Peso na consciência: homem se entrega por assaltos cometidos há 9 anos no Japão

Osaka — Daisuke Iwata, de 35 anos, foi preso após confessar que assaltou lojas de conveniência em Hirakata, na província de Osaka. O que chamou a atenção das autoridades, porém, foi que os crimes foram cometidos há nove anos.
A polícia informou que Iwata estava internado em um hospital em agosto deste ano quando telefonou para as autoridades e confessou ter cometido assaltos a lojas de conveniência cerca de nove anos antes.
A partir da ligação, a polícia realizou investigações para confirmar as informações fornecidas pelo homem. Iwata admitiu as acusações e explicou por que decidiu confessar: “Fui tomado pelo remorso e me entreguei”.
Em japonês, a expressão usada pelo suspeito foi 自責の念に駆られ, jiseki no nen ni karare, que tem uma carga um pouco mais forte do que simplesmente estar “arrependido”. A expressão transmite a ideia de alguém atormentado ou dominado pelo sentimento de culpa pelas próprias ações.
Iwata é suspeito de assaltar três lojas de conveniência em Hirakata durante a madrugada de 24 de julho de 2017. Segundo a polícia, ele é acusado de ter ameaçado funcionários com uma arma branca e roubado cerca de ¥ 200 mil no total.
Outros casos semelhantes
Na história criminal do Japão, existem outros casos em que suspeitos apresentaram comportamento semelhante, procurando a polícia depois de se arrependerem ou serem tomados pelo sentimento de culpa.
Em 2023, um jovem de 19 anos envolvido em um esquema de yami baito, ou “trabalho obscuro”, decidiu se entregar à polícia depois de começar a sentir culpa pelo que havia feito. Ele atuava como ukeko, pessoa encarregada de receber dinheiro ou cartões obtidos por meio de golpes.
No yami baito, organizações criminosas usam redes sociais para divulgar “oportunidades de trabalho” de meio período, geralmente prometendo grandes quantias em dinheiro. O que eles não dizem inicialmente que os trabalhos são roubo a residências. Os interessados entram em contato e são induzidos a fornecer informações pessoais aos contratantes, como fotos de documentos, endereço e outros dados, geralmente pela internet e sem contato presencial.
Depois de obter essas informações, os criminosos podem ameaçar os participantes, inclusive dizendo que seus familiares sofrerão consequências caso desistam de cumprir as tarefas determinadas. Alguns dos envolvidos acabam participando de roubo a casas.
O jovem de 19 anos, porém, arrependeu-se de ter entrado no esquema e decidiu procurar a polícia. Ele se apresentou em uma delegacia acompanhado por uma pessoa que o auxiliava e acabou preso sob suspeita de furtar quatro cartões bancários de um homem na faixa dos 70 anos, em Nagoya.
Em 2008, ocorreu outro caso peculiar, relacionado a uma falsa acusação de abuso dentro de um trem. Uma mulher havia participado, juntamente com um homem, de uma armação para acusar falsamente outro passageiro de chikan, termo usado no Japão principalmente para se referir a casos de molestamento ou assédio sexual em transportes públicos.
Segundo informações apresentadas durante o julgamento, a mulher não conseguia esquecer a expressão de surpresa da vítima e passou a sofrer com o sentimento de culpa por ter colocado um inocente sob suspeita. Por isso, apresentou-se voluntariamente à polícia e revelou a verdade.
Outro caso ocorreu em Nagano. Em 1980, um homem foi encontrado morto na região da represa de Ikusaka, e sua morte foi inicialmente considerada suicídio.
Cerca de 20 anos depois, um homem que estava preso enviou uma carta à polícia afirmando que havia matado a vítima.
Os policiais retomaram as informações sobre o caso e, após uma investigação, concluíram que a vítima havia, de fato, sido assassinada. Porém, pela legislação vigente na época do crime, o prazo de prescrição já havia terminado, e o homem não pôde ser processado pelo homicídio, segundo a Agência Nacional de Polícia do Japão.
Foto: Canva







































