As regras não ditas nem escritas que você já pode ter quebrado no Japão

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Tóquio – No Japão existem muitas regras que regem a vida social, como em qualquer lugar do mundo. Mas algumas delas são normas não ditas nem escritas, ou seja, não aparecem em guias de viagem e nem sempre são ensinadas aos estrangeiros. O desconhecimento dessas regras pode gerar gafes, segundo o GaijinPot, mas nada que não possa ser resolvido. Você sabe quais são essas regras não ditas?

Dinheiro na bandeja

Todo estrangeiro já reparou que no Japão não se paga algo com dinheiro ou cartão diretamente na mão do lojista ou comerciante. Basta colocar o dinheiro em uma bandeja no balcão. Entre as regras não ditas, entregar o dinheiro diretamente pode soar invasivo ou até rude, especialmente em ambientes mais formais. A palavra “kane” (dinheiro) ganha o prefixo de cortesia “o”, passando a ser “o-kane”, para expressar respeito.

Afeto em público

No Brasil é comum encontrar pessoas demonstrando afeto nas ruas, como abraços e beijos. No Japão, isso é raro. Não chega a ser ofensivo, mas pode causar constrangimento, especialmente em áreas familiares, no transporte público ou perto de pessoas mais velhas.

As demonstrações afetivas são contidas, e os japoneses valorizam essa reserva em espaços públicos. Casais de longa data tendem a demonstrar afeto em casa, na intimidade. Alguns jovens já começam a mudar esse comportamento, mas ainda de forma sutil.

Antes do banho

Existe uma etiqueta específica para entrar na banheira: é preciso lavar-se antes. Na cultura japonesa, o banho é um ritual de limpeza e relaxamento. Seja em uma fonte termal (onsen), em um banho público (sento) ou em casa, as regras não ditas são:

  • Lave e enxágue o corpo antes de entrar na banheira.
  • A banheira é para relaxar, não para se ensaboar.
  • Não deixe toalhas tocarem a água.
  • Você pode usar a toalha pequena para se cobrir a caminho do banho.
  • Também pode colocá-la na cabeça enquanto relaxa.
  • Use a toalha grande apenas ao sair.

Enquanto apenas o corpo limpo entrar no banho coletivo, está tudo certo.

Nada de gorjetas

No Japão não se dá gorjetas para quem presta serviços. Na maioria dos restaurantes e hotéis, a taxa já está incluída no valor da conta. Caso alguém insista, isso pode deixar a equipe desconfortável ou confusa.

Há situações em que funcionários mais jovens aceitam discretamente gorjetas em contextos informais, como pontos turísticos. Porém, em alguns estabelecimentos comerciais há potes de coleta de dinheiro – nesses casos, pode-se contribuir, mas não é obrigatório. A forma adequada de demonstrar gratidão é dizer apenas “arigatou gozaimasu”.

Escada rolante

É comum passageiros de trens e metrôs subirem ou descerem escadas rolantes longas nas estações. Em Tóquio, as pessoas ficam no lado esquerdo, deixando o direito para quem deseja caminhar. Em Osaka é o oposto. Já em Nagoya (Aichi), campanhas orientam que ninguém caminhe na escada rolante, por questões de segurança, já que um passo em falso pode causar acidentes. Além disso, não fure filas e não corra para o trem quando há passageiros desembarcando.

Uso do hashi

Durante as refeições com palitinhos (hashi), há regras levadas a sério. Não se deve passar comida diretamente de um hashi para outro, pois isso remete à cerimônia de cremação, em que ossos do falecido são passados dessa forma. O correto é oferecer o prato para que a pessoa se sirva.
Outra regra é não espetar o hashi no arroz, prática considerada rude por lembrar um ritual funerário.

Aroma forte

É difícil manter o corpo totalmente livre de odores desagradáveis no verão intenso do Japão, mas o uso de fragrâncias fortes também não é bem-visto, especialmente em trens e elevadores. No país, valoriza-se a limpeza neutra, sem odores intensos, bons ou ruins, considerados “meiwaku” (incômodos) para os outros. Prefira fragrâncias suaves.

Assoar o nariz

Assoar o nariz em público é considerado falta de educação, sobretudo em trens, escritórios e salas de aula. O ruído pode ser perturbador em locais silenciosos e associado a doença. Em vez disso, muitos preferem “fungar” até se retirar para um local vazio e limpar o nariz com mais liberdade.

Uso de honoríficos

Na língua japonesa, os nomes geralmente vêm acompanhados de títulos honoríficos, como “san”, “sensei” ou “sama”. Não usá-los pode soar rude, mas depende da situação. Quando há intimidade, não é necessário. O inverso também pode causar estranhamento: ser formal demais em ocasiões casuais pode parecer artificial. Se cometer um engano, basta um “shitsurei shimasu” (com licença) para amenizar.

Entregar coisas com uma mão

No cotidiano japonês, não se deve entregar objetos com apenas uma mão. Seja cartão de visita, dinheiro ou presente, use as duas mãos como sinal de respeito. Usar apenas uma pode parecer descuido, sobretudo em situações formais. Nas lojas de conveniência, por exemplo, atendentes entregam o troco sempre com as duas mãos.

Errou? E agora?

São tantas regras que, em algum momento, qualquer um pode falhar. Mas não há motivo para desespero: um erro pode se tornar um aprendizado. A maior parte das pessoas é compreensiva e a vida segue. O essencial é manter a humildade e estar aberto a novos aprendizados.

Fotos: Banco de Imagem e Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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