Aumento das temperaturas coloca milhões de idosos em risco no mundo

Paris - Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que os impactos do aumento das temperaturas sobre a saúde dos idosos foram subestimados. A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (18), em meio a um verão escaldante no Hemisfério Norte, marcado por recordes de temperatura e por dezenas de milhares de mortes associadas ao calor extremo.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, que buscaram estimar com que frequência o aquecimento global causado pela ação humana poderá elevar as temperaturas a níveis que o organismo dos idosos não consegue tolerar, informou a France-Presse.
Pesquisas anteriores utilizaram a chamada temperatura de bulbo úmido, medida que considera o calor e a umidade para estimar quanto o corpo humano consegue suportar. No entanto, esses trabalhos se basearam principalmente em testes realizados com adultos jovens e saudáveis, segundo a revista científica The Lancet Planetary Health.
O novo estudo considerou a maior vulnerabilidade dos idosos. Com o avanço da idade, as pessoas tendem a transpirar menos, os vasos sanguíneos reagem mais lentamente e o coração precisa trabalhar mais para liberar o calor. Muitos idosos também convivem com problemas de saúde preexistentes.
Além disso, outras pesquisas associam o calor extremo ao agravamento de problemas cognitivos e a maiores riscos para pessoas com demência.
Para a análise, os pesquisadores utilizaram dados de experimentos realizados nos Estados Unidos que avaliaram como pessoas com 60 anos ou mais toleram níveis elevados de calor e umidade.
Com base nesses dados, os cientistas criaram modelos para estimar, até 2100, os efeitos do calor sobre três faixas etárias: adultos jovens de 15 a 39 anos, adultos de meia-idade de 40 a 59 anos e idosos com 60 anos ou mais.
Os autores concluíram que condições de calor e umidade acima da capacidade de regulação do corpo serão registradas em escala muito maior e por períodos mais prolongados, afetando mais pessoas do que se estimava.
O estudo mostrou que, se a temperatura média global subir 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, 22% das pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 290 milhões, ficarão expostas a níveis perigosos de calor durante pelo menos 180 horas por ano. Esse período equivale a aproximadamente um mês, considerando seis horas de exposição por dia.
Os pesquisadores explicaram que cada grau adicional de aquecimento poderá expor cerca de 1 bilhão de pessoas a mais a pelo menos 180 horas anuais de calor e umidade acima dos limites que o corpo consegue suportar. Isso equivale a aproximadamente mais um mês de exposição por ano, considerando seis horas diárias.
Se o aquecimento global chegar a 3°C acima dos níveis pré-industriais, os idosos das regiões mais afetadas, como o sul da Ásia e o Golfo Pérsico, poderão enfrentar calor perigoso dia e noite durante três meses consecutivos por ano, segundo o estudo.
O problema será ainda mais grave em países com altos níveis de pobreza e pouco acesso a sistemas de refrigeração, como a Índia, o Paquistão, Bangladesh, Mianmar e o Níger.
Os pesquisadores alertam que o calor extremo poderá provocar deslocamentos internos e migrações transfronteiriças, criando novos desafios políticos e humanitários.
Os autores defendem a redução das emissões de gases de efeito estufa e pedem que os planos de enfrentamento ao calor priorizem os idosos mais vulneráveis.
Os cientistas destacaram que a maior parte das mortes relacionadas ao calor ocorre em ambientes fechados, o que torna essencial ampliar o acesso ao ar-condicionado e a outros espaços climatizados.
Na Europa, o verão de 2026 caminha para ser o mais quente já registrado no continente. A France-Presse informou ainda que 2027 poderá ser mais quente.
Foto: Canva







































