Famílias no Japão ganham mais, mas poder de compra diminui

2026/10/16 08:01
Compartilhar:

Tóquio – As famílias japonesas continuam reduzindo seus gastos, mesmo em um cenário de recuperação dos salários. É o que mostrou a Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. O consumo médio das famílias com duas ou mais pessoas caiu 3,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, depois de descontada a inflação. Foi o nono mês consecutivo de queda.

A despesa média mensal ficou em 310.975 ienes por família. Em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação, a redução foi menor, de 1%. Isso significa que as famílias gastaram quase a mesma quantidade de dinheiro, mas conseguiram comprar menos bens e serviços devido ao aumento dos preços.

Basta considerar o caso de uma família que gastava 300 mil ienes por mês no ano passado. Se neste ano ela continuar desembolsando aproximadamente o mesmo valor, mas os alimentos, a energia, o transporte e outros produtos e serviços estiverem mais caros, seu consumo real diminuirá.

É justamente essa diferença que aparece quando o governo divulga a variação “real”, descontando o efeito dos preços. Por isso, uma queda real de 3,1% não significa necessariamente que todas as famílias reduziram em 3,1% o dinheiro gasto. Significa que, considerando a inflação, o volume de bens e serviços adquirido foi menor.

Pequena melhora em relação a julho

Embora o resultado anual continue negativo, houve uma pequena melhora em relação ao mês anterior. Na comparação com julho, depois do ajuste sazonal, as despesas aumentaram 0,1%.

Em julho, o consumo havia caído 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em junho, a retração havia sido de 3,3%. Portanto, agosto continuou apresentando um resultado negativo, mas a queda anual foi um pouco menor do que nos dois meses anteriores.

O resultado também foi ligeiramente melhor do que o esperado por economistas consultados pela Reuters, que previam retração de 3,6%.

Renda sobe em ienes, mas cai em termos reais

Outro dado importante da pesquisa está relacionado à renda. Entre as famílias com duas ou mais pessoas que possuem pelo menos um integrante empregado, a renda média mensal chegou a 616.704 ienes. Esse valor representou um crescimento de 1,3% em termos nominais.

Depois de descontada a inflação, porém, a renda caiu 0,9%, considerando o índice de preços utilizado pelo governo nesse cálculo.

É importante entender que os 616.704 ienes não representam o salário médio de um trabalhador.

O número corresponde à renda total média das famílias com duas ou mais pessoas classificadas como famílias de trabalhadores assalariados. Em um lar no qual marido e mulher trabalham, por exemplo, os rendimentos dos dois podem entrar no cálculo.

Salário maior nem sempre significa poder de compra maior

Esse é um dos pontos mais importantes dos números divulgados pelo governo.

O salário e a renda podem aumentar em quantidade de ienes, mas isso não significa automaticamente que a família esteja conseguindo consumir mais.

Se a renda cresce 1,3%, mas os preços sobem mais do que isso, o poder de compra diminui.

É por essa razão que o governo e o Banco do Japão acompanham não apenas os salários nominais, mas também os chamados salários e rendimentos reais.

Outro levantamento do governo mostrou que o salário real dos trabalhadores no Japão cresceu 1,5% em agosto, na comparação anual, registrando o oitavo mês consecutivo de alta.

Os dois números não são contraditórios. Eles vêm de pesquisas diferentes e medem grupos e conceitos distintos.

A estatística salarial acompanha as remunerações pagas pelas empresas aos trabalhadores. Já a Pesquisa de Orçamentos Familiares analisa as receitas e despesas dos domicílios.

Alimentação representa a maior parcela das despesas

Historicamente, a alimentação representa a maior parcela das despesas das famílias japonesas.

Em 2025, por exemplo, famílias com duas ou mais pessoas gastaram, em média, 314.001 ienes por mês, dos quais 89.754 ienes foram destinados à alimentação, o equivalente a 28,6% de todas as despesas de consumo. Em seguida, apareciam outros gastos diversos, com 17,3%, e transporte e comunicação, com 14,5%.

Isso ajuda a explicar por que os aumentos dos preços dos alimentos têm impacto tão grande na percepção das famílias sobre o custo de vida.

Quando a alimentação representa quase um terço das despesas mensais, sucessivos aumentos nos preços do arroz, produtos processados, bebidas, temperos e refeições prontas podem pressionar significativamente o orçamento doméstico. E o Japão começou outubro com reajustes anunciados para mais de 3 mil produtos alimentícios e bebidas.

Banco do Japão acompanha os dados

Os números do consumo são acompanhados de perto pelo Banco do Japão porque o comportamento das famílias influencia diretamente a atividade econômica.

Quando os consumidores reduzem seus gastos, as vendas das empresas também podem perder força.

Por outro lado, uma recuperação do consumo pode estimular o comércio, os serviços e os investimentos.

