Japão terá novas regras para ar-condicionado em 2027 e preços devem subir

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Tóquio – A partir de abril de 2027 passam a vigorar novas diretrizes de eficiência energética para aparelhos de ar-condicionado no Japão. As regras preveem a substituição gradual de modelos antigos por equipamentos mais modernos, eficientes e com menor consumo de energia. A mudança vem sendo chamada de “Problema de 2027”, pois deve alterar significativamente o mercado, os tipos de aparelhos disponíveis e até os padrões de manutenção.

O fundador da Climatec, Glauco Ito, comentou sobre as novas regras ao Portal Japão e demonstrou preocupação. Segundo ele, “muitos clientes ainda usam aparelhos de ‘meia idade’ e, quando precisarem de manutenção, não haverá peças de reposição. Mas aviso que nós da Climatec estamos preparados para as mudanças. Temos estoque de aparelhos novos de modelos anteriores”.

Os condicionadores de ar representam uma parcela significativa do consumo diário de eletricidade nas residências japonesas, correspondendo a cerca de 34,2% no verão e 32,7% no inverno. Com o objetivo de promover uma sociedade descarbonizada e garantir o desempenho de economia de energia em residências e edifícios com emissão zero (ZEH/ZEB), o governo revisou as diretrizes do programa Top Runner aplicadas a esses equipamentos, tornando-as mais rigorosas.

As novas exigências de economia de energia entrarão em vigor no ano fiscal de 2027 para os modelos de parede (split tradicionais) e no ano fiscal de 2029 para modelos de outros formatos e sistemas multi-split.

O que vai mudar

Em abril de 2027, duas regulamentações ambientais e de eficiência energética mais rigorosas entram em vigor no Japão:

Lei de Conservação de Energia (省エネルギー法 Shō Enerugī Hō), dentro do Sistema Top Runner (トップランナー制度 Toppu Rannā Seido): o governo exigirá uma melhoria significativa na eficiência energética dos aparelhos, podendo chegar a cerca de 35%. Equipamentos que não atingirem a nova meta de Fator de Desempenho Anual (APF) não poderão ser fabricados nem comercializados.

Regulamentação de Gases Refrigerantes com base na Emenda de Kigali (キガリ改正 Kigali Kaisei): haverá pressão legal para reduzir o Potencial de Aquecimento Global (GWP). O mercado será gradualmente direcionado à substituição de gases antigos por refrigerantes de nova geração.

Impactos para os consumidores

Essa dupla regulamentação trará impactos diretos para o consumidor final e para o varejo:

Fim dos modelos populares e aumento de preços: modelos de baixo e médio custo que não atenderem às novas exigências tendem a desaparecer. Com a predominância de aparelhos mais eficientes, há expectativa de aumento nos preços, possivelmente acima de 30%.

Risco de aparelhos irreparáveis: com a transição para novos gases refrigerantes, estoques de gases antigos, como o R410A, tendem a diminuir e encarecer. Isso pode tornar inviável o conserto de aparelhos mais antigos.

Escassez prevista para 2026: especialistas apontam uma corrida por compras entre o final de 2026 e o início de 2027, o que pode gerar falta de produtos e atraso nas instalações.

Impacto nas empresas

As mudanças também afetam empresas e proprietários de imóveis:

Custos com segurança: novos gases refrigerantes, como o R32, classificados dentro do grupo A2L, possuem leve inflamabilidade. Em sistemas comerciais, podem ser exigidas medidas adicionais de segurança, como sensores de vazamento e ventilação adequada, elevando custos.

Risco de desvalorização para locadores: manter equipamentos antigos pode gerar insatisfação dos inquilinos devido ao alto consumo de energia, aumentando a vacância e reduzindo a competitividade do imóvel.

Planejamento e recomendações

Apesar das mudanças, não há necessidade de decisões precipitadas. O planejamento é o ponto central:

Não é preciso descartar o aparelho atual: as regras se aplicam principalmente à fabricação e comercialização. Equipamentos já instalados podem continuar em uso.

Recomendações para futuras compras: embora não haja necessidade de correr para substituir os aparelhos atuais antes da transição em 2027, o governo adverte que as futuras decisões de compra não devem se basear unicamente no preço da etiqueta do produto. É recomendável escolher a capacidade correta para o tamanho do ambiente e comparar de forma abrangente o efeito de redução nos custos de luz elétrica a longo prazo gerado pela alta eficiência energética, priorizando opções mais gentis com o orçamento doméstico e com a descarbonização do planeta.

Antecipe a compra: quem pretende adquirir um novo aparelho deve considerar fazê-lo até a primeira metade de 2026, evitando aumentos de preço e escassez.

Atenção ao selo de eficiência energética (省エネ性能表示 Seishōene Seinō Hyōji): esse indicador mostra se o aparelho atende aos padrões mais recentes.

Avalie o Custo Total de Propriedade (TCO ou Total Cost of Ownership): modelos mais caros podem compensar com economia de energia ao longo do tempo.

Busque subsídios: programas governamentais, como o Tokyo Zero Emission Point, oferecem incentivos para a troca por equipamentos mais eficientes.

Manutenção ou troca: aparelhos com menos de 10 anos podem ter a vida útil prolongada com manutenção adequada. Já equipamentos com mais de 13 anos apresentam maior risco de falha e podem justificar a substituição.

Outros pontos a considerar

Fim da restrição por dimensões: a classificação anterior, que dividia as metas com base nas dimensões físicas da unidade interna (com e sem restrição de tamanho), foi abolida. Isso evitará a limitação nas opções dos consumidores e dará mais liberdade tecnológica aos fabricantes.

Categoria para regiões frias: foi introduzida uma nova categoria específica para especificações de regiões frias, visando incentivar a difusão e avaliar rigorosamente a eficiência do aquecimento em áreas com invernos rigorosos.

Viabilidade econômica (Retorno de Investimento): as novas metas de Fator de Desempenho Anual (APF) foram calculadas levando em consideração o benefício financeiro para o consumidor. O governo embasou as metas no tempo em que o custo inicial do aparelho é compensado pela economia na conta de luz, estipulando os cálculos sobre uma média de vida útil do equipamento de 13,6 anos.

A tendência indica o fim dos aparelhos baratos com desempenho limitado. O foco passa a ser eficiência energética, segurança e custo ao longo do tempo. Planejar com antecedência é a melhor forma de evitar gastos maiores e garantir conforto nos próximos anos.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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