Desigualdade de gênero no Japão: país fica em último entre nações avançadas

Tóquio – O Japão ocupa a 118ª posição entre 148 economias no Índice Global de Desigualdade de Gênero. O país está longe de estabelecer a igualdade entre homens e mulheres neste ranking. Tanto é que Hiroko Akizuki, integrante do Comitê da ONU para Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, solicitou que o Japão crie órgãos no Parlamento e no governo para reduzir as diferenças.
O índice é elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça. Na edição de 2025, o Japão ficou em último lugar entre as economias avançadas, com esse desequilíbrio mais evidente no campo da política, conforme publicou a Jiji Press.
Akizuki, professora da Universidade Ásia, no Japão, disse que “o setor político é o que impede a igualdade de gênero no Japão”.
O Japão é signatário da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, adotada pelas Nações Unidas em 1979 e já ratificada por 189 partes. Como signatário, o Japão é obrigado a promover a igualdade substantiva entre mulheres e homens na vida cotidiana e no trabalho, por meio da revisão e da alteração de leis e políticas internas que entrem em conflito com o tratado.
Uma pesquisa da Kyodo News mostrou que a redução da diferença salarial entre homens e mulheres que trabalham em tempo integral desacelerou em 2024, com uma permanente estagnação na proporção de mulheres ocupando cargos de gestão.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, em um índice em que os homens são definidos como 100, o salário médio mensal das mulheres ficou em 75,8. Isso significa que a diferença melhorou apenas 1,5 ponto em relação a cinco anos antes. A diferença maior foi encontrada na região de Tokai e no norte de Kanto, nos arredores de Tóquio.
O salário pago aos homens em 2024 foi a média de 363.100 ienes, enquanto as mulheres receberam 275.300 ienes, uma diferença de quase 90.000 ienes. A diferença caiu 3,0 pontos nos cinco anos até 2004, 2,4 pontos entre 2004 e 2009 e 2,6 pontos de 2009 a 2014. Na última década quase não avançou, com redução de apenas 1,7 ponto no período de 2014 a 2019 e de 1,5 ponto nos cinco anos até 2024.
Segundo o Gabinete do governo, em 2024 as mulheres ocuparam apenas 15,9% dos cargos de chefe de seção e 9,8% dos de gestão e diretoria em 2024.
Por província, Mie registrou a maior diferença salarial paga para homens e mulheres, sendo seguida por Ibaraki, Aichi, Tochigi e Shizuoka. São províncias marcadas pela alta renda com forte presença da indústria manufatureira e baixa proporção de mulheres em cargos de gestão.
A menor diferença salarial foi registrada em Okinawa, seguida pelas províncias de Kochi, Tottori, Shimane e Tokushima, com disparidades mais estreitas em regiões de menor renda.
Foto: Canva







































