Aprenda a investir com segurança: os primeiros passos com Gustavo Cerbasi – Parte I

Tóquio – Está pensando em investir seu dinheiro no mercado financeiro? Caso não saiba por onde iniciar, leia o conselho do mestre em finanças Gustavo Cerbasi: “Antes de pensar em investir, você tem de saber o motivo pelo qual quer investir, porque não estamos falando apenas de guardar dinheiro ou de fazer sobrar dinheiro. A ideia é investir o seu dinheiro para alcançar seus objetivos, seus planos e sonhos”, diz ele em entrevista exclusiva ao Portal Japão.
Com 26 anos de experiência em educação financeira, 16 livros publicados e mais de 3 milhões de exemplares vendidos, Cerbasi recomenda aos iniciantes no universo dos investimentos que construam uma estratégia antes de colocar a mão no bolso. Ele indica três passos nesse caminho:
“O primeiro passo é construir uma maior estabilidade no curto prazo, ou seja, formar uma reserva de emergência que será acessada quando ocorrer algum imprevisto — o que pode incluir até a aquisição de um bem a um custo acessível”, afirmou Cerbasi. Ele comentou que, em termos comparativos, essa reserva pode equivaler a dois ou três meses do consumo mensal da pessoa.
O segundo passo, segundo ele, é garantir uma renda futura por meio de um plano de previdência. E o terceiro passo é investir em mercados que a pessoa conheça.
“Não comece a investir em algo apenas porque se fala muito na mídia, antes de garantir sua reserva de emergência e seu plano de renda futura, de aposentadoria. Eu tenho um livro voltado para aqueles que estão começando a investir e não sabem como funciona uma corretora ou o que é ter uma carteira de investimentos. O livro é ‘Cartas a um jovem investidor’, no qual explico tudo isso”, afirma.
Seguidos os passos iniciais, o novo investidor deve tomar alguns cuidados para não se perder e cair em golpes. “A primeira dica que dou é desconfiar de tudo. Quando pesquisamos sobre investimentos na internet, aparece uma enxurrada de propagandas — algumas realmente coerentes e até oportunas, mas a maioria maliciosas, verdadeiros golpes. Então, desconfie de toda oferta que chegar até você para aplicar seu dinheiro”, recomenda.
Ao mesmo tempo em que deve fugir das armadilhas, o futuro investidor precisa buscar fontes confiáveis de informação, como canais de educação financeira — preferencialmente aqueles que sejam isentos, que não ofereçam produtos vinculados a bancos e que não tenham patrocinadores. Esses canais, segundo Cerbasi, oferecem orientações adequadas. Ele mesmo mantém seus próprios canais na internet, onde não responde diretamente às perguntas dos seguidores ou interessados, mas o faz por meio de postagens em suas redes sociais, como Instagram, Facebook e YouTube.
Começo com quanto?
Talvez uma das maiores dúvidas de quem nunca aplicou dinheiro em nenhum ativo seja: quanto devo investir para começar? “Não precisa ter muito dinheiro para começar a investir”, garante o especialista. “No Brasil, a maioria dos bancos exige o mínimo de 30 reais para o primeiro investimento. No Japão, o mercado financeiro é mais enxuto e oferece menos riscos. Mas há a possibilidade de realizar depósitos a prazo e investir em ações. Por regra, em nível internacional, o investimento mínimo costuma ser de 100 dólares (pouco mais de 14 mil ienes)”, afirma.
Mas há um detalhe: uma premissa básica no mercado financeiro é entender que o dinheiro ganho com investimentos não é destinado ao pagamento das contas do mês. “É o dinheiro para pagar as contas da vida. Essa reflexão parte do princípio de que não desejamos trabalhar a vida toda. Então, se queremos parar de trabalhar antes do fim da vida, parte do dinheiro deve ser direcionada para assegurar a renda futura”, explica Cerbasi, que também atua como professor, consultor e sócio de uma plataforma de bem-estar financeiro, a qual oferece ferramentas, trilhas de conhecimento e serviços prestados por planejadores profissionais.
O futuro investidor precisa definir seus objetivos — quanto quer ter de patrimônio no futuro para gerar renda — e considerar também os sonhos que deseja realizar, como viajar, reformar a casa ou trocar de automóvel. “Essas ações, quando planejadas com antecedência, permitem uma organização segura. Fazendo assim, a pessoa terá resultados melhores do que se precisar financiar algo no futuro sem planejamento”, orienta.
Mas quanto separar do salário para investir? Cerbasi não determina um valor fixo. “O percentual recomendado depende mais da ambição da pessoa. Se ela deseja viajar muito, ir a todos os shows, então terá de adotar um estilo de vida mais simples hoje, para investir mais. Já quem está satisfeito com a vida atual e não tem grandes ambições investirá menos. O percentual, nesse caso, varia bastante conforme o grau de ambição de cada um”, sugere.
Cuidado com a ingenuidade
O maior desafio do investidor iniciante não é a ganância, mas a ingenuidade. A pessoa se depara com propagandas prometendo ganhos incríveis, minicursos que ensinam a ficar milionário em pouco tempo, e aí entra a ingenuidade de acreditar em tudo isso — o que pode levar à ganância. “Quem se deixa encantar por isso segue o que chamo de ‘longo caminho curto’, que é tentar um atalho para prosperar. Às vezes tem algum sucesso no curto prazo, mas leva tombos e sempre volta à estaca zero. Eu prefiro o ‘curto caminho longo’: você planeja com produtos mais conservadores e leva alguns anos para alcançar o objetivo. É uma estratégia de longo prazo, segura, sem assumir riscos ou fazer apostas. Investir não é apostar no que pode acontecer, mas comprar o que tem chance real de dar certo num cenário previsível”, ensina.
Cerbasi garante que, com uma estratégia bem estruturada, uma carteira de investimentos segura e ajustes ao longo do tempo para conter riscos, não há como perder dinheiro. “Só perde dinheiro quem aposta”, alerta.
Quem realmente investe entende que alguns ativos podem oscilar de valor. E se a estratégia falhar, será necessário vender um ativo em baixa, o que resultará em prejuízo. “A diferença é que, quando o preço de um ativo de qualidade cai temporariamente, não é hora de vender — é hora de comprar mais. E, quando esse ativo tiver uma alta significativa, a pessoa não deve ser tomada pela ganância, mas pode vender parte da carteira e comprar o que estiver mais barato. Eu chamo isso de ‘rebalanceamento passivo’”, diz.
Ele explica: “Monto uma carteira baseada na estratégia de investimento da pessoa, e ela precisa manter essa composição ao longo do tempo. Quando um ativo sobe mais do que outro — como a bolsa de valores em um curto período —, o ganho obtido será usado para comprar o que rendeu menos. Ela sempre comprará o que ficou barato e venderá o que ficou caro. Essa é a estratégia que já compartilhei com mais de 25 mil alunos nesses anos, e que recomendo para quem busca segurança na construção do futuro”, conclui.
Foto: Gustavo Cerbasi/Cedida







































