Aumento de ataques de ursos em várias províncias deixa o Japão em alerta

2025/11/28 07:22
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Tóquio – O Japão registra aumento nos ataques de ursos em diversas regiões, o que levou o governo a flexibilizar regras e permitir o abate desses animais quando aparecerem em áreas povoadas. A situação acendeu um alerta nacional e reforçou a necessidade de a população saber como agir em áreas rurais.

Alguns veículos noticiaram que o impacto desses ataques já afeta o turismo, inclusive em Shiretoko (Hokkaido), que é Patrimônio Natural da Humanidade e onde há grande chance de avistar ursos.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a expansão de áreas povoadas e a dificuldade dos ursos em encontrar alimento os empurra para zonas urbanas. Eles dependem das bolotas do carvalho, ricas em nutrientes, para ganhar peso antes da hibernação. O governo estima a existência de 12 mil ursos-pardos e mais de 42 mil ursos negros asiáticos no país.

O número de mortes chegou a 12, o mais alto já registrado, e o total de feridos continua crescendo. Em 2023 houve 198 ataques, que resultaram em 219 vítimas, entre elas seis mortes. Desde 2016 os casos superam 100 por ano, exceto em 2018, quando caíram para 51. Entre abril e o final de outubro de 2023 foram registrados 19.192 avistamentos de ursos negros asiáticos, sendo 6 mil apenas em outubro. Cerca de 80% dos ataques ocorreram entre abril e junho, em florestas e áreas agrícolas, mas 40% dos casos de setembro ocorreram perto de residências.

Nos anos fiscais de 2024 a 2025, com dados até outubro, mais de 220 pessoas foram atacadas, superando o total de 2023. Somente em outubro passado ocorreram 88 ataques, com sete mortes. A região de Tohoku concentra 60% dos avistamentos do país, com 11.163 registros, sendo 5.158 em Iwate e 3 mil em Akita. Os números também crescem em Miyagi e Yamagata. Em Hokkaido, os ataques envolvem ursos-pardos, principalmente em áreas montanhosas afastadas.

Como se proteger

A orientação inicial é consultar informações locais em sites de governos municipais, parques nacionais e centros de turismo. Esses órgãos divulgam mapas de avistamentos recentes e fecham trilhas quando o risco é elevado. É recomendado usar sinos presos à mochila ou bastões para produzir barulho. Há ainda sprays de pimenta específicos para ursos, além de apitos e dispositivos sonoros.

Especialistas alertam para evitar caminhadas sozinho ao amanhecer ou ao anoitecer, quando os ursos estão mais ativos. Prefira trilhas populares e caminhe em grupo. Falar em voz alta, bater palmas e manter o sino tocando ajuda a alertar o animal. Evite andar silenciosamente em áreas de mata fechada ou bambuzais.

Moradores de regiões rurais não devem deixar sacos de lixo ou comida do lado de fora. Em acampamentos, os alimentos precisam ser guardados em recipientes fechados e, se possível, suspensos.

Se avistar um urso distante, mantenha a calma e observe se ele percebeu sua presença. Caso não tenha notado, recuar lentamente costuma ser suficiente. Se tiver notado, fale em voz firme, sem movimentos bruscos, e recue devagar, sem virar totalmente de costas e sem correr.

Em encontros muito próximos

Guias japoneses afirmam que correr desperta o instinto de perseguição. Ursos negros, mesmo menores, correm muito mais rápido que humanos. Evite encarar diretamente o animal e não grite de forma aguda. Fale com firmeza e tente manter o controle. Use árvores grandes, pedras, cercas ou carros como obstáculos enquanto recua.

Quando a situação escapar do controle, um estudo japonês apontou que vítimas que se jogaram no chão de bruços, protegendo cabeça e pescoço com os braços, sofreram ferimentos, porém menos graves. O spray de urso deve ser utilizado apenas a poucos metros e diante de comportamento claramente agressivo, apontando levemente para baixo entre você e o animal.

O que evitar

Não corra ladeira abaixo ou tente nadar para fugir. Jamais ofereça comida nem jogue alimentos acreditando que isso vai acalmar o animal. Nunca se aproxime de filhotes, já que a mãe pode atacar para defendê-los.

Em caso de ferimentos, além de buscar atendimento médico, comunique a polícia local ou o escritório florestal informando local e horário do ataque. Isso ajuda no mapeamento de áreas de risco e na emissão de alertas.

Foto: Banco de Imagens

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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