Universidades do Japão correm risco de colapso até 2040 por falta de estudantes

Tóquio – Cerca de 30% das universidades privadas do Japão poderão entrar em colapso financeiro no ano fiscal de 2040. Segundo o governo japonês, o motivo é a rápida queda da população, mas há setores acrescentando ao motivo o sentimento antiestrangeiros que vem reinando no país.
O Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia (MEXT) estima que as universidades privadas poderão enfrentar um risco particularmente alto de problemas financeiros pela falta de estudantes, e as incentiva a antecipar o fechamento ou a redução de vagas para reduzir o prejuízo, de acordo com a mídia local.
Em 2024, o total dos que ingressaram nas universidades foi de 630 mil estudantes. Mas o número deverá cair para 460 mil no ano letivo de 2040 em razão da baixa taxa de natalidade. Para o Ministério, entre os anos fiscais de 2036 e 2040 a queda de alunos será de 100 mil, o que o governo classifica como período de declínio acentuado.
No cálculo do Ministério, pelo menos 601 universidades privadas sofrerão com a falta de alunos e, por tabela, de insuficiência financeira. A estimativa considerou a mesma taxa de queda de receita para todas as instituições, com despesas operacionais mantidas nos níveis do ano fiscal de 2024, sem levar em conta possíveis cortes de custos no futuro.
Segundo o governo, os dados mostram que o número de universidades com risco de colapsar com menos de quatro anos de sustentabilidade financeira deve aumentar gradualmente de 22, no ano acadêmico de 2025, para 85 no ano letivo de 2036. Em seguida, o total deve disparar e dobrar, chegando a 170 instituições no ano acadêmico de 2040.
Na estimativa ministerial, em 2040 haverá 87 universidades tidas como de alto risco, com viabilidade financeira entre quatro e menos de dez anos, enquanto 242 são enquadradas como de risco de médio prazo, com dez anos ou mais, e 102 são consideradas financeiramente estáveis.
Caso não seja tomada nenhuma medida para resolver o problema, as universidades privadas podem começar a fechar em sequência a partir do ano fiscal de 2035.
Em razão disso, entre este ano de 2026 e 2030, o governo aplicará a primeira fase de sua política abrangente para otimização da escala quantitativa, quando analisará a escala e a estrutura necessárias de escolas de ensino médio e universidades para garantir profissionais que sustentem a saúde regional e a infraestrutura em todas as províncias, exceto Tóquio, que concentra muitas universidades de grande porte. Também está prevista a criação de mecanismos para facilitar o fechamento ordenado de universidades privadas.
Mas para o Japan Inside, o sentimento antiestrangeiros pode bloquear potenciais vias de acesso de estudantes. O site publicou que "embora estudantes internacionais pudessem salvar essas escolas, a rígida atmosfera antiestrangeira do Japão continua a desencorajar a matrícula em longo prazo".
Outros fatores foram citados, como as rigorosas barreiras para obtenção de vistos e a falta de oportunidades de carreira para estrangeiros, que fazem do Japão uma escolha secundária para talentos globais. "A recusa do Japão em abraçar um corpo discente multicultural está, na prática, condenando seu próprio sistema de ensino superior à morte", publicou o Japan Inside.
Foto: Canva







































