Pavilhão Brasil faz abertura da Semana da Mulher na Expo 2025 Osaka

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Osaka - Mulheres que inspiram, mulheres que lideram, mulheres que transformam oportunidades em ações em prol de outras pessoas. A Semana da Mulher organizada pela Pavilhão Brasil, na Expo 2025 Osaka, foi aberta com o objetivo de valorizar o papel feminino.

A abertura aconteceu no Expo Hall “Shining Hat”, no dia 24 de agosto. O Pavilhão Brasil, organizado pela ApexBrasil, promoveu uma tarde de cultura e moda brasileiras para celebrar essa visibilidade das mulheres. A Semana da Mulher prossegue até este final de semana.

A programação, desenvolvida em conjunto com o Ministério da Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), o Ministério das Mulheres, a Rede Mulher Empreendedora, a ONU Mulheres do Brasil e a Delegação Brasileira do Women 20, reunirá lideranças femininas, especialistas e representantes de organizações internacionais para ampliar o diálogo sobre o papel da mulher nas agendas econômicas e sociais globais.

A Semana da Mulher na Expo 2025 Osaka será realizada por meio do programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI) criado pela Agência em 2023 com o objetivo de promover maior participação de empresas lideradas por mulheres no mercado internacional.

A abertura foi feita pela Diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza. Ela falou que o Programa Mulheres e Negócios Internacionais, da ApexBrasil, prestou mais de 4 mil atendimentos e vem ganhando reconhecimento internacional. “O programa já conquistou reconhecimento internacional, como o WTPO Awards, do International Trade Centre, e o Prêmio de Igualdade de Gênero no Comércio concedido pela OMC em 2025, mostrando ao mundo que o Brasil pode ser referência em iniciativas de igualdade de gênero no comércio”, enfatizou, complementando que uma pesquisa indicou que 14% das empresas exportadoras brasileiras tinham liderança feminina.

Em seguida, a Ministra-Conselheira da Embaixada do Brasil em Tóquio, Patricia Côrtes, salientou que “promover os direitos das mulheres é mais do que apenas uma questão de justiça; é uma prioridade estratégica inabalável. Quando as mulheres prosperam, as sociedades prosperam. Quando as mulheres lideram, as empresas crescem. E quando as mulheres têm participação igualitária no comércio e na inovação, a economia global se torna mais forte, mais diversa e mais dinâmica”.

Lisa Ono

O evento começou com show da cantora Lisa Ono, conhecida como a embaixadora de Bossa Nova no Oriente. Esta foi a segunda vez que ela se apresentou num evento do Pavilhão Brasil. Ela interpretou a famosa música “Garota de Ipanema”, composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que na voz de Lisa ganha uma sonoridade especial.

Lisa Ono consegue fazer sentir a alma da canção como na música “Caçador de Mim”. Ela também interpretou as seguintes músicas: “Madalena”, “Wave”, “O Barquinho”, “Batucada” e “Chega de Saudade”.

Fashion Show Experience

O Expo Hall “Shining Hat” foi palco de moda brasileira nessa data. Inspirado pelo fenômeno natural que anuncia novos ciclos no Brasil, o projeto “Chuva do Caju” coloca a força feminina no centro da criação e leva ao Japão uma representação plural do país através da moda. Tal como as primeiras chuvas que antecedem a floração da arvore cajueiro, o projeto anuncia um momento fértil e transformador para a moda brasileira, em diálogo com a temporada das cerejeiras (sakura) no Japão. Os curadores são Bruno Simões e Olivia Merquior.

A iniciativa teve a realização do TexBrasil, programa da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), em parceria com a ApexBrasil, com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Governo Federal.

Durante a apresentação, foi mostrado o trabalho da artista digital Je Kos inspirada no projeto “Chuva do Caju”, desenvolvida especialmente para o edifício Shining Hat. O trabalho também foi projetado no lado externo do Expo Hall “Shining Hat”.

JE Kos (Brasil) oferece uma perspectiva contemporânea sobre a interpretação da natureza em um contexto tecnológico. Posicionada na vanguarda da prática artística contemporânea, ela vê a inteligência artificial não apenas como uma ferramenta para a criação, mas como uma fonte de inspiração para uma linguagem em evolução.

Nascida em Brasília e criada na periferia do Rio de Janeiro após ser adotada ao nascer, ela contribui com uma perspectiva única sobre identidade e pertencimento em seu trabalho. Apesar da juventude, iniciou sua trajetória profissional na moda em 2016 e, em 2019, passou a explorar novas ferramentas tecnológicas para expandir sua linguagem criativa. Formada em Design de Moda, adquiriu experiência em figurino, criação de estampas, assistência de styling e pesquisa conceitual para marcas nacionais e internacionais.

A seguir as marcas brasileiras que participaram do Fashion Show Experience:

ALUF | Ana Luisa Fernandes – Pará

A ALUF traduz a moda como ferramenta de expressão e reflexão. Suas peças exploram texturas, volumes e matérias-primas singulares, unindo estética experimental e sustentabilidade. Inspirada pela arteterapia e por Nise da Silveira, a marca já foi capa da Vogue, L’Officiel e Marie Claire.

