Clayton Yugue aposta na transformação digital e consolida a Aliena Corporation no Japão

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Shizuoka – Clayton Yugue é um profissional da área de Tecnologia da Informação com atuação focada na resolução de desafios tecnológicos enfrentados por empresas no Japão. Fundador e diretor da Aliena Corporation, criada em 2019, ele lidera projetos voltados à transformação digital, consultoria em TI, desenvolvimento de sistemas e estratégias digitais. Em entrevista ao Portal Japão, Clayton compartilha sua trajetória profissional, a consolidação da Aliena no mercado japonês e sua visão sobre inovação, inteligência artificial e formação de novos talentos.

A história de Clayton começa quando veio morar com os pais no Japão há 29 anos, quando tinha apenas 14 anos. Devido a uma série de circunstâncias, acabou indo trabalhar na empresa onde seu pai estava empregado. Ele conta que, ao chegar, deveria ter ingressado no terceiro ano do ginásio, mas um professor o aconselhou a não seguir esse caminho e a começar a trabalhar. “Eu fazia arubaito, o que era permitido na época devido a leis menos rigorosas para jovens de 14 anos”, conta.

A empresa faliu após algum tempo, e o jovem brasileiro decidiu aprender japonês em Toyohashi (Aichi) para melhorar sua inserção no mercado de trabalho. “Mas na época também surgiu a oportunidade de estudar computação. Era o ano de 1996 e já tínhamos internet em casa. Então, como eu conseguia falar japonês, passei a conseguir vários trabalhos”, recorda.

Trabalhar com computação

Não demorou para que Clayton conquistasse uma boa oportunidade profissional na Hitachi, que havia criado um setor voltado à reparação de computadores. Ele lembra que essa nova seção atraiu outros brasileiros que também gostavam de tecnologia. “Então veio a crise financeira mundial em 2009 e, graças ao fato de saber falar japonês, consegui me manter empregado como operador de máquinas, e por sugerir melhorias no fluxo de trabalho”, relata.

Depois surgiu a oportunidade de fazer um curso de Computer-Aided Design (CAD) por meio da agência de empregos Hello Work. Ele conta que não teve dificuldades em acompanhar o conteúdo, graças aos conhecimentos prévios em tecnologia. “O curso incluía aprimoramento em japonês e treinamento técnico. Eu e outros colegas conseguimos o certificado, mas depois decidi ir além para obter a certificação profissional. No fim, a empresa que ministrava o curso me contratou para dar aulas”, lembra.

Em seguida, Clayton se mudou para Kanagawa, onde passou a atuar como profissional liberal na área de tecnologia, desenvolvendo projetos 3D para empresas. “Também trabalhei com desenvolvimento de produtos, como uma máscara que seria utilizada por um hospital, intermediando inclusive a importação de material da China. Além disso, atuei com desenvolvimento digital de empresas”, conta.

Aliena Corporation

Foi nesse período que Clayton formalizou a Aliena Corporation, empresa que oferece serviços como desenvolvimento web, marketing digital, consultoria em Tecnologia da Informação, desenvolvimento de sistemas e transformação digital. O diferencial da Aliena está nos valores incorporados por Clayton a partir de sua experiência em empresas japonesas. “Um dos valores é a seriedade, a responsabilidade e o compromisso com um bom trabalho e com a satisfação do cliente. Outro é a criatividade. Os japoneses têm um modo de pensar diferente do nosso, então procurei trazer também a visão ocidental. Na Aliena, busco unir a visão de dois mundos para que o resultado seja o mais completo possível”, explica.

Inicialmente, o plano na Aliena era focar no trabalho com programadores brasileiros, mas a pandemia de Covid-19, no início de 2020, obrigou Clayton a rever essa estratégia. “A pandemia deu uma rasteira nos meus planos, então mudei o foco para o desenvolvimento e a transformação digital de empresas. Naquele período, o Japão passou por uma forte digitalização, e a Aliena conquistou parceiros japoneses e se consolidou como uma empresa sólida nesse segmento”, relata.

