Saiba como evitar cobranças inesperadas de imposto na saída do Japão

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Tóquio - Muitos turistas que visitam o Japão conseguem economizar o valor do imposto de consumo, em geral 10%, nas compras feitas em lojas tax-free. Mas a falta de conhecimento sobre as regras do sistema pode transformar essa vantagem em uma cobrança inesperada no aeroporto. Com o controle digital ligado aos passaportes, as autoridades alfandegárias reforçam a fiscalização sobre produtos comprados com isenção de imposto e exigem que os viajantes comprovem, na saída do país, que os itens adquiridos estão sendo levados para fora do Japão.

A medida afeta principalmente turistas que compram eletrônicos, roupas de grife, cosméticos, alimentos, bebidas e presentes nas lojas credenciadas ao sistema tax-free. O erro mais comum ocorre quando o visitante acredita que a isenção termina no momento em que paga no caixa do estabelecimento comercial. Na verdade, o benefício só é confirmado quando os produtos saem fisicamente do país com o comprador, conforme as regras da Agência Nacional de Impostos.

O engano do viajante é achar que ninguém vai verificar as compras depois que ele sai das lojas. Depois que o Japão abandonou os controles em papel e digitalizou o processo, as compras feitas com isenção de imposto passaram a ser registradas eletronicamente e vinculadas ao passaporte do viajante.

Atenção na Alfândega

Quando o turista vai embarcar para deixar o Japão, o registro das compras pode ser acessado pelos sistemas da Alfândega ou nos terminais de autoatendimento. Se houver solicitação de inspeção, o passageiro deve apresentar fisicamente os produtos adquiridos com tax-free. Caso não consiga comprovar que os itens estão com ele e serão levados para fora do Japão, poderá ser obrigado a pagar o imposto de consumo antes de embarcar.

Pelas regras do sistema no Japão, os produtos comprados com isenção de impostos são destinados ao uso pessoal fora do país e devem sair do Japão junto com o turista. Por isso, deixar presentes com amigos ou parentes residentes no Japão, vender mercadorias antes da partida ou consumir produtos lacrados dentro do país pode levar à perda do benefício fiscal.

Cuidado com a mala despachada

Outro cuidado que o turista deve ter é com a bagagem despachada. Caso o passageiro coloque eletrônicos, relógios, roupas de luxo ou outros itens de valor na mala antes de passar pela verificação na Alfândega, ele pode não conseguir apresentá-los caso seja selecionado para inspeção. Nessa situação, a justificativa de que os produtos já foram despachados pode não ser aceita.

Casos de cobrança na saída do país ganharam atenção após auditorias apontarem falhas na arrecadação de imposto sobre compras tax-free não comprovadamente exportadas. O governo japonês passou a reforçar o controle do sistema para reduzir abusos e impedir a revenda interna de produtos comprados com isenção.

O aumento na fiscalização ocorre após abusos cometidos no sistema. As autoridades japonesas identificaram esquemas em que pessoas entravam no país como turistas, compravam grandes volumes de produtos com isenção de imposto e revendiam as mercadorias ilegalmente ainda no Japão, lucrando com a diferença tributária.

A partir de 1º de novembro

A partir de 1º de novembro de 2026, o Japão encerrará o atual modelo de desconto direto no caixa e adotará o sistema de reembolso. Com isso, o turista pagará o valor cheio do produto, incluindo o imposto, no momento da compra. O reembolso será feito apenas depois da validação de que as mercadorias estão saindo do país.

O novo modelo aproximará o Japão do que é praticado em países da Europa e tem como objetivo impedir que os produtos adquiridos com isenção permaneçam no mercado local. Para o viajante, a mudança exigirá mais planejamento financeiro, já que será necessário pagar o imposto primeiro e solicitar o dinheiro de volta posteriormente.

Até 31 de outubro de 2026, turistas devem redobrar os cuidados. Produtos consumíveis, como alimentos, bebidas e cosméticos, devem permanecer nas embalagens lacradas até a saída do país. Itens de maior valor devem ser mantidos de forma acessível para eventual inspeção. Quando houver necessidade de despachar líquidos acima de 100 ml, como perfumes ou bebidas, o ideal é informar a Alfândega antes de entregar a mala à companhia aérea.

A partir de 1º de novembro de 2026, a embalagem especial para consumíveis será abolida, mas o consumo desses itens dentro do Japão continuará impedindo o reembolso. Por isso, turistas que viajarem na fase de transição devem acompanhar as regras oficiais antes das compras.

O benefício do tax-free continua sendo uma vantagem para quem visita o Japão, mas deixou de ser apenas uma economia automática no caixa. Com a fiscalização digital, o passaporte também funciona como registro fiscal. Para evitar multas, retenções e cobranças inesperadas, o turista precisa tratar a isenção como uma responsabilidade legal até o momento final da viagem.

Passos práticos para o viajante

Para não cometer erros e evitar retenções ou cobranças na saída do Japão, o turista deve adotar alguns cuidados antes de embarcar.

  1. Não abra as embalagens de consumíveis

Até 31 de outubro de 2026, alimentos, bebidas e cosméticos comprados com tax-free devem permanecer nas embalagens especiais, sem violação dentro do Japão. A partir de 1º de novembro de 2026, essa embalagem especial será abolida, mas o consumo desses itens dentro do país continuará impedindo o reembolso.

  • Atenção com itens de valor na bagagem

Evite colocar eletrônicos, relógios, roupas de grife ou outros itens de valor adquiridos com tax-free em malas que serão despachadas logo no balcão de check-in da companhia aérea. Sempre que possível, leve esses produtos na bagagem de mão para apresentá-los à Alfândega, caso haja solicitação de inspeção.

  • Informe a Alfândega antes de despachar itens restritos

Caso tenha comprado líquidos acima de 100 ml, como bebidas alcoólicas ou perfumes, que não podem ir na bagagem de mão por regras de segurança da aviação, procure a Alfândega antes de despachar a mala. O passageiro deve informar que há produtos tax-free na bagagem e seguir a orientação dos agentes antes de entregá-la à companhia aérea.

  • Prepare-se para o novo modelo

A partir de novembro de 2026, o Japão passará a adotar o sistema de reembolso para compras tax-free. O turista pagará o preço com imposto no momento da compra e, ao deixar o país em até 90 dias, deverá passar pela inspeção da alfândega antes do check-in da bagagem. Depois dessa confirmação, o valor equivalente ao imposto de consumo será reembolsado.

O método exato de reembolso não foi padronizado pela legislação. Segundo a Agência Nacional de Impostos do Japão, o pagamento poderá ocorrer, por exemplo, por transferência bancária, cartão de crédito, aplicativo ou dinheiro no aeroporto ou porto de saída, conforme a operação definida pela loja tax-free ou por prestadores de serviço contratados.

Mais informações podem ser obtidas no site oficial da Agência ou ainda na Agência de Turismo do Japão.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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