Trabalho paralelo cresce entre jovens japoneses como estratégia de carreira

Tóquio – Uma pesquisa revelou que 1.500 empresas japonesas, ou 64,3%, permitem que seus funcionários tenham trabalhos paralelos, ou seja, uma segunda atividade profissional além do emprego principal. Ao mesmo tempo, mostrou que 11% de cerca de 38 mil trabalhadores afirmaram ter esse tipo de ocupação. Os índices são os mais altos registrados nesse tipo de levantamento desde 2018.
A pesquisa foi conduzida pela Persol Research and Consulting Co. em agosto de 2025 e mostrou que a taxa entre homens na faixa dos 20 anos que têm trabalho paralelo mais que dobrou, passando de 8,8% em 2023 para 20,2% em 2025, noticiou a mídia local.
O levantamento trata especificamente do chamado fukugyo (副業), que se refere a uma atividade profissional paralela exercida por quem já possui um emprego fixo. Esse tipo de trabalho é buscado para ganhar experiência, obter renda extra ou desenvolver habilidades. Não se trata de arubaito, termo usado no Japão para empregos de meio período, geralmente mais simples e sem relação direta com a carreira principal.
A Persol Research informou que o principal motivo para buscar um trabalho paralelo ainda é obter renda extra, mas essa opção caiu de 81,9% para 62,6% nas pesquisas mais recentes. Entre outros motivos citados estão o desenvolvimento de interesses pessoais (47,8%) e o teste de habilidades (38%).
Para a equipe da Persol, os dados indicam uma tendência crescente de as pessoas não dependerem exclusivamente de um único emprego para o desenvolvimento de suas carreiras.
Na empresa de cosméticos e alimentos saudáveis Fancl Corp., de Yokohama (Kanagawa), por exemplo, cerca de 40 funcionários têm trabalhos paralelos. A empresa limita essas atividades a 30 horas mensais para evitar sobrecarga e exige a apresentação de cronogramas para monitoramento.
A pesquisa da Persol também mostra que a era do emprego vitalício chegou ao fim. Os trabalhadores mais jovens preferem construir carreiras de forma sólida e, para isso, recorrem a trabalhos paralelos. Tanto que outra pesquisa, realizada pela empresa de recrutamento En, entre abril de 2025 e março de 2026, com cerca de 1.000 pessoas na faixa dos 20 aos 30 anos, apontou que 93% consideram mudar de emprego quando não veem perspectivas de crescimento profissional.
Foto: Canva








