Diferencial

Quando um cliente contrata a Aliena, é Clayton quem conduz o diálogo, tanto online quanto presencialmente. Segundo ele, o objetivo não é apenas executar o que o cliente pede, mas identificar o que realmente é necessário.

“Nosso diferencial é entender profundamente o problema que o cliente enfrenta, algo que muitas empresas não conseguem. Eu me envolvo a ponto de me sentir como dono do negócio, criando uma conexão forte com as pessoas da empresa. Um cliente certa vez pediu a criação de um aplicativo, mas, após análise, ofereci outra solução mais eficiente. Esse é o propósito da Aliena, trazer facilidade por meio de soluções digitais”, explica.

Uma visão sobre Inteligência Artificial

A inteligência artificial generativa é apontada como um dos maiores avanços tecnológicos dos últimos anos, mas Clayton defende cautela no uso da ferramenta. “Não delegue tudo para a IA. Ela é fantástica e pode ajudar de diversas maneiras, mas não deve assumir tudo sozinha. Tenho uma situação que reforça esse cuidado”, diz.

Ele relata que um cliente precisava ajustar o servidor da empresa e recebeu a recomendação de instalar um determinado pente de memória. Ao consultar uma IA, o cliente recebeu a indicação de um modelo diferente. Quando informou que a recomendação havia sido feita por um técnico, a IA respondeu: “Seu técnico está equivocado”.

Alguns estudos já indicam que a IA pode apresentar “delírios”, oferecendo respostas incorretas. “Além disso, um dos problemas atuais da IA é o alto consumo energético, que impacta diretamente nos custos e no lucro das empresas que dependem dessa tecnologia”, afirma.

Clayton observa que, desde o surgimento do ChatGPT e de outras ferramentas semelhantes, houve uma mudança de paradigma. “A IA se desenvolveu muito rapidamente e hoje oferece inúmeros recursos. Uma das áreas em que mais utilizo a IA é na tradução de materiais, algo que ela faz com precisão. Acredito que a IA pode reduzir a demanda por alguns profissionais, mas também criará oportunidades para quem souber interagir com ela conforme as necessidades do mercado”, avalia.

Jovens na tecnologia

À frente da Aliena Corporation, Clayton demonstra preocupação com a formação dos jovens que desejam ingressar no setor de tecnologia. Para ele, não basta dominar ferramentas, programação ou inteligência artificial. “É preciso ter senso crítico e saber pensar. Na tecnologia, tudo é lógico, não existe mágica. É fundamental entender processos, ler e interpretar”, afirma.

Ele acredita que o jovem deve se aprofundar nos estudos e evitar o imediatismo, que pode prejudicar a compreensão. Também ressalta a importância de não ter preguiça de ler e refletir. Clayton cita o exemplo de vídeos curtos na internet, muitas vezes vistos como algo simples. “Um vídeo desses exige diversas competências, como saber gravar, editar, entender de iluminação e até criar um roteiro. Os bons criadores de conteúdo são aqueles que se aprofundam nessas habilidades, que exigem estudo e esforço”, diz.

Futuro da Aliena

Clayton acredita que a inteligência artificial generativa seguirá como uma das principais tendências tecnológicas em 2026, impulsionada pelos altos investimentos e pelo potencial da ferramenta. “A IA ainda tem muito a evoluir”, afirma.

A Aliena Corporation acompanha esse movimento, incorporando recursos de IA em seus processos e serviços, ao mesmo tempo em que promove maior conscientização do público empresarial sobre o tema. “A Aliena continuará se consolidando em um mercado que ainda tem muito a crescer”, finaliza. Para quem pretende empreender no setor de tecnologia, Clayton deixa um conselho claro: definir bem o público-alvo e buscar o domínio do idioma japonês. “Se trabalhar apenas em português, é possível atender a comunidade brasileira no Japão e empresas no Brasil ou em outros países. Mas, ao falar japonês, o mercado local se torna extremamente fértil e amplo.”

Foto: Cedida

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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