da China Oriental, aproximadamente na latitude 31 graus norte e longitude 126 graus leste.
A pressão atmosférica central era de cerca de 1.000 hectopascais, e o sistema avançava para norte-nordeste a aproximadamente 20 km/h.
O que significa transformar-se em ciclone extratropical?
Os tufões são sistemas tropicais que obtêm grande parte de sua energia do calor e da umidade das águas oceânicas.
Quando se deslocam para regiões com características atmosféricas diferentes, podem perder sua estrutura tropical e transformar-se em ciclones extratropicais.
Essa mudança modifica a estrutura e a forma como o sistema obtém energia.
Entretanto, não significa necessariamente que os ventos fortes e as chuvas perigosas tenham terminado.
Um ciclone extratropical pode manter extensas áreas de precipitação e provocar condições meteorológicas severas, principalmente quando interage com uma frente.
No caso de Champi, a grande quantidade de umidade transportada do sul continua contribuindo para intensificar as chuvas no Japão.
Frente meteorológica aumenta risco de chuva
Uma frente meteorológica estende-se sobre diferentes regiões do país. O ar quente e úmido transportado pelo sistema que era o tufão nº 30 está favorecendo a formação de nuvens carregadas ao longo dessa frente.
Por isso, regiões relativamente distantes do centro do antigo tufão também podem registrar chuvas fortes ou muito fortes.
As áreas de maior preocupação nesta segunda-feira incluem Kyushu, Chugoku, Shikoku, Kinki, Tokai, Kanto e Koshin.
Em Kyushu, Chugoku e Shikoku, a chuva mais intensa era esperada principalmente entre a manhã e o início da tarde.
Já em Tokai e Kanto, a tendência é de intensificação a partir do final da tarde desta segunda-feira, com possibilidade de precipitações persistirem até a manhã de terça-feira.
A intensidade e a localização das chuvas podem variar rapidamente conforme o deslocamento das áreas de precipitação.
Wakayama registrou chuva recorde para outubro
Na província de Wakayama, a precipitação já provocou registros expressivos.
No domingo (25), foram observados 68 milímetros de chuva em uma hora, o maior volume registrado para o mês de outubro na série de observações do local, segundo informações divulgadas pela TV Asahi.
A ocorrência mostra como a combinação da umidade transportada pelo antigo tufão com a frente meteorológica pode produzir chuvas muito intensas em curtos períodos.
Quando grandes volumes de água caem em pouco tempo, os sistemas de drenagem podem não conseguir escoar a precipitação.
Isso aumenta o risco de alagamentos em ruas, passagens subterrâneas e áreas baixas.
Previsões indicam acumulados elevados
As previsões divulgadas no domingo indicavam volumes elevados de chuva em diferentes regiões até a tarde desta segunda-feira.
Para o período de 24 horas compreendido entre as 18h de domingo e as 18h de segunda-feira, eram previstos acumulados máximos de até 250 milímetros em Shikoku e 200 milímetros em Kanto-Koshin e no norte de Kyushu.
Para Tokai, região que inclui Aichi e Shizuoka, a previsão indicava acumulados de até 100 milímetros em determinadas áreas.
Atualizações divulgadas na manhã desta segunda-feira, considerando períodos posteriores e com validade até a manhã de terça-feira, indicavam possibilidade de até 200 milímetros em Shikoku, 150 milímetros em Kanto-Koshin e 120 milímetros em Kinki.
Os valores não devem ser comparados diretamente, porque correspondem a períodos de previsão diferentes.
Também representam os maiores acumulados possíveis em pontos das regiões mencionadas, e não a quantidade de chuva esperada de forma uniforme em todas as cidades.
Aichi e Shizuoka também precisam acompanhar os alertas
Na região de Tokai, a chuva deverá ganhar intensidade principalmente a partir do final da tarde desta segunda-feira.
A precipitação poderá continuar durante a noite e avançar pela manhã de terça-feira.
Em Aichi, Shizuoka e outras áreas de Tokai, existe possibilidade de chuvas fortes acompanhadas de trovoadas, dependendo do desenvolvimento das nuvens.
Em áreas urbanas, a água pode se acumular rapidamente em vias localizadas em pontos mais baixos, especialmente passagens subterrâneas utilizadas por automóveis.
Em regiões montanhosas, a chuva acumulada pode aumentar o risco de deslizamentos de terra.
Moradores de áreas próximas a rios também precisam acompanhar eventuais alertas relacionados à elevação do nível da água.
Para os brasileiros que utilizam automóveis diariamente, a recomendação é evitar estradas alagadas e não tentar atravessar trechos onde a profundidade da água seja desconhecida.
Também é importante acompanhar as informações sobre o funcionamento das rodovias e dos transportes públicos, já que chuvas fortes podem provocar atrasos, interrupções ou restrições de circulação.
Kyushu e Shikoku continuam entre as regiões de maior preocupação
No norte de Kyushu, as autoridades mantêm atenção para o risco de chuvas intensas, deslizamentos de terra e aumento do nível dos rios.
As condições marítimas também podem permanecer perigosas em algumas áreas, com ondas elevadas e ventos fortes.
Em Shikoku, a entrada contínua de ar quente e úmido favorece a formação de nuvens carregadas sobre áreas montanhosas e regiões costeiras.
Chugoku e Kinki também podem registrar períodos de chuva intensa conforme a frente meteorológica se desloca.
Mesmo depois da transformação do tufão em ciclone extratropical, as autoridades recomendam que a população não considere encerrado o período de risco.
Como acompanhar os alertas?
A Agência Meteorológica do Japão disponibiliza informações atualizadas sobre chuvas, riscos de deslizamentos, inundações, nível dos rios, ventos fortes e condições marítimas.
Os governos municipais também podem emitir orientações ou ordens de evacuação quando considerarem necessário.
Em situações de chuva intensa, os moradores devem observar os avisos oficiais e verificar as condições de segurança nas proximidades de suas residências.
O Japão utiliza diferentes níveis de alerta para orientar a população durante situações de desastre.
Quando as autoridades emitirem orientações de evacuação, é importante seguir as instruções correspondentes à região onde a pessoa reside.
Fontes: Weathernews, Agência Meteorológica do Japão (JMA), FNN, TV Asahi
Foto: Reprodução/Newtalk.tw







































