Sumiço de 1 milhão de ienes em delegacia tem precedentes no Japão

Saitama — O desaparecimento de 1 milhão de ienes em dinheiro da Delegacia de Polícia de Omiya, na província de Saitama, está sendo investigado. O valor havia sido entregue à unidade por um suspeito ao ingressar no centro de detenção local. A polícia trabalha com a hipótese de que alguém da própria corporação tenha furtado o dinheiro. O episódio não é isolado e casos de desaparecimento e apropriação indevida de valores sob a guarda da polícia já foram registrados em outras províncias do Japão.
O dinheiro estava guardado em um cofre na unidade policial, onde são mantidos os valores recolhidos dos suspeitos quando eles ingressam no centro de detenção. Tanto os montantes recebidos quanto o total armazenado são registrados, noticiou o Yomiuri.
No entanto, uma conferência realizada em abril revelou que faltava aproximadamente 1 milhão de ienes em relação ao valor registrado no livro de controle.
O dinheiro pode ser colocado ou retirado do cofre em diferentes situações, incluindo a entrada ou saída de suspeitos do centro de detenção ou quando eles solicitam a compra de artigos de primeira necessidade utilizando parte de seus próprios recursos.
Os investigadores encontraram falhas no controle da chave do cofre, que também ficava acessível a funcionários que não eram responsáveis pela guarda do dinheiro.
A Polícia de Saitama acredita que alguém da própria delegacia tenha retirado o valor após uma auditoria de rotina. Vários policiais estão sendo interrogados para esclarecer o desaparecimento e identificar o possível responsável.
O jornal Saitama publicou depois que a polícia providenciou a cobertura do valor que desapareceu do cofre, para garantir a sua devolução ao devido dono.
Outros casos de dinheiro desviado ou desaparecido
Suzuka, Mie: Em dezembro de 2025, um policial de 35 anos da Delegacia de Suzuka teria retirado um envelope com aproximadamente 6 mil ienes de uma bolsa entregue à polícia como objeto perdido. Segundo a investigação, ele também deixou de mencionar a existência do envelope no documento de registro encaminhado ao superior. O caso veio à tona quando o proprietário percebeu a falta do dinheiro.
Em 17 de abril de 2026, a Polícia de Mie anunciou a demissão disciplinar do agente e o encaminhamento do caso ao Ministério Público por suspeita de apropriação indevida no exercício da função, entre outras infrações. Ele admitiu a conduta e disse que pretendia complementar o dinheiro disponível para suas despesas.
Ichinomiya, Aichi: Um policial de 39 anos foi investigado por suspeita de retirar, em diversas ocasiões, um total de 940 mil ienes de um cofre da Delegacia de Ichinomiya, entre fevereiro e março de 2023. O dinheiro pertencia a dois homens que moravam sozinhos e haviam morrido. A delegacia mantinha os valores temporariamente sob sua guarda, até a entrega à administração municipal.
Segundo a agência Jiji, o policial foi preso em junho, posteriormente acusado formalmente e demitido em 4 de agosto de 2023. Ele afirmou ter usado o dinheiro para despesas pessoais, lazer e pagamento de empréstimos. O episódio é um dos precedentes mais próximos ao caso de Omiya, pois também envolve dinheiro de terceiros guardado em um cofre policial.
Hyogo: Em março de 2023, um funcionário administrativo de 37 anos de uma delegacia da região de Harima Oriental, em Hyogo, teria se apropriado de 99 mil ienes mantidos na unidade. Os recursos haviam sido arrecadados para produzir painéis utilizados em campanhas de segurança no trânsito e outras atividades. O caso foi descoberto quando o fornecedor cobrou o pagamento.
O funcionário admitiu a conduta. Em junho daquele ano, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, e ele recebeu uma suspensão disciplinar de um mês, deixando o cargo em 30 de junho. Nesse episódio, não se tratava de dinheiro de detidos ou de objetos perdidos, mas de recursos destinados a atividades da instituição.
