Japão prepara fim dos pedágios com dinheiro e exige ETC até 2030

Tóquio – Até o ano fiscal de 2030, cerca de 1.500 praças de pedágio do Japão deverão funcionar exclusivamente com o sistema Electronic Toll Collection (ETC), eliminando gradualmente os pagamentos em dinheiro e com cartão de crédito nas cabines tradicionais.
A estratégia faz parte do plano do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT) para automatizar completamente a cobrança nas rodovias, reduzir congestionamentos, diminuir custos operacionais e enfrentar a falta de mão de obra no país, publicou o Nippon.
No Japão existem seis operadoras de vias expressas, sendo que 95,8% das faixas de pedágio já são exclusivas para ETC. São elas: East Nippon Expressway Co. (Nexco East), Central Nippon Expressway Co. (Nexco Central), West Nippon Expressway Co. (Nexco West), Metropolitan Expressway Co., Hanshin Expressway Co. e Honshu-Shikoku Bridge Expressway Co.
Até lá, os motoristas precisarão ter em seus veículos o aparelho ETC instalado, além do cartão ETC válido inserido no equipamento. Sem isso, muitos acessos às vias expressas simplesmente não poderão mais ser utilizados.
Em vários pontos do país, os antigos pedágios com funcionários estão desaparecendo e sendo substituídos por entradas automatizadas e sem presença humana, segundo informações da Metropolitan Expressway.
As primeiras regiões a serem totalmente convertidas para o modelo ETC-only serão Tóquio, Nagoya (Chukyo) e Osaka (Kinki). A operadora da Metropolitan Expressway informou que dezenas de entradas estão sendo reformadas para operação sem funcionários, com instalação de intercomunicadores e sistemas remotos de suporte. Até o fim do ano fiscal de 2026, 134 dos 178 acessos da companhia já deverão operar exclusivamente com ETC.
Primeiras vias totalmente ETC
A rodovia expressa Tokai-Kanjo, com cerca de 130 quilômetros, se tornou em abril deste ano a primeira grande via expressa do Japão a operar exclusivamente com ETC.
A operadora Nexco Central informou que a mudança ocorreu sem grandes problemas, embora alguns motoristas tenham afirmado não saber que a rota havia se tornado totalmente automatizada, segundo o Metaforespress.
O que acontece com quem entrar sem ETC
Segundo as operadoras, caso motoristas sem ETC entrem acidentalmente numa das vias expressas ETC-only, a recomendação é para que não deem marcha à ré nem tentem fazer retorno. A orientação é seguir até a faixa de suporte, parar o veículo e usar o interfone para receber instruções da central.
Para evitar esse tipo de situação, as operadoras reforçaram placas roxas indicando “ETC Only” nas proximidades das entradas das vias expressas.
Por que o Japão está fazendo isso?
O sistema ETC existe desde 2001 e foi criado para eliminar os congestionamentos provocados pelas paradas nos pedágios.
Ao lançar o sistema, o governo buscou reduzir filas e congestionamentos, diminuir o consumo de combustível, tornar as viagens mais rápidas, reduzir acidentes próximos das cabines e cortar custos operacionais com funcionários.
A digitalização integra o avanço do Japão no Intelligent Transport Systems (ITS), permitindo a criação de rodovias inteligentes, com dados em tempo real e preparadas para receber veículos autônomos no futuro.
ETC 2.0
Ao mesmo tempo, o país busca ampliar o ETC 2.0, versão mais avançada do sistema.
Além do pagamento automático, o novo modelo consegue fornecer informações de trânsito em tempo real, indicar congestionamentos, sugerir rotas alternativas, emitir alertas sobre acidentes, transmitir condições climáticas nas vias e auxiliar em situações de desastre natural.
A tecnologia utiliza comunicação entre infraestrutura e veículos (V2I), considerada uma das bases das futuras rodovias inteligentes japonesas.
Problemas e preocupações
Mas nem tudo são flores. Especialistas apontam alguns pontos críticos no avanço tecnológico do sistema japonês.
Um deles é a dependência tecnológica. Em abril de 2025, um defeito no sistema ETC da Nexco Central causou caos em diversas rodovias japonesas, deixando o sistema fora do ar por cerca de 38 horas.
O incidente fez com que as operadoras elaborassem novos protocolos para lidar com panes, emergências e falhas semelhantes.
Outra preocupação envolve a exclusão digital, já que idosos, turistas estrangeiros e motoristas ocasionais podem não possuir ETC. Em muitos casos, para obter o aparelho é necessário ter conta bancária ou cartão japonês. Turistas normalmente dependem de cartões ETC alugados em locadoras de veículos.
Outro ponto é o custo dos aparelhos ETC, que varia entre 5 mil ienes e 30 mil ienes, sem incluir a instalação. Mesmo assim, o governo incentiva a adesão oferecendo descontos automáticos em horários de menor movimento, finais de semana e viagens longas.
Foto: Canva







































