Onda de furtos de cobre no Japão atinge santuários históricos

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Shizuoka – O furto de cobre é um dos mais comuns no Japão, pelo fato de o metal ter um bom valor. Mas agora os ladrões não estão perdoando nem o cobre existente em locais sagrados. O caso mais recente foi em Hamamatsu (Shizuoka), onde os bandidos levaram o cobre existente sobre a cobertura do santuário Ubugi. Mas o que aconteceu neste caso é apenas a ponta do iceberg.

O furto ocorreu na madrugada do dia 19 de maio, no distrito de Hamana, com a TV Shizuoka noticiando que o telhado do santuário foi danificado. A estimativa para reparar os estragos deve passar de 1 milhão de ienes.

A audácia dos criminosos deixou indignado o sacerdote do santuário, Hideo Suzuki. Ele agora está preocupado em como levantar o dinheiro para os reparos, já que o Ubugi Shrine não conta com uma base local de paroquianos.

Na mesma área de Hamamatsu, os bandidos levaram cobre de outros santuários, como o Hamana Sosha Shinmeigu, que fica a 300 metros do Ubugi Shrine, e também do Tsuzuki Shrine, que está a 5 quilômetros dali. Neste último, levaram não apenas o cobre existente no telhado, mas também da área onde as pessoas purificam as mãos.

Furtos de cabos no país

O furto de cobre em santuários só agora entrou no foco dos ladrões de metais no Japão. O alvo principal deles, até o momento, não são telhados históricos, mas cabos metálicos, sobretudo cabos de cobre em instalações solares, obras, infraestrutura pública e equipamentos urbanos.

Segundo relatório da Agência Nacional de Polícia do Japão, os furtos de metal vêm aumentando desde 2020, quando a estatística começou a ser compilada.

Em 2023, mais da metade dos casos envolvia cabos. Por material, o cobre representava mais da metade dos casos e cerca de 70% do valor total roubado. O prejuízo nacional com furtos de metal em 2023 foi estimado em cerca de 13,287 bilhões de ienes, dos quais cerca de 9,779 bilhões de ienes eram relacionados ao cobre.

Ainda segundo a polícia, ocorreram 5.361 furtos de cabos metálicos em instalações solares in 2023, com taxa de elucidação de apenas 5,9%. Até o fim de junho de 2024, já havia 4.161 casos, o que indicava aceleração do problema.

A polícia japonesa também observa que, quando cabos são furtados de usinas solares, o prejuízo registrado como valor do metal pode subestimar o dano real, porque a instalação pode ficar parada por longos períodos, gerando perdas econômicas adicionais.

O Japão não divulga um peso nacional consolidado do cobre furtado, mas o prejuízo oficial de 2023, quase 9,8 bilhões de ienes apenas em cobre, equivale a milhares de toneladas quando convertido pelos preços atuais do metal.

O caso de Hamamatsu não é uma exceção isolada, mas uma variação simbólica de uma crise maior. No Japão, o alvo principal dos ladrões de cobre costuma ser a infraestrutura moderna, especialmente cabos de usinas solares, obras e equipamentos públicos. Em 2023, os furtos de metal causaram prejuízo estimado em 13,3 bilhões de ienes, e o cobre respondeu por cerca de 9,8 bilhões de ienes desse total. Convertido pelos preços atuais, isso representa milhares de toneladas de metal. O que os ladrões vendem como sucata, comunidades locais veem como memória, tradição e identidade cultural sendo destruídas.

A cotação japonesa de referência do cobre, a do cobre eletrolítico ou dou tate-ne, estava em 2.250 ienes por kg em 22 de maio de 2026, segundo tabela baseada em dados da JX Metals.

Mais casos

Em Tochigi, o Oyama-zumi Shrine, em Ashikaga, teve parte do telhado de cobre do edifício principal levado, e depois os ladrões voltaram e arrancaram mais uma parte. O chōzuya, estrutura usada para purificação antes da oração, também teve placas de cobre removidas. Outro caso semelhante ocorreu no Kaso-yama Shrine, em Kanuma, onde o telhado de cobre foi quase todo arrancado.

Também em Ashikaga, mas em 2024, o Nagusa Itsukushima Shrine, associado por fãs ao universo de Demon Slayer por causa das rochas da região, teve cerca de 1.630 placas de cobre furtadas do telhado. O prejuízo material foi estimado em cerca de 650 mil ienes, mas a restauração poderia custar mais de 10 milhões de ienes.

Em Ninomiya, Kanagawa, o Azuma Shrine teve entre 60 e 70 placas de cobre roubadas do telhado do muro que cerca o prédio principal. A mídia local estimou que o material necessário para reparo ultrapassaria 200 kg de cobre e custaria mais de 400 mil ienes.

Medidas legais recentes

O Japão aprovou em junho de 2025 a Lei de Prevenção da Disposição de Produtos Metálicos Específicos Roubados, conhecida como lei contra furtos de metal. A norma mira a revenda de metal roubado, incluindo obrigações para compradores de sucata, medidas de identificação de vendedores e restrições a ferramentas usadas em furtos, como grandes cortadores de cabo e bolt cutters.

A Agência Nacional de Polícia informou que, a partir de 1º de setembro de 2025, passou a ser proibido portar, sem justificativa profissional ou legítima, certos cortadores de cabo e ferramentas semelhantes de forma oculta.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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