Brasileiros se destacam nos bastidores dos Jogos Asiáticos em Aichi

Aichi – Os 20º Jogos Asiáticos Aichi-Nagoya 2026 seguem para a última semana de competições, encerrando no domingo (4) as disputas por recordes e medalhas. O evento reúne mais de 11 mil atletas de 45 países e regiões da Ásia. Mas o destaque aqui vai para uma equipe formada por brasileiros residentes no Japão, contratados para ajudar na realização dos Jogos, exercendo as mais diferentes funções. E um detalhe que ajudou vários deles a conquistar as vagas foi o domínio de diferentes idiomas.
Um grupo está trabalhando na cidade de Hekinan, na província de Aichi, na arena montada no Hekinan Ryokuchi Beach Court, onde são realizadas as disputas de vôlei de praia. Carlos Alberto Cordeiro, de 42 anos, de Nagoya, e Roberto Massao Matsukuma, de 56, de Anjo, trabalham no apoio à segurança e aos demais trabalhadores e voluntários distribuídos pelos diferentes postos do local.

Roberto Matsukuma (Foto: Cedida)
Roberto, que está no Japão há 35 anos, explicou que, durante seu expediente, monitora o funcionamento dos diferentes postos da arena do vôlei de praia, como entrada, saída e estacionamento, além de apoiar as equipes responsáveis pela checagem das credenciais dos integrantes do staff e pela inspeção de bagagens e veículos.
"Nosso trabalho é coordenar esse pessoal nos diversos pontos, nas entradas, saídas, onde for necessário", explicou ele, que se comunica em japonês e inglês.
O ritmo de trabalho, segundo o brasileiro, é bastante puxado. Ele reside em Anjo e segue para Hekinan para iniciar o trabalho por volta das 5h, deixando o local somente às 19h. Durante esse período, Matsukuma lida com diferentes equipes envolvidas na realização dos Jogos, cada uma com seus próprios horários.
"Já trabalhei em fábrica por muitos anos. Recentemente fui para o Brasil e voltei para o Japão com o espírito de tirar um ano sabático. Mas então surgiu esta oportunidade e não larguei. Está sendo uma experiência muito bacana participar de um evento de nível internacional. E posso dizer que não só em Hekinan, mas em outros postos, em outras cidades onde estão sendo realizados os Jogos Asiáticos, há equipes de brasileiros dando o seu melhor, inclusive aqueles designados para receber atletas no aeroporto", contou.

Carlos Alberto Cordeiro (Foto: Cedida)
A tarefa que todos cumprem exige muita responsabilidade, especialmente para lidar bem com os problemas que surgem. Carlos relatou uma situação envolvendo um homem que tentou entrar pelo local errado na arena, já que existem acessos específicos para integrantes do staff, visitantes e atletas. Alguns japoneses que trabalham nos Jogos pediram que esse homem procurasse a entrada destinada aos visitantes. Como ele não conseguiu passar por lá, voltou irritado.
"O pessoal não viu que ele tinha uma credencial, nem que ele era da delegação do Catar. Tivemos que conversar com ele, pois já estava querendo ir embora", contou Carlos.
Segundo as informações recebidas pela equipe, essa pessoa havia perdido o ônibus da delegação de seu país e chegado de táxi, o que levou os integrantes do staff a pensar que se tratava de um visitante. Daí surgiu toda a confusão. No final, porém, tudo foi resolvido.
Outra situação à qual Carlos precisa ficar atento envolve visitantes que abrem guarda-chuvas nas arquibancadas, o que é proibido porque prejudica a visão de outras pessoas que acompanham as competições.
Carlos está há 32 anos no Japão. Como chegou ao país aos 10 anos de idade, estudou em escola japonesa. Graças ao domínio do japonês, além do inglês e do espanhol, já conseguiu trabalhar em outros eventos internacionais. Um deles é o Rally Japan, no qual atuou nos dois últimos anos.
"Eu sou contratado diretamente pelos organizadores e fico encarregado de interpretar as conversações com os japoneses", explicou.
Ele também já foi intérprete do técnico brasileiro Ubirajara Veiga, que comandou o time de futebol FC Kariya durante três anos. Além disso, trabalhou como intérprete da organização do Ibaraki Sakai Urban Sports Fes 2025, evento internacional de esportes urbanos realizado em Sakai, na província de Ibaraki, que reuniu competições de roller freestyle, scootering, BMX freestyle e breaking, incluindo campeonatos mundiais organizados pela World Skate e provas do FISE.
Apoio nas instalações

Rodolph Rogger Hataya Takano trabalhando na instalação de cabos e equipamentos (Foto: Cedida)
Outro brasileiro que atua em Hekinan, na mesma área de Roberto e Carlos, é Rodolph Rogger Hataya Takano, de 41 anos, de Takahama, na província de Aichi. Ele contou que foi contratado para trabalhar nos Jogos Asiáticos em 29 de julho e, posteriormente, destacado para auxiliar na preparação da estrutura destinada às competições de vôlei de praia.
Rogger relatou que auxiliou outros profissionais estrangeiros nas instalações elétricas e na montagem dos equipamentos necessários para as disputas na arena.
"Agora estou apenas supervisionando o andamento das coisas. Caso ocorra algum problema, sou acionado", explicou.
Ele compartilha os mesmos espaços de trabalho com brasileiros, peruanos e filipinos e conta que seu chefe é de Uganda.
Rogger disse que deixou o trabalho em fábrica há dois anos para estudar marketing digital. Com tempo disponível, decidiu aproveitar a oportunidade para obter uma renda extra e, ao mesmo tempo, participar de um evento da dimensão dos Jogos Asiáticos.
"É a primeira vez que participo de um evento internacional. Fico aqui até o dia 4 de outubro, quando todos desmontaremos a estrutura dos jogos de vôlei de praia. O tratamento entre os chefes e os demais trabalhadores é bem diferente do que encontrei nas fábricas do Japão. E eu gostei tanto da experiência que me prontifiquei com a equipe contratada a trabalhar onde for", disse.
Recepção do staff
O trabalho de Alessandra Honda Lopes da Silva, de 19 anos, residente em Hekinan, é realizado próximo ao local onde Rogger atua. A função dela é verificar as credenciais das pessoas autorizadas a acessar áreas restritas, entre elas trabalhadores que, assim como ela, atuam nos diferentes postos dos Jogos Asiáticos. Alessandra também verifica o conteúdo de bolsas e sacolas.
"Como falo bem o japonês e o inglês, acabo ajudando também na tradução. Tenho experiência no atendimento ao público, pois já trabalhei no setor de venda de imóveis e faço um trabalho de meio período em loja de conveniência", explicou.
O trabalho de Alessandra exige atenção, mas também proporciona situações engraçadas.
"Tem pessoas de outros países da Ásia que chegam e não falam nem japonês nem inglês. Então tenho que fazer mímica para explicar as coisas. Outra situação é que as pessoas entram por um local, mas, quando querem sair, precisam ir para outro lugar. Só que muitas acham que podem sair pelo local onde entraram. Então tenho que ficar explicando isso também", contou Alessandra.
Ela trabalhará nos Jogos Asiáticos até o dia 1º de outubro, mas disse que já recebeu convite para continuar atuando nos Jogos Para-Asiáticos Aichi-Nagoya 2026, que serão realizados entre 18 e 24 de outubro. A previsão oficial é de que o evento reúna entre 2.400 e 2.700 atletas, com delegações que, somando atletas e oficiais das equipes, deverão reunir entre 3.600 e 4.000 participantes.
Foto: Portal Japão







































