Calor úmido perigoso mais que dobra no mundo e avança no Japão

Estados Unidos/Japão – O número de dias com calor úmido perigoso, caracterizados pela combinação de temperaturas e níveis de umidade elevados, aumentou de 17 para 40 por ano no Japão, segundo levantamento do instituto de pesquisa norte-americano Climate Central.
Em todo o mundo, a média anual desses dias mais que dobrou nos últimos 50 anos, passando de 10 para 23. O aumento é atribuído principalmente às mudanças climáticas causadas pela atividade humana, noticiou o site Nippon.com.
O Climate Central classifica como dias de calor úmido perigoso aqueles em que a temperatura máxima diária de bulbo úmido, medida que considera tanto a temperatura quanto a umidade do ar, chega a 25°C ou mais. Isso equivale, por exemplo, a uma temperatura de 25°C com umidade relativa do ar de 100%.
Nesse nível, muitas pessoas já podem sofrer problemas relacionados ao calor, especialmente idosos, pessoas com doenças preexistentes, trabalhadores ao ar livre e indivíduos sem acesso a ambientes refrigerados. O risco aumenta progressivamente à medida que a temperatura de bulbo úmido sobe.
O que é a temperatura de bulbo úmido
A temperatura de bulbo úmido é uma medida que combina a temperatura e a umidade do ar. Ela indica até que ponto a evaporação consegue resfriar uma superfície e serve como referência para avaliar a capacidade do corpo humano de perder calor por meio da evaporação do suor.
Tradicionalmente, a medição é feita com um termômetro cujo bulbo é envolvido por um tecido molhado. À medida que a água evapora, o termômetro esfria. Quanto mais seco estiver o ar, maior será a evaporação e menor será a temperatura registrada.
Quando a umidade está elevada, porém, ocorre menos evaporação, fazendo com que a temperatura de bulbo úmido se aproxime da temperatura do ar registrada por um termômetro comum.
Segundo o Climate Central, uma temperatura de bulbo úmido de 25°C também pode ser registrada quando a temperatura do ar chega a 35°C e a umidade relativa está em 44%. Isso ocorre porque, quanto mais elevada for a temperatura, menor será a umidade necessária para produzir o mesmo valor de bulbo úmido.
O estudo comparou a média anual de dias com calor úmido perigoso registrada na década de 1970 com a observada entre 2016 e 2025.
Entenda o risco
A combinação de calor e alta umidade é perigosa porque dificulta o funcionamento do principal mecanismo utilizado pelo corpo para controlar sua temperatura: a evaporação do suor.
Quando o ar está muito úmido, ele já concentra grande quantidade de vapor de água. Nessas condições, o suor evapora mais lentamente ou pode deixar de evaporar de maneira suficiente para resfriar o organismo.
A pessoa pode continuar suando, mas o corpo perde eficiência para eliminar o calor. A temperatura corporal pode então subir, aumentando o risco de desidratação, exaustão térmica, insolação, perda de consciência e, nos casos mais graves, morte.
Por esse motivo, uma temperatura de 35°C acompanhada de alta umidade pode ser mais perigosa do que uma temperatura ainda maior em um ambiente muito seco. No ar seco, o suor evapora com mais facilidade e ajuda a retirar calor da pele. No ar úmido, ele pode permanecer sobre o corpo sem produzir o resfriamento necessário.
Foto: Canva








































