Aumento das temperaturas coloca milhões de idosos em risco no mundo

2026/08/21 12:22
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Paris - Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que os impactos do aumento das temperaturas sobre a saúde dos idosos foram subestimados. A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (18), em meio a um verão escaldante no Hemisfério Norte, marcado por recordes de temperatura e por dezenas de milhares de mortes associadas ao calor extremo.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, que buscaram estimar com que frequência o aquecimento global causado pela ação humana poderá elevar as temperaturas a níveis que o organismo dos idosos não consegue tolerar, informou a France-Presse.

Pesquisas anteriores utilizaram a chamada temperatura de bulbo úmido, medida que considera o calor e a umidade para estimar quanto o corpo humano consegue suportar. No entanto, esses trabalhos se basearam principalmente em testes realizados com adultos jovens e saudáveis, segundo a revista científica The Lancet Planetary Health.

O novo estudo considerou a maior vulnerabilidade dos idosos. Com o avanço da idade, as pessoas tendem a transpirar menos, os vasos sanguíneos reagem mais lentamente e o coração precisa trabalhar mais para liberar o calor. Muitos idosos também convivem com problemas de saúde preexistentes.

Além disso, outras pesquisas associam o calor extremo ao agravamento de problemas cognitivos e a maiores riscos para pessoas com demência.

Para a análise, os pesquisadores utilizaram dados de experimentos realizados nos Estados Unidos que avaliaram como pessoas com 60 anos ou mais toleram níveis elevados de calor e umidade.

Com base nesses dados, os cientistas criaram modelos para estimar, até 2100, os efeitos do calor sobre três faixas etárias: adultos jovens de 15 a 39 anos, adultos de meia-idade de 40 a 59 anos e idosos com 60 anos ou mais.

Os autores concluíram que condições de calor e umidade acima da capacidade de regulação do corpo serão registradas em escala muito maior e por períodos mais prolongados, afetando mais pessoas do que se estimava.

O estudo mostrou que, se a temperatura média global subir 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, 22% das pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 290 milhões, ficarão expostas a níveis perigosos de calor durante pelo menos 180 horas por ano. Esse período equivale a aproximadamente um mês, considerando seis horas de exposição por dia.

Os pesquisadores explicaram que cada grau adicional de aquecimento poderá expor cerca de 1 bilhão de pessoas a mais a pelo menos 180 horas anuais de calor e umidade acima dos limites que o corpo consegue suportar. Isso equivale a aproximadamente mais um mês de exposição por ano, considerando seis horas diárias.

Se o aquecimento global chegar a 3°C acima dos níveis pré-industriais, os idosos das regiões mais afetadas, como o sul da Ásia e o Golfo Pérsico, poderão enfrentar calor perigoso dia e noite durante três meses consecutivos por ano, segundo o estudo.

O problema será ainda mais grave em países com altos níveis de pobreza e pouco acesso a sistemas de refrigeração, como a Índia, o Paquistão, Bangladesh, Mianmar e o Níger.

Os pesquisadores alertam que o calor extremo poderá provocar deslocamentos internos e migrações transfronteiriças, criando novos desafios políticos e humanitários.

Os autores defendem a redução das emissões de gases de efeito estufa e pedem que os planos de enfrentamento ao calor priorizem os idosos mais vulneráveis.

Os cientistas destacaram que a maior parte das mortes relacionadas ao calor ocorre em ambientes fechados, o que torna essencial ampliar o acesso ao ar-condicionado e a outros espaços climatizados.

Na Europa, o verão de 2026 caminha para ser o mais quente já registrado no continente. A France-Presse informou ainda que 2027 poderá ser mais quente.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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