Trabalho paralelo cresce entre jovens japoneses como estratégia de carreira

2026/04/24 09:38
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Tóquio – Uma pesquisa revelou que 1.500 empresas japonesas, ou 64,3%, permitem que seus funcionários tenham trabalhos paralelos, ou seja, uma segunda atividade profissional além do emprego principal. Ao mesmo tempo, mostrou que 11% de cerca de 38 mil trabalhadores afirmaram ter esse tipo de ocupação. Os índices são os mais altos registrados nesse tipo de levantamento desde 2018.

A pesquisa foi conduzida pela Persol Research and Consulting Co. em agosto de 2025 e mostrou que a taxa entre homens na faixa dos 20 anos que têm trabalho paralelo mais que dobrou, passando de 8,8% em 2023 para 20,2% em 2025, noticiou a mídia local.

O levantamento trata especificamente do chamado fukugyo (副業), que se refere a uma atividade profissional paralela exercida por quem já possui um emprego fixo. Esse tipo de trabalho é buscado para ganhar experiência, obter renda extra ou desenvolver habilidades. Não se trata de arubaito, termo usado no Japão para empregos de meio período, geralmente mais simples e sem relação direta com a carreira principal.

A Persol Research informou que o principal motivo para buscar um trabalho paralelo ainda é obter renda extra, mas essa opção caiu de 81,9% para 62,6% nas pesquisas mais recentes. Entre outros motivos citados estão o desenvolvimento de interesses pessoais (47,8%) e o teste de habilidades (38%).

Para a equipe da Persol, os dados indicam uma tendência crescente de as pessoas não dependerem exclusivamente de um único emprego para o desenvolvimento de suas carreiras.

Na empresa de cosméticos e alimentos saudáveis Fancl Corp., de Yokohama (Kanagawa), por exemplo, cerca de 40 funcionários têm trabalhos paralelos. A empresa limita essas atividades a 30 horas mensais para evitar sobrecarga e exige a apresentação de cronogramas para monitoramento.

A pesquisa da Persol também mostra que a era do emprego vitalício chegou ao fim. Os trabalhadores mais jovens preferem construir carreiras de forma sólida e, para isso, recorrem a trabalhos paralelos. Tanto que outra pesquisa, realizada pela empresa de recrutamento En, entre abril de 2025 e março de 2026, com cerca de 1.000 pessoas na faixa dos 20 aos 30 anos, apontou que 93% consideram mudar de emprego quando não veem perspectivas de crescimento profissional.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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