Japão registra número recorde de falências em salões de beleza

2026/05/11 07:22
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Tóquio – Os salões de beleza no Japão enfrentam uma crise severa, marcada pelo aumento acelerado das falências, pela queda na rentabilidade e pela dificuldade de manter clientes e funcionários. Dados da Teikoku Databank mostram que 235 salões decretaram falência em 2025, o maior número já registrado no país, superando os 215 casos de 2024.

O cenário atual é considerado pior do que durante a pandemia de Covid-19. Em 2021, auge das restrições sanitárias, houve 68 falências no setor graças aos subsídios governamentais e empréstimos com juros baixos oferecidos às pequenas empresas.

Segundo a Teikoku Databank, o Japão possui cerca de 250 mil salões de beleza em operação, número muito superior ao de lojas de conveniência no país, estimadas em aproximadamente 55 mil unidades. Há inclusive mais salões do que semáforos em território japonês, calculados em cerca de 210 mil.

A grande quantidade de estabelecimentos intensificou a concorrência e tornou mais difícil a sobrevivência dos pequenos negócios. Atualmente, quase metade dos salões ativos no Japão tem menos de 10 anos de funcionamento, enquanto a vida útil média desses estabelecimentos caiu para 13 anos em 2025, abaixo dos 14,1 anos registrados em 2024.

Principais fatores

A Teikoku Databank aponta que os salões vivem uma tripla pressão econômica. O primeiro fator é a escassez de mão de obra. O setor sofre com a falta de cabeleireiros, principalmente porque profissionais experientes estão migrando para grandes redes, atraídos por salários mais altos e maior estabilidade. Pequenos salões dependem frequentemente de recém-formados em escolas de beleza, mas muitos deixam o emprego pouco tempo depois para abrir o próprio negócio.

O segundo problema é o aumento generalizado dos custos operacionais. Produtos utilizados diariamente nos salões, como shampoos, tinturas, condicionadores e cosméticos, ficaram entre 14% e 16% mais caros nos últimos cinco anos, pressionados pela inflação e pela desvalorização do iene. Também subiram as despesas com eletricidade, água, aluguel e folha salarial.

Além disso, o conflito no Oriente Médio e a instabilidade internacional elevaram os custos de energia e transporte, afetando diretamente o funcionamento dos estabelecimentos. Muitos proprietários afirmam que as margens de lucro praticamente desapareceram.

O terceiro fator é a dificuldade em reajustar preços. Mesmo com o aumento das despesas, os salões não conseguem repassar totalmente os custos aos consumidores. O preço médio dos cortes no Japão subiu apenas cerca de 4% em cinco anos, chegando a aproximadamente 3.700 ienes, muito abaixo da inflação acumulada no período.

Com o aumento do custo de vida, consumidores japoneses passaram a buscar opções mais baratas, repetindo um movimento semelhante ao ocorrido após a crise financeira mundial de 2008. Naquela época, redes de baixo custo, como a QB House, ganharam força oferecendo cortes rápidos e baratos, reduzindo a clientela dos salões tradicionais e provocando mais de 100 falências anuais no setor.

Hoje, especialistas afirmam que o excesso de salões no país agravou ainda mais o problema. Muitos estabelecimentos competem com descontos, cupons promocionais e redução de preços para atrair clientes, iniciando uma guerra de preços considerada insustentável para pequenos empresários.

Operando no vermelho

Dados da Teikoku Databank mostram ainda que aproximadamente 30% dos salões operam no vermelho atualmente, enquanto cerca de 60% registraram piora nos resultados financeiros ou queda nos lucros em 2024.

Para tentar sobreviver, parte do setor passou a investir em serviços considerados premium, como spas capilares, design de sobrancelhas e tratamentos personalizados, além de usar ferramentas digitais para fidelização de clientes e campanhas de marketing direcionadas.

Mesmo assim, analistas avaliam que a tendência de fechamento deve continuar nos próximos anos, principalmente entre pequenos salões independentes, que têm menor capacidade financeira para enfrentar a inflação, a escassez de mão de obra e a forte concorrência.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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