Revista britânica The Economist expõe crise no STF e cita ministros

Londres/Brasília – A revista britânica The Economist publicou na terça-feira (24) reportagem relatando as polêmicas em torno do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto intitulado "O Supremo Tribunal Federal do Brasil está envolvido em um enorme escândalo" explica aos leitores que "alguns dos juízes mais poderosos do mundo têm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política". A reportagem foi citada em várias mídias brasileiras.
A publicação estampou: "Mesmo defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente, por vezes interpretando críticas a seus membros como um ataque à própria democracia."
O texto menciona o escândalo envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, caso que provocou debates sobre a ética do STF após as revelações das relações entre o banqueiro e o então relator do caso na Alta Corte, publicou a Gazeta do Povo.
O ministro Dias Toffoli é citado 12 vezes, com explicações sobre o resort Tayayá e o relatório da Polícia Federal (PF) que descobriu conversas entre juiz e a parte envolvida.
A reportagem cita a participação societária do ministro Toffoli no resort Tayayá, que recebeu investimentos de um fundo ligado ao Master. "Toffoli nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações de parcialidade se baseiam em mera 'especulação'. Ele alega que os pagamentos estavam relacionados à venda de ações do resort e que foram declarados às autoridades fiscais. Mesmo assim, após crescente pressão, ele renunciou ao cargo", diz o texto.
A The Economist acrescentou: "O colega de Toffoli no Supremo Tribunal, Alexandre de Moraes, também está em apuros. Quando surgiram provas de que a esposa de Moraes, que é advogada, havia recebido um contrato incomumente vago e lucrativo para representar o Banco Master, Moraes abriu uma investigação contra funcionários da Receita Federal por vazamento de informações confidenciais." Moraes é citado 11 vezes.
Com relação à decisão de Moraes, a The Economist publicou: "Ao contrário de grande parte da atividade do tribunal, as operações da investigação sobre fake news sempre foram mantidas em sigilo. Quando a investigação começou, os membros justificaram isso com base na gravidade das ameaças provenientes do ex-presidente Bolsonaro e seus seguidores. É difícil conciliar o uso da investigação por Moraes para investigar fiscais da Receita Federal", aponta.
"Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca ter julgado um caso em que houvesse conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária. Independentemente de suas convicções, seus adversários no Congresso estão atentos", finaliza o texto.
Com a crise instalada, o presidente do STF, Edson Fachin, tentou articular um código de ética, escolhendo a ministra Cármen Lúcia como relatora. Mas não houve acordo nesse sentido até agora.
"Os senhores Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca terem julgado um caso com conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária", citou a revista.
A The Economist ouviu o jornalista brasileiro Pedro Doria sobre o cenário político no Brasil. Ele levou ao conhecimento da reportagem pesquisas que apontam o compromisso com o impeachment dos ministros como um fator de decisão para o eleitor.
A revista cita ainda que o assunto é particularmente importante para a direita brasileira, que busca ampliar a sua base no Senado Federal na eleição de outubro, para assim poder mover processos de impeachment contra os ministros do STF, citou a CNN.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Plenário do STF







































