Ex-policial usava cópias de chaves para invadir casa de policiais mulheres

Hyogo – Um ex-chefe da Seção de Trânsito da Delegacia de Sasayama, da Polícia da Província de Hyogo, foi condenado por invadir as residências de policiais subordinadas e o vestiário feminino da delegacia com o objetivo de realizar filmagens clandestinas. Para ter acesso aos locais, ele chegou a fotografar com o celular as chaves das vítimas e encomendar cópias pela internet, publicou o jornal Kobe Shimbun.
Na quinta-feira (24), a juíza Yui Okamura, do Tribunal Distrital de Kobe, condenou o ex-policial, de 55 anos e já demitido disciplinarmente, a dois anos de prisão, com suspensão da execução da pena por quatro anos, pelos crimes de invasão de residência e invasão de edifício. A promotoria havia pedido dois anos de prisão.
Foi durante o julgamento que veio a público o método usado pelo réu para produzir as cópias das chaves.
Ele foi acusado de invadir, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, a residência de uma policial na cidade de Sanda, na província de Hyogo, para instalar uma câmera destinada a filmagens clandestinas. Em março deste ano, também invadiu o vestiário feminino da delegacia.
O homem reconheceu ainda ter invadido a residência de outra policial alguns anos antes, mas esse caso não resultou em denúncia formal.
Segundo informações apresentadas no julgamento, o ex-policial produziu várias cópias das chaves das residências de duas policiais e também das chaves dos armários do vestiário da delegacia.
Uma das chaves residenciais havia sido deixada sobre uma mesa no local de trabalho. Para obter a outra, ele entrou no vestiário e encontrou a chave entre os pertences pessoais da vítima.
Nos dois casos, fotografou o número gravado na superfície das chaves e, com essas informações, encomendou as cópias em um grande site de comércio eletrônico. As chaves ficaram prontas em cerca de duas semanas.
Para entrar no vestiário, o então policial aproveitou uma ocasião em que trabalhava como responsável pelo plantão e utilizou uma chave mestra destinada à administração das instalações. Depois, fotografou também as chaves dos armários e mandou produzir cópias.
A especialista em segurança Mika Kyoshi explicou que algumas lojas exigem a apresentação de documento de identificação para produzir cópias de chaves. Muitas empresas que oferecem o mesmo serviço pela internet, porém, não fazem essa exigência.
Segundo ela, não existe no Japão uma regulamentação legal que obrigue as empresas a confirmar a identidade da pessoa que solicita a duplicação.
De acordo com a sentença, o réu também se aproveitou de informações às quais tinha acesso em razão de sua posição profissional, como o endereço das subordinadas e seus horários de entrada e saída do trabalho.
Ele teria invadido quatro vezes a residência de uma das policiais e entrado cerca de dez vezes no vestiário feminino. Em seu celular foram encontrados vídeos de uma mulher trocando de roupa, além de várias fotografias de roupas íntimas e outros objetos pessoais.
O réu alegou que estava insatisfeito com a maneira como vinha sendo tratado dentro da Polícia da Província de Hyogo e que praticou os atos como forma de aliviar o estresse. Também declarou que "queria ver a vida privada de mulheres jovens".
Na sentença, a juíza Okamura destacou que "a habitualidade das condutas é evidente e o enfraquecimento da consciência sobre as normas é grave".
Apesar disso, decidiu suspender a execução da pena porque o réu havia pago indenizações às vítimas e iniciado tratamento relacionado ao seu comportamento sexual.
Cuidado com as chaves de casa
O Kobe Shimbun consultou a especialista em segurança Mika Kyoshi, que alertou para o risco de pessoas terem suas chaves copiadas sem autorização e acabarem se tornando vítimas de invasões. Segundo ela, esse tipo de caso não é raro.
Um dos episódios citados pela especialista envolveu uma mulher que deixou a chave de casa dentro de um armário no local onde trabalhava. O gerente fotografou a chave, encomendou uma cópia pela internet e posteriormente invadiu a residência.
Segundo Mika, apenas o número gravado na chave pode ser suficiente para que determinados modelos sejam reproduzidos. Se o formato dos sulcos também puder ser identificado, uma cópia pode até ser produzida com uma impressora 3D.
A especialista alerta que existem riscos mesmo no ambiente de trabalho, entre pessoas conhecidas, e recomenda não deixar chaves expostas sobre mesas.
O cuidado também vale para cafés, restaurantes e outros estabelecimentos. Algumas pessoas deixam as chaves sobre a mesa para indicar que o lugar está ocupado, prática considerada extremamente perigosa pela especialista.
Uma das formas de proteção citadas por Mika é o uso de chaves acompanhadas de um "cartão de segurança", que dificultam a produção de cópias apenas com o número gravado na chave.
Nesse sistema, dois números precisam ser apresentados para que a duplicação seja autorizada, funcionando como uma espécie de autenticação em duas etapas.
Outra alternativa são as fechaduras inteligentes, que permitem trancar e destrancar a porta por meio do smartphone, sem necessidade de utilizar uma chave física. Alguns modelos não exigem grandes obras de instalação e podem ser utilizados também em imóveis alugados.
Foto: Canva







































