No Mês do Consumidor veja como algoritmos influenciam suas compras no Japão

2026/04/24 09:50
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Tóquio – Todo mês de maio o Japão celebra o Mês do Consumidor. E neste ano o tema da campanha de conscientização será “Informações visíveis, mecanismos invisíveis. Fortalecer o poder do consumidor na era da IA”. O objetivo é alertar que, na era digital, muitas decisões de consumo podem ser influenciadas por sistemas que os internautas não veem, como algoritmos, Inteligência Artificial (IA) e mecanismos de recomendação. A campanha visa orientar os consumidores sobre como essas ferramentas funcionam e desenvolver a capacidade de questioná-las, permitindo decisões mais seguras e conscientes.

O Mês do Consumidor foi criado devido à Lei Básica de Proteção ao Consumidor (消費者保護基本法, Shōhisha Hogo Kihonhō), de 1968, mas 20 anos depois o governo instituiu que maio seria dedicado à orientação aos consumidores, sob os cuidados da Agência de Assuntos do Consumidor (消費者庁, Shōhisha-chō).

O governo destaca dois eixos principais em sua campanha: a compreensão do funcionamento do ambiente digital, incluindo publicidade online e uso de dados, além do fortalecimento da chamada literacia digital, ou seja, a capacidade de analisar informações e evitar riscos no ambiente online.

A campanha busca fazer com que o consumidor desenvolva habilidades como entender que o conteúdo exibido na internet não é neutro e questionar o motivo pelo qual determinado anúncio aparece na tela do computador ou do celular. A proposta é que o usuário reconheça quando há uso de dados pessoais para o direcionamento de anúncios e consiga avaliar a confiabilidade das informações e das ofertas.

Ao escolher o tema “Informações visíveis, mecanismos invisíveis”, a Agência de Assuntos do Consumidor quer mostrar que o consumidor enxerga apenas a superfície das decisões que toma, enquanto os fatores que o influenciam permanecem ocultos.

Na prática, o consumidor vê o produto, o anúncio ou a recomendação, mas não tem acesso ao processo que levou aquele conteúdo até ele. Esses processos envolvem, por exemplo, algoritmos que priorizam determinados produtos, sistemas que analisam o comportamento do usuário e mecanismos que selecionam conteúdos com base em interesses comerciais.

A mudança no foco da campanha é significativa. Antes, as ações eram voltadas principalmente para problemas mais diretos, como produtos com defeito, contratos abusivos ou fraudes evidentes. Agora, o risco é menos perceptível ao consumidor comum. Não é apenas o golpe direto que preocupa o governo, mas a forma como o ambiente digital pode induzir decisões sem que o usuário perceba.

Isso inclui situações como compras impulsivas estimuladas por recomendações automáticas, exposição a anúncios disfarçados de conteúdo comum e dificuldade de distinguir informações confiáveis de conteúdos patrocinados.

O governo não fala apenas em proteger o consumidor, mas em torná-lo mais ativo, capaz de interpretar o ambiente digital e tomar decisões com maior autonomia.

Durante o Mês do Consumidor, o governo promoverá uma mobilização nacional, com a participação de prefeituras e governos locais, empresas e associações empresariais, além de entidades de defesa do consumidor. Cada grupo realiza suas próprias ações, mas alinhadas ao tema central da campanha.

Para isso, serão distribuídos materiais educativos, como cartazes exibidos em locais públicos, empresas e estações de trem, além de guias para consumidores e materiais voltados a professores e instrutores. O objetivo é atingir não apenas o público geral, mas também escolas e ambientes de formação.

Entre os materiais também estão vídeos educativos que explicam como funcionam os anúncios online, como ocorre o direcionamento de publicidade personalizada e quais riscos existem por trás desses mecanismos. Os conteúdos também orientam sobre como o consumidor deve lidar com esse tipo de informação.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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