Toyoake adota regra de 2 horas para uso de celulares e gera polêmica

2025/09/29 17:39
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Aichi – A cidade de Toyoake, no Japão, adotará a partir desta quarta-feira (1º) uma ordem municipal que recomenda limitar o uso de celulares a 2 horas por dia. A medida busca enfrentar os problemas causados pelo excesso de tempo diante das telas, preocupação que já levou governos e empresas em vários países a adotar iniciativas semelhantes.

A medida, defendida pelo prefeito Masafumi Koki, não se aplica a situações de trabalho ou estudo, em que o uso do aparelho é necessário. Ainda assim, a chamada “regra das duas horas” ganhou repercussão nas redes sociais, atraindo elogios e críticas, segundo a Kyodo News.

Koki afirmou que já esperava reações contrárias. Ele explicou que muitas pessoas entenderam a proposta como uma imposição de limite rígido de tempo, o que não corresponde à realidade. Alguns críticos alegaram na internet que as autoridades não deveriam ditar como as pessoas usam seu tempo livre.

O prefeito, no entanto, diz não se incomodar com as críticas. Para ele, a medida não é punitiva, mas uma oportunidade de reflexão. “Se alguém ouvir duas horas, vai parar para pensar em quanto tempo realmente passa no smartphone. Esse é o ponto.”

Origem da decisão

Koki destacou que a iniciativa não nasceu de teorias, mas da observação da vida cotidiana de crianças e famílias da cidade. Ele relatou que estudantes deixaram de frequentar a escola, passando longas horas diante das telas.

Embora não culpe os celulares em si, o prefeito alerta que o mau uso pode se transformar em uma válvula de escape para jovens solitários e isolados. Segundo ele, alunos do ensino fundamental já possuem seus próprios aparelhos e, sem outras atividades, acabam passando horas ininterruptas conectados. “O dia vira noite, o sono sofre e o ciclo se repete.”

Relatos de funcionários da prefeitura mostraram ainda que mães oferecem celulares a bebês e crianças em idade pré-escolar. Para Koki, isso evidencia que o problema atinge não apenas adolescentes, mas também adultos, que sacrificam o sono, reduzem conversas presenciais e deixam os aparelhos interferirem em suas rotinas.

Embora reconheça a conveniência dos smartphones, o prefeito defende que a sociedade reflita: “Os celulares estão prejudicando seu descanso? Estão afetando a comunicação familiar?”

Com esse objetivo, Toyoake decidiu transformar a preocupação em ordem municipal, não para vigiar comportamentos, mas para transmitir uma mensagem clara. “Se tivéssemos publicado apenas um folheto ou slogan, as pessoas ignorariam. Ao tornar uma ordenança, elas levaram a sério.”

Por que 2 horas?

De acordo com Koki, o tempo de duas horas não foi definido aleatoriamente. A decisão foi tomada após debates baseados em estudos sobre o sono recomendado para crianças e adultos.

“É claro que, se alguém usar o celular por três ou até cinco horas, não há problema. Mas dar às pessoas uma meta torna a conversa possível.”

Até 2 de setembro, a prefeitura de Toyoake havia recebido 155 ligações e 114 e-mails ou cartas, com cerca de 30% de apoio e 70% de críticas. Como a diretriz não prevê penalidades, alguns a consideraram ineficaz. Outros a interpretaram como intromissão do governo na vida pessoal.

Para Koki, porém, até as reações negativas são positivas, pois mostram que as pessoas estão refletindo sobre a mensagem transmitida pela prefeitura.

No exterior

A decisão de Toyoake não é a primeira nem a mais rígida. Na China, o governo já propôs que fabricantes implementem um modo para menores de idade, limitando o uso de smartphones a 2 horas por dia.

Na Europa, vários países adotaram restrições. A França proíbe celulares em salas de aula do ensino fundamental e médio desde 2018. Em 2023, a Holanda passou a restringir o uso não educacional em escolas, medida também seguida por Itália, Hungria e Suécia.

Na Austrália, o uso de celulares em escolas públicas foi proibido no ano passado, resultando em redução efetiva de distrações entre alunos. O país também estuda restringir o acesso de crianças às redes sociais.

Foto: Banco de Imagem

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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