Desigualdade de gênero no Japão: país fica em último entre nações avançadas

2026/03/09 08:00
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Tóquio – O Japão ocupa a 118ª posição entre 148 economias no Índice Global de Desigualdade de Gênero. O país está longe de estabelecer a igualdade entre homens e mulheres neste ranking. Tanto é que Hiroko Akizuki, integrante do Comitê da ONU para Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, solicitou que o Japão crie órgãos no Parlamento e no governo para reduzir as diferenças.

O índice é elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça. Na edição de 2025, o Japão ficou em último lugar entre as economias avançadas, com esse desequilíbrio mais evidente no campo da política, conforme publicou a Jiji Press.

Akizuki, professora da Universidade Ásia, no Japão, disse que “o setor político é o que impede a igualdade de gênero no Japão”.

O Japão é signatário da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, adotada pelas Nações Unidas em 1979 e já ratificada por 189 partes. Como signatário, o Japão é obrigado a promover a igualdade substantiva entre mulheres e homens na vida cotidiana e no trabalho, por meio da revisão e da alteração de leis e políticas internas que entrem em conflito com o tratado.

Uma pesquisa da Kyodo News mostrou que a redução da diferença salarial entre homens e mulheres que trabalham em tempo integral desacelerou em 2024, com uma permanente estagnação na proporção de mulheres ocupando cargos de gestão.

Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, em um índice em que os homens são definidos como 100, o salário médio mensal das mulheres ficou em 75,8. Isso significa que a diferença melhorou apenas 1,5 ponto em relação a cinco anos antes. A diferença maior foi encontrada na região de Tokai e no norte de Kanto, nos arredores de Tóquio.

O salário pago aos homens em 2024 foi a média de 363.100 ienes, enquanto as mulheres receberam 275.300 ienes, uma diferença de quase 90.000 ienes. A diferença caiu 3,0 pontos nos cinco anos até 2004, 2,4 pontos entre 2004 e 2009 e 2,6 pontos de 2009 a 2014. Na última década quase não avançou, com redução de apenas 1,7 ponto no período de 2014 a 2019 e de 1,5 ponto nos cinco anos até 2024.

Segundo o Gabinete do governo, em 2024 as mulheres ocuparam apenas 15,9% dos cargos de chefe de seção e 9,8% dos de gestão e diretoria em 2024.

Por província, Mie registrou a maior diferença salarial paga para homens e mulheres, sendo seguida por Ibaraki, Aichi, Tochigi e Shizuoka. São províncias marcadas pela alta renda com forte presença da indústria manufatureira e baixa proporção de mulheres em cargos de gestão.

A menor diferença salarial foi registrada em Okinawa, seguida pelas províncias de Kochi, Tottori, Shimane e Tokushima, com disparidades mais estreitas em regiões de menor renda.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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