Novas zonas de velocidade no Japão: o que muda para os motoristas

2026/04/17 13:14
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Tóquio - O Japão intensificou nos últimos anos a adoção de áreas com limite de velocidade de 30 km/h em regiões residenciais, dentro de uma política nacional voltada à redução de acidentes envolvendo pedestres, ciclistas e idosos. Apesar de informações que circulam nas redes sociais indicarem uma mudança geral a partir de setembro, não há uma nova regra única válida para todo o país. As alterações ocorrem de forma gradual, conforme decisões locais.

A base dessa política está nas chamadas Zone 30, implementadas desde 2011 em bairros residenciais. Nessas áreas, o limite máximo de velocidade é de 30 km/h, com foco em ruas estreitas e locais com grande circulação de pedestres. A partir de agosto de 2021, o governo japonês passou a ampliar essa estratégia com a criação do modelo Zone 30 Plus, que adiciona intervenções físicas para forçar a redução da velocidade dos veículos.

Entre as medidas adotadas nas áreas de Zone 30 Plus estão a instalação de lombadas, elevação de faixas de pedestres, estreitamento de vias e mudanças no traçado das ruas. Estudos indicam que apenas a redução do limite de velocidade tem efeito limitado, enquanto a combinação com alterações físicas resulta em queda significativa nos acidentes graves.

Dados oficiais mostram a dimensão da expansão. Até março de 2023, ao menos 122 áreas em todo o Japão estavam com projetos de Zone 30 Plus, sendo que 71 já estavam em fase ativa de implementação. Essas áreas correspondem a bairros específicos, não a cidades inteiras, o que reforça o caráter localizado da política.

A aplicação prática depende de cada município. Em Fukuoka, por exemplo, a implementação ocorre após solicitação de moradores, análise de dados de acidentes e aprovação conjunta entre prefeitura e polícia. Já na província de Fukushima, autoridades classificam o modelo Plus como uma evolução das zonas já existentes, com reforço de fiscalização e infraestrutura.

Os critérios para definição dessas áreas incluem proximidade de escolas, presença de população idosa, ruas com menos de 5,5 metros de largura e histórico de acidentes. Essas vias são conhecidas como seikatsu doro, ou ruas do cotidiano, onde há maior interação entre veículos e pedestres.

Segundo dados utilizados em estudos sobre o tema, mais de 50% das mortes no trânsito no Japão envolvem pedestres ou ciclistas. Esse cenário levou o governo a priorizar intervenções em bairros, onde ocorrem muitos dos acidentes mais graves, em vez de focar apenas em rodovias.

Na prática, não há alteração automática dos limites de velocidade. O motorista deve observar a sinalização local. O limite de 30 km/h só é válido nas áreas devidamente indicadas como Zone 30 ou Zone 30 Plus. Em outras vias, permanecem os limites anteriores, que variam conforme o tipo de rua.

As penalidades por excesso de velocidade continuam seguindo o sistema já existente no país, com multas e pontuação na carteira que variam conforme a gravidade da infração. Suspensões não são automáticas e dependem do histórico do condutor e do nível de excesso registrado.

A política segue em expansão ao longo de 2024 e 2025, com novas áreas sendo estudadas e implementadas em diferentes regiões. O objetivo central é reduzir mortes no trânsito em um país com população envelhecida e grande circulação de pedestres em ruas estreitas.

As fontes consultadas para esta notícia foram a Agência Nacional de Polícia (ANP), o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT) do Japão, entre outras.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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