Hiroshima: Em maio de 2017, foi descoberto o desaparecimento de 85,72 milhões de ienes de um cofre da Delegacia Central de Hiroshima. O dinheiro havia sido apreendido como prova em uma investigação de fraude e estava guardado no setor de contabilidade da unidade.
Em fevereiro de 2020, a polícia encaminhou o caso ao Ministério Público, apontando como suspeito um policial que já havia morrido. Ele negara envolvimento enquanto estava vivo e foi encontrado morto após a descoberta do desaparecimento do dinheiro. O encaminhamento do caso, portanto, não corresponde a uma condenação judicial.
Uma reportagem do Nikkan Sports informou que, até fevereiro de 2020, o dinheiro não havia sido localizado. Para compensar o prejuízo, foram arrecadadas contribuições voluntárias de funcionários e aposentados da polícia, que cobriram integralmente os 85,72 milhões de ienes.
Furtos durante atendimentos à população
Outros episódios não envolvem dinheiro desaparecido de cofres, mas revelam um problema relacionado e o uso da função policial para ter acesso ao dinheiro das pessoas atendidas.
Hiroshima: Em 23 de janeiro de 2026, o Tribunal Distrital de Hiroshima condenou um ex-policial a dois anos de prisão, com a execução da pena suspensa por quatro anos, por três episódios de furto ocorridos entre março e junho de 2025. O total considerado na sentença foi de aproximadamente 100 mil ienes.
As vítimas procuraram uma unidade policial para tratar de perda ou renovação da carteira de motorista. Em dois episódios, o agente aproveitou o momento do exame de visão, quando elas desviaram a atenção de seus pertences. Um desses furtos foi de 10 mil ienes. A decisão judicial destacou que ele se aproveitou da posição profissional e da confiança depositada nos policiais.
Hachioji, Tóquio: Um policial de 32 anos da Delegacia de Takao foi investigado por suspeita de furtar 20 mil ienes da casa de uma mulher na faixa dos 80 anos, em maio de 2025. Ela havia procurado a polícia porque acreditava que dinheiro havia desaparecido de sua residência. Durante a visita, uma câmera instalada na casa registrou o agente retirando notas de uma bolsa enquanto a moradora falava ao telefone.
Shinjuku, Tóquio: Um policial de 43 anos foi investigado por suspeita de furtar 160 mil ienes dos pertences de um homem na faixa dos 80 anos, em fevereiro de 2025. O idoso havia sido encontrado caído perto da Estação de Shinjuku e levado ao hospital. O agente tinha autorização para verificar os objetos, mas teria colocado no próprio bolso o dinheiro encontrado em um envelope.
Os dois policiais de Tóquio admitiram os furtos, foram demitidos em 27 de junho de 2025 e tiveram os casos encaminhados ao Ministério Público.
Alerta nacional e punições disciplinares
Há um reconhecimento oficial de que furtos cometidos durante o serviço policial continuam ocorrendo. Em uma circular de 24 de julho de 2025, a Agência Nacional de Polícia mencionou a persistência de furtos nos locais de atendimento ou investigação e determinou o reforço da fiscalização, incluindo verificações mútuas entre agentes durante atividades em residências.
O documento trata de condutas em serviço, não especificamente de dinheiro desaparecido de cofres.
Em 2025, 337 policiais e funcionários das corporações receberam punições disciplinares. Desse total, 63 foram enquadrados na categoria que reúne furtos, fraudes, apropriações indevidas e condutas semelhantes, segundo dados da Agência Nacional de Polícia divulgados pela TV Asahi.
Esse número, porém, corresponde a pessoas punidas por um conjunto de condutas, e não a 63 casos de dinheiro desaparecido em delegacias. Os dados citados não detalham quantas dessas punições estavam relacionadas a valores sob a guarda da polícia, nem permitem calcular a frequência desse tipo específico de ocorrência.
Foto: Canva







































