Especialista alerta que avanço da IA pode extinguir humanidade

2026/02/20 09:54
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Estados Unidos – Um professor da Universidade da Califórnia em Berkeley afirma que o avanço da Inteligência Artificial (IA) pode levar ao extermínio da humanidade. O Portal Japão perguntou à Gemini, IA do Google, se essa preocupação procede. Leia no final o que ela diz.

O pesquisador em Ciência da Computação Stuart Russel comentou que os executivos de tecnologia estão presos em uma espécie de “corrida armamentista” da IA, e pediu que os governos acionem o freio antes que seja tarde, noticiou a France Presse.

Russel alertou que os chefes das maiores empresas de IA no mundo sabem dos perigos representados por sistemas superinteligentes, que um dia podem superar os humanos. Para ele, a responsabilidade de salvar a humanidade está nas mãos dos líderes mundiais.

O que se vê hoje são países e empresas investindo muito dinheiro na instalação de centros de dados, que exigem um alto consumo energético, para treinar e operar a IA generativa.

Quando bem usada, essa ferramenta pode ajudar na descoberta de medicamentos, mas o lado obscuro da tecnologia é que pode causar a perda de empregos e facilitar a vigilância e abusos online, entre outras ameaças.

Mas o ponto mais preocupante, para Russel, está no risco de “os próprios sistemas de IA assumirem o controle e a humanidade se tornar um dano colateral nesse processo”.

Recentemente, a Anthropic alertou que seus chatbots poderiam ser induzidos a “apoiar conscientemente, ainda que de pequenas maneiras, esforços para o desenvolvimento de armas químicas e outros crimes hediondos”.

Em uma cúpula realizada na Índia, onde Russel esteve presente, a esperança é de que sejam criadas oportunidades de regulamentação da ferramenta.

Segundo Russel, há um movimento crescente de resistência contra a IA, inclusive entre os mais jovens. “Eles estão reagindo contra os aspectos desumanizantes da IA”, afirmou.

Linhas de proteção

Para evitar que o cenário de Stuart Russell se torne realidade, as empresas de tecnologia e governos estão desenvolvendo camadas de proteção conhecidas como Guardrails (trilhos de segurança). Eles funcionam como um "código de conduta" rígido que a máquina não pode ignorar.

Aqui estão as principais estratégias que estão sendo implementadas agora:

Alinhamento por Reforço Humano (RLHF): Esta é a técnica mais comum hoje. Antes de um modelo como o ChatGPT ser lançado, ele passa por milhares de testes com humanos. Se a IA sugere algo perigoso (como criar um vírus ou hackear um sistema), o treinador humano a "pune" digitalmente, ensinando que aquela resposta é proibida. O objetivo é que a IA incorpore valores humanos e ética em suas decisões.

IA Constitucional: Criada pela Anthropic, essa técnica dá à IA uma "Constituição" — um conjunto de princípios escritos (como a Declaração Universal dos Direitos Humanos). Em vez de depender apenas de humanos dizendo o que é certo ou errado, a própria IA revisa suas respostas para garantir que elas não violem as regras da sua "Constituição" interna.

Equipes Vermelhas: As empresas contratam hackers éticos e especialistas em segurança para tentar "quebrar" a IA. Eles fingem ser usuários mal-intencionados para descobrir falhas de lógica ou formas de contornar as proteções. É um processo de ataque simulado para fortalecer as defesas antes que o público tenha acesso.

Interruptores de Desligamento: Existem debates técnicos sobre a criação de um "botão de pânico" físico ou lógico. O desafio aqui é que uma IA superinteligente poderia prever que seria desligada e tentar impedir o acesso ao interruptor (espalhando-se pela internet, por exemplo). Por isso, estuda-se como embutir esse "desligamento" no código base de forma que a IA não consiga contornar.

Monitoramento de "Capacidades Perigosas": Órgãos reguladores nos EUA e na União Europeia agora exigem que empresas reportem se seus modelos atingirem um certo nível de potência computacional. Se a IA começar a demonstrar habilidades de "raciocínio estratégico" que possam ser usadas para manipular mercados ou sistemas militares, o treinamento pode ser interrompido por lei.

O problema, como Russell mencionou, é que essas travas são eficazes contra a IA atual, mas podem ser inúteis contra uma IA Superinteligente.

O Portal Japão perguntou à Gemini, inteligência artificial generativa do Google, se o temor de Russel procede. A ferramenta confirmou que o risco existe, mas explicou que a ameaça não viria de uma consciência robótica como nos filmes, e sim do mau uso humano da tecnologia. No fim, o perigo não reside em uma suposta IA maligna, mas nas intenções de quem a opera.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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