Penha Maia – Paraíba

Nascida no sertão paraibano, Penha Maia construiu trajetória sólida como artesã da alta-costura e criadora de narrativas visuais através da roupa. Após fundar a marca Pó de Arroz, lançou sua maison homônima, hoje reconhecida como referência incontornável na moda conceitual nacional. Vestiu artistas como Ney Matogrosso, Pabllo Vittar, Ivete Sangalo e Anitta, além de ocupar capas da Vogue e Harper’s Bazaar.

Argalji | Monique Argalji – Rio de Janeiro

Fundada em 2019, a Argalji nasce da paixão de Monique Argalji pela modelagem, cultivada desde a infância em contato com a alfaiataria de seu avô. Com passagens pela Parsons (Nova York) e Central Saint Martins (Londres), construiu uma identidade baseada na valorização do processo de construção da roupa. A marca traduz técnica em arte e hoje desponta como representante do design contemporâneo brasileiro.

Artemisi | Mayari Jubini – Espírito Santo

Fundada em 2019, a Artemisi combina sofisticação artesanal e inovação tecnológica. Com peças que exploram impressão 3D, resina, metal, pintura manual e cristais bordados, a marca já foi premiada no São Paulo Fashion Week e reconhecida pela Forbes Under 30. Mayari veste artistas nacionais e internacionais, de Katy Perry a Anitta, consolidando-se como uma das vozes mais impactantes do high fashion brasileiro.

Mayara Junges – Paraná

A marca nasceu durante a pandemia com o sucesso do top Flor, transformado em ícone de sua estética atemporal e dramática. Operando sob o modelo slow fashion, produz coleções compactas e feitas sob demanda, sempre em paleta restrita (branco, vermelho e preto). Reconhecida por ELLE e Vogue Brasil, Mayara representa uma nova geração de criadores independentes que valorizam a exclusividade e o processo artesanal.

JE Kos – Distrito Federal

Artista digital cuja pesquisa se situa entre arte, moda e tecnologia, JE Kos cria experiências visuais imersivas por meio de projeções e mappings de grande escala. Sua obra, marcada pela experimentação estética e pela inovação tecnológica, representa a força de uma geração emergente de artistas digitais brasileiros. No Chuva do Caju, assina a projeção no espaço icônico Expo Hall “Shining Hat”, transformando arquitetura em narrativa poética.

Alawodudu

O grupo japonês de samba reggae também se apresentou nessa data. Com membros de Tóquio e Osaka, os japoneses alegraram o público com ritmo bem brasileiro.

Teresa Cristina

A convidada do Brasil, a cantora Teresa Cristina, fechou a noite no Expo Hall “Shining Hat”. Foi na adolescência que Teresa Cristina se apaixonou pelo pagode, trilha sonora de festas e encontros familiares no subúrbio carioca. Ao longo dos anos, Teresa se tornou uma das maiores intérpretes de samba do país, mas nunca deixou de frequentar eventos de pagode — espaços onde se sente em casa e que serviram de inspiração para este repertório especial.

Assim nasceu “Pagode, Preta”, um show repleto de sucessos atemporais que Teresa criou para homenagear a importância do pagode, seus músicos, cantores e compositores.

O repertório do show apresenta clássicos do pagode dos anos 80 e 90 que tocaram a vida (e o coração) dos brasileiros, assim como a própria Teresa.

Para acompanhá-la em um show tão icônico, Teresa Cristina convidou uma banda composta inteiramente por mulheres negras. “O samba nasceu de uma mulher e a mulher ocupa a roda de samba na sua essência e essa energia precisa continuar”, disse ela, que tem mais de 25 anos de carreira e veio três vezes no Japão.

Além de instrumentos tradicionais do samba, como o surdo, o tantan, o pandeiro e o cavaquinho, Teresa trouxe um baixista, um baterista e um flautista para criar um som de pagode autêntico e dinâmico, para uma apresentação animada e dançante.

Um dos momentos emocionantes do show foi quando Teresa desceu do palco e o público se levantou dos assentos para dançar samba juntos. Japoneses, brasileiros e outras nacionalidades conectados pela música numa linguagem universal que une as pessoas.

Teresa cantou as seguintes músicas: “Seja Sambista Também”, “Samba no Quintal”, “Além da Razão”, Sem Ataque”, “Sem Defesa”, “Trilha do Amor”, “Minta Meu Sonho”, “Sufoco”, “Agora Viu que Me Perdeu” e “Chora”, “Pura Semente/Falsa Consideração”, “Samba Pras Moças”, “Valeu Demais”, “Caçamba”, “Cheia de Manias”, “Eu e Ela”, “Temporal”, “Lucidez”, “Domingo”, “Do Fundo Nosso Quintal”.

Fotos: Bruno Suzuki&Andri Magdych/ApexBrasil

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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