Calor úmido perigoso mais que dobra no mundo e avança no Japão

2026/07/17 15:00
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Estados Unidos/Japão – O número de dias com calor úmido perigoso, caracterizados pela combinação de temperaturas e níveis de umidade elevados, aumentou de 17 para 40 por ano no Japão, segundo levantamento do instituto de pesquisa norte-americano Climate Central.

Em todo o mundo, a média anual desses dias mais que dobrou nos últimos 50 anos, passando de 10 para 23. O aumento é atribuído principalmente às mudanças climáticas causadas pela atividade humana, noticiou o site Nippon.com.

O Climate Central classifica como dias de calor úmido perigoso aqueles em que a temperatura máxima diária de bulbo úmido, medida que considera tanto a temperatura quanto a umidade do ar, chega a 25°C ou mais. Isso equivale, por exemplo, a uma temperatura de 25°C com umidade relativa do ar de 100%.

Nesse nível, muitas pessoas já podem sofrer problemas relacionados ao calor, especialmente idosos, pessoas com doenças preexistentes, trabalhadores ao ar livre e indivíduos sem acesso a ambientes refrigerados. O risco aumenta progressivamente à medida que a temperatura de bulbo úmido sobe.

O que é a temperatura de bulbo úmido

A temperatura de bulbo úmido é uma medida que combina a temperatura e a umidade do ar. Ela indica até que ponto a evaporação consegue resfriar uma superfície e serve como referência para avaliar a capacidade do corpo humano de perder calor por meio da evaporação do suor.

Tradicionalmente, a medição é feita com um termômetro cujo bulbo é envolvido por um tecido molhado. À medida que a água evapora, o termômetro esfria. Quanto mais seco estiver o ar, maior será a evaporação e menor será a temperatura registrada.

Quando a umidade está elevada, porém, ocorre menos evaporação, fazendo com que a temperatura de bulbo úmido se aproxime da temperatura do ar registrada por um termômetro comum.

Segundo o Climate Central, uma temperatura de bulbo úmido de 25°C também pode ser registrada quando a temperatura do ar chega a 35°C e a umidade relativa está em 44%. Isso ocorre porque, quanto mais elevada for a temperatura, menor será a umidade necessária para produzir o mesmo valor de bulbo úmido.

O estudo comparou a média anual de dias com calor úmido perigoso registrada na década de 1970 com a observada entre 2016 e 2025.

Entenda o risco

A combinação de calor e alta umidade é perigosa porque dificulta o funcionamento do principal mecanismo utilizado pelo corpo para controlar sua temperatura: a evaporação do suor.

Quando o ar está muito úmido, ele já concentra grande quantidade de vapor de água. Nessas condições, o suor evapora mais lentamente ou pode deixar de evaporar de maneira suficiente para resfriar o organismo.

A pessoa pode continuar suando, mas o corpo perde eficiência para eliminar o calor. A temperatura corporal pode então subir, aumentando o risco de desidratação, exaustão térmica, insolação, perda de consciência e, nos casos mais graves, morte.

Por esse motivo, uma temperatura de 35°C acompanhada de alta umidade pode ser mais perigosa do que uma temperatura ainda maior em um ambiente muito seco. No ar seco, o suor evapora com mais facilidade e ajuda a retirar calor da pele. No ar úmido, ele pode permanecer sobre o corpo sem produzir o resfriamento necessário.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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