Os números divulgados serão mais um elemento considerado pelo Banco do Japão nas próximas decisões de política monetária.

A instituição realizará sua próxima reunião de política monetária nos dias 29 e 30 de outubro.

O resultado isolado de agosto, porém, não permite concluir se haverá ou não alteração dos juros.

O que isso significa para os brasileiros

A pesquisa abrange as famílias residentes no Japão, independentemente da nacionalidade. Mesmo assim, os resultados retratam um ambiente econômico que também afeta os estrangeiros que vivem no país.

As famílias brasileiras enfrentam os mesmos reajustes nos preços dos alimentos, energia, gás, transporte, telecomunicações e outros serviços.

Para quem recebe salário fixo, o ponto mais importante é observar se o crescimento da renda está conseguindo acompanhar o aumento do custo de vida.

Uma família pode receber mais ienes do que no ano passado e, ainda assim, sentir que sobra menos dinheiro no fim do mês.

Os dados de agosto mostram que essa sensação tem uma base concreta: em média, o consumo real das famílias japonesas continuou diminuindo.

Fonte: Ministério de Assuntos Internos e Comunicações e Reuters.

Foto: Canva

Composta por uma equipe trilíngue (português, japonês e inglês) com sólida trajetória nos setores privado e governamental do Japão, nossa Redação une domínio tecnológico à paixão genuína pela cultura nipônica, transitando do universo dos mangás às tradições milenares. Mais do que vivência, prezamos pela credibilidade: fugimos do "achismo" e fundamentamos todo o nosso conteúdo em fontes concretas e verificadas, garantindo informação precisa e segura para os nossos leitores.

Matérias relacionadas

Por: Redação
Tóquio – O salário mínimo deverá aumentar novamente no Japão a partir de outubro, com novos v...
Por: Redação
Tóquio – O investidor Jonathan Matsuo sorteará, no sábado (21), o valor de ¥1.000.000 ou R$ 40...
Por: Redação
Celebrado sempre no 3º dia do 3º mês do ano, ou seja, 3 de março, o Hina Matsuri (雛祭り - ...
Por: Antônio Bordin
Fukushima – Em razão da falta de trabalhadores no Japão, a East Japan Railway (JR East) lançou ...
Por: Redação
Tóquio - O cancelamento de uma palestra do líder do partido Sanseito na Universidade de Tóquio, a...
Por: Antônio Bordin
Iwate – Mais um forte tremor foi registrado na costa de Iwate, desta vez às 5h21 deste domingo (2...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A Global Partners é uma empresa de apoio e desenvolvimento de negócios que está aplic...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – Neste sábado (1º de novembro), será realizada a 17ª edição do "Bossa Aoyama", fest...

Mais acessadas

Por: Redação
O Japão está subdividido em 8 regiões e sub-dividido em 47 prefeituras. As 8 regiões são: Hokk...
Por: Redação
Doenças subjacentes são as que não são explícitas ou seja, visíveis. São doenças considerada...
Por: Redação
Para candidatar-se a uma vaga de emprego no Japão recomenda-se que o candidato leve o currículo, e...
Por: Redação
Tóquio – O salário mínimo deverá aumentar novamente no Japão a partir de outubro, com novos v...
Por: Redação
Quem trabalha a mais de 1 ano no Japão já deve ter ouvido falar do tal do Gensen... Mas afinal das...
Por: Antônio Bordin
Aichi – Cristina Helena costuma fazer compras num famoso site de comércio varejista chinês. Mas ...
Por: Redação
Reajuste de final de ano, em japonês: Nenmatsu Chosei - 年末調整 é realizado pela empresa empr...
Por: Redação
Tóquio – Um dos feriados prolongados mais esperados no Japão, a Golden Week, ou Semana Dourada, ...

Turismo

Por: Redação
Shizuoka – Em Kikugawa, o turismo está diretamente ligado à paisagem que ajudou a construir a id...
Por: Redação
Shizuoka – Localizada no extremo oeste da província de Shizuoka, junto à divisa com Aichi, Kosai...
Por: Redação
Tóquio – Dinossauros, evolução humana, animais, plantas, meteoritos, tecnologia japonesa, roupa...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O Japão tem três destinos entre os dez mais revisitados por turistas na Ásia, segundo...
Por: Antônio Bordin
Gifu – Nos dias 17 e 18 de outubro, será realizado o Festival da Batalha de Sekigahara (関ケ原...
Por: Redação
Shizuoka — Localizada na região oeste da província, Fukuroi reúne alguns dos templos mais conhe...
Por: Redação
Tóquio – Nem todos os museus nacionais do Japão seguem o modelo tradicional de uma instituição...
Por: Redação
Hokkaido – Quem já imaginou como seria viver como um Pokémon e passar a noite dentro de uma Pok...
© 2016-2026 Todos os direitos reservados - Portal Japão
Home
Listas
Voltar
Busca
Menu
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram