Empresa de Tóquio resgata disciplina da era Showa para motivar a geração Z

Tóquio – A Global Partners é uma empresa de apoio e desenvolvimento de negócios que está aplicando uma técnica de trabalho diferente entre seus funcionários da geração Z. Todas as manhãs, eles se reúnem em círculo, ombro a ombro, para gritar expressões como “É isso aí!”. O objetivo é resgatar o tipo de virilidade corporativa que impulsionou o milagre econômico do Japão no pós-guerra e que se perdeu ao longo do tempo.
Quando formam esse círculo logo pela manhã, eles não apenas gritam outras afirmações, como “aumentar as vendas!”, mas também se movimentam ritmicamente. Uma pessoa é escolhida aleatoriamente para incentivar os colegas, numa espécie de teste de coragem e iniciativa, publicou a France-Presse.
Essa prática diária ocorre porque os próprios funcionários estão insatisfeitos com a cultura moderna de trabalho, considerada por eles muito “branda” e prejudicial ao desenvolvimento profissional. A iniciativa ganhou repercussão na internet e se tornou uma sensação, atraindo mais jovens que desejam desenvolver a mesma disposição para o trabalho demonstrada pelas gerações de seus pais e avós.
A Global Partners distribui bilhetes motivacionais aos funcionários, elogiando suas condutas ou incentivando-os a alcançar metas. Quando é necessário dar uma bronca, não há espaço para “mimimi”. A franqueza é utilizada sem reservas, para que cada um reaja e se desenvolva da melhor forma possível.
Alguns dos funcionários ouvidos pela France-Presse disseram preferir esse tipo de ambiente a trabalhar em um local onde ninguém se preocupa em corrigi-los, deixando-os seguir na direção errada.
A tendência de evitar repreensões no ambiente de trabalho foi demonstrada em uma pesquisa de 2023, realizada pelo instituto Recruit Works, segundo a qual 64% dos gerentes de nível intermediário no Japão repreendem seus subordinados, no máximo, “algumas vezes” por ano.
Para Shoto Furuya, pesquisador-chefe do instituto, o Japão vive atualmente uma realidade muito diferente. No passado, predominavam a disciplina rígida e a homogeneidade entre os funcionários homens contratados em período integral. O envelhecimento da população fez o país buscar profissionais com perfis variados, incluindo pessoas que não consideram o trabalho o principal foco de suas vidas.
Segundo Furuya, o que a Global Partners está fazendo pode ser visto como uma retomada daquilo que o Japão teve no passado e de como as empresas do pós-guerra funcionavam como comunidades extremamente unidas.
Longe de valores progressistas ocidentais
Na empresa, os funcionários se cumprimentam utilizando a expressão “zoss”, uma abreviação masculina e enfática de otsukaresama desu, que significa “obrigado pelo seu trabalho”. A empresa publica vídeos das reuniões motivacionais e até das repreensões dadas aos funcionários. Nem todos os internautas gostam ou concordam com a prática, e alguns classificam a empresa como “semelhante a uma seita” ou “sádica”.
A maioria dos funcionários está na faixa dos 20 anos. Eles trabalham usando shorts e sandálias e podem manter os cabelos tingidos.
O presidente da empresa, Koji Yamamoto, de 54 anos, lamenta o fato de o Japão ter adotado valores progressistas ocidentais, o politicamente correto e a cultura do cancelamento, que, segundo ele, destruíram a resistência mental que sustentou o sucesso econômico japonês no pós-guerra.
Ele afirma que os trabalhadores atualmente têm medo até de dizer “faça o seu melhor” aos colegas ou de apertar as mãos, por receio de serem acusados de assédio.
“Quando você não diz nada porque não quer causar problemas, acaba praticando a chamada demissão silenciosa”, afirma.
O presidente da Global Partners defende a retomada de parte da cultura corporativa do período pós-guerra, mas reconhece que alguns aspectos, como o excesso de trabalho debilitante e a falta de atenção à saúde mental, devem permanecer no passado.
Foto: Reprodução/France Presse
Os funcionários da Global Partners iniciando mais um dia de trabalho






































