O que é a Síndrome de Paris que atinge turistas japoneses

2026/02/27 10:53
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Paris/Tóquio – Quando um turista visita um lugar que conheceu apenas por fotos ou vídeos, normalmente chega cheio de expectativas. Mas quando o local não é o que a pessoa espera, ela pode se decepcionar e ir embora. No entanto, alguns turistas japoneses podem sofrer da chamada Síndrome de Paris. Entenda como essa condição funciona.

A Síndrome de Paris foi identificada na década de 1980 pelo psiquiatra japonês Hiroaki Ota. O termo refere-se especificamente à capital da França e envolve turistas que ficam decepcionados ao não encontrarem a imagem que idealizaram em vídeos turísticos, filmes, livros ou em redes sociais.

A revista francesa Nervure, especializada em psiquiatria, publicou que os visitantes vindos do país asiático esperam encontrar uma cidade de amor, envolvida plenamente no mundo da moda e composta por pessoas glamorosas. O turista japonês, em vez disso, depara-se com um ambiente urbano movimentado, repleto de pessoas com suas diferenças culturais.

Embora não pareça algo grave, dependendo do caso, há indivíduos que podem manifestar sintomas como ansiedade, tontura, delírios, alucinação, ataque de pânico ou angústia.

A Embaixada do Japão na capital francesa tem uma linha direta de suporte aos compatriotas que funciona 24 horas. Mas consta que o órgão trata cerca de 20 casos assim por ano, e em muitas situações, precisando repatriar os pacientes na companhia de um médico ou enfermeira.

A Síndrome de Paris é considerada uma forma extrema de choque cultural e um transtorno psicológico transitório, mas não é reconhecida oficialmente como uma doença mental ou transtorno psiquiátrico no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Um artigo publicado no Hidden Japan constata que há um forte contraste entre Japão e França. Enquanto os japoneses procuram manter as suas ruas e outros locais limpos, a França não é conhecida por essa qualidade.

Obviamente, Paris tem seus encantos, bairros históricos e edifícios icônicos, mas o turista que romantizou a imagem da também conhecida como Cidade Luz pode se decepcionar ao encontrar sujeira, odores desagradáveis e uma presença urbana de roedores.

O SBS News trata o assunto como um caso extremo de choque cultural, com a condição de saúde tendo sido largamente documentada por periódicos médicos.

Na cultura popular japonesa, Paris é associada a filmes românticos como “Amelie”, entre outros. Mas os casos de Síndrome de Paris são raros. A maioria dos visitantes japoneses na capital da França encara a realidade da cidade grande sem problemas maiores.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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