Morte de Ali Khamenei e ataques no Irã podem impactar preço do petróleo

2026/03/02 08:19
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Tóquio – A mídia do Irã confirmou a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, na operação realizada pelos Estados Unidos e Israel no sábado (28) em vários pontos do país. Os ataques contra o Irã e os mísseis disparados pelas forças iranianas contra alvos no Golfo Pérsico provocaram a interrupção das exportações de petróleo da região produtora mais importante do mundo.

Além de Khamenei, Israel informou no domingo (1) que outros 40 altos oficiais iranianos morreram nos ataques. Mas a mídia estatal local publicou que foram seis os mortos durante uma reunião do Conselho de Defesa, segundo a Jovem Pan. Autoridades iranianas, porém, contestaram, dizendo que seis morreram nos ataques.

O Irã nomeou no domingo (1) o aiatolá Alireza Arafi como líder interino, segundo publicação em redes sociais do porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, Mohsen Dehnavi.

A morte de Khamenei foi amplamente comemorada pelos iranianos. Mas houve protestos também por parte de muçulmanos xiitas pró-Irã. Muitos deles tentaram invadir o Consulado dos Estados Unidos (EUA) em Karachi.

Golfo

Foram relatadas explosões em toda a região do Golfo Pérsico, segundo a France Presse, citando Manama, capital do Bahrein, e Doha, no Catar. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) informaram ter interceptado mísseis iranianos e foram ouvidas explosões na capital Abu Dhabi.

Países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Omã, haviam se reunido no domingo (1) à noite para discutir uma resposta unificada aos ataques do Irã, publicou o G1.

Petróleo pode subir

Ainda não se sabe a dimensão do problema, pois isso dependerá da duração do conflito. Mas a incerteza já foi suficiente para afetar os fluxos na região, que responde por 20% da oferta global de petróleo. A expectativa é de que os preços subam na retomada das negociações nesta segunda-feira (2), segundo a Reuters.

Os preços do petróleo Brent, referência internacional, subiram nas últimas semanas para cerca de 70 dólares por barril, o nível mais alto desde agosto de 2025, mas há estimativas de que o valor chegue a 100 dólares.

"Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz", disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS.

Teerã havia alertado embarcações sobre a travessia no Estreito e a maioria dos armadores de petroleiros, grandes companhias de petróleo e empresas comerciais interromperam o transporte de petróleo.

Consequências para o Japão

O possível aumento do preço do petróleo tende a refletir no fornecimento de combustíveis e de energia em países importadores, como é o caso do Japão. Caso o valor do barril permaneça alto por um período prolongado, pode gerar desaceleração econômica em economias dependentes de importação de energia.

O Japão importa grande parte de seu petróleo do Oriente Médio e depende de combustíveis fósseis para energia e transporte. Em um cenário de preço alto do barril, os seguintes itens tendem a ficar mais caros no Japão: combustíveis, tarifas de eletricidade, transporte público e frete. Outros itens são produtos importados, alimentos e itens básicos e matérias-primas.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, afirmou que o fará todos os esforços diplomáticos com a comunidade internacional para acalmar a situação envolvendo o Irã.

Motegi enfatizou que a paz e a estabilidade no Oriente Médio, incluindo a segurança energética e a manutenção do sistema internacional de não proliferação, são da maior importância para o Japão.

Voos suspensos

Várias companhias aéreas que têm rotas que passam pelo Oriente Médio suspenderam seus voos. Um dos casos é a Japan Airlines (JAL), cuja decisão pode afetar conexões e sobrevoos que dependam do espaço aéreo na região. Passageiros que têm voo marcado para o Brasil, por exemplo, precisam verificar com a companhia aérea se a rota está confirmada.

Outras companhias que suspenderam voos para destinos no Oriente Médio são a Qatar Airways, que pode alterar seus itinerários entre o Japão e a América do Sul. A Turkish Airlines também suspendeu voos, assim como Air France, British Airways e Lufthansa. Estão na lista ainda a Virgin Atlantic, LOT Airlines, Iberia Express, entre outras.

Foto: Reprodução

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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