Mortes por karoshi superam 150 casos após 5 anos e acendem alerta no Japão

2025/12/26 10:04
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Tóquio – O total de mortes causadas por excesso de trabalho e de suicídios motivados pelo mesmo fator, incluindo tentativas, ultrapassou 150 casos pela primeira vez em cinco anos no Japão.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar iniciou, em abril de 2024, uma orientação sobre planos de prevenção voltados a empresas onde foram registradas mortes por excesso de trabalho ou outros acidentes ocupacionais graves duas ou mais vezes em um período de três anos, segundo o jornal Yomiuri.

As empresas enquadradas nessa situação são obrigadas a apresentar um plano de prevenção ao departamento regional do trabalho da província e a ter sua implementação acompanhada por um período de um ano. De acordo com o ministério, no primeiro ano de aplicação da medida, correspondente ao ano fiscal de 2024, o número de orientações chegou a 42 casos.

No ano fiscal de 2024, encerrado em março de 2025, o total de vítimas por excesso de trabalho ou que cometeram suicídio pelo mesmo motivo foi de 159, superando a marca de 150 pela primeira vez desde 2019, quando o total chegou a 174.

Os casos de acidentes de trabalho gerados por transtornos mentais também vêm aumentando. No ano passado, foram registrados 1.055 casos, mais de três vezes o número contabilizado em 2010, que foi de 308.

A manutenção de jornadas de trabalho excessivamente longas é considerada um dos principais fatores por trás desses dados preocupantes. Uma pesquisa do governo realizada em 2024 identificou 11.230 empresas com jornadas classificadas como excessivas.

Em 5.464 dessas empresas, foram confirmadas horas extras em dias de folga superiores a 80 horas por mês, nível considerado a chamada “linha da morte por excesso de trabalho”.

O ministério explica que a orientação dada para prevenir esse tipo de problema tem caráter administrativo, com o objetivo de evitar recorrências, e difere dos casos que seguem para os tribunais e resultam na divulgação do nome das empresas. Por esse motivo, o órgão não divulga os nomes das companhias nem detalhes específicos dos casos.

Para o advogado Kazunari Tamaki, secretário-geral da Rede Nacional de Advogados em Defesa das Vítimas de Karoshi, “o olhar da sociedade sobre empresas que causaram mortes por excesso de trabalho está cada vez mais rigoroso. Para aquelas que, mesmo após receberem orientação sobre planos de prevenção, voltam a registrar acidentes de trabalho graves, deveriam ser consideradas medidas com efeito dissuasório, como a divulgação pública”.

Karoshi

A palavra karoshi significa morte por excesso de trabalho e é utilizada internacionalmente. O termo passou a ser usado a partir da década de 1970. Em 1978, um relatório sobre 17 casos foi apresentado na 51ª reunião anual da Associação Japonesa de Saúde Industrial, segundo a International Labour Organization.

O governo japonês caracteriza como casos confirmados aqueles em que a morte ocorre por doença cerebrovascular ou cardíaca causada por sobrecarga de trabalho; suicídio decorrente de transtorno mental provocado por intenso fardo psicológico no ambiente profissional; e doenças cerebrovasculares, cardíacas ou transtornos mentais relacionados ao trabalho, mesmo quando não resultam em morte.

Os casos reconhecidos pelo governo são considerados como relacionados ao trabalho para fins de compensação no sistema de acidentes de trabalho.

Estudos técnicos descrevem o reconhecimento do problema com base nas horas extras, como, por exemplo, 100 ou mais horas extras no mês imediatamente anterior ao início de um infarto ou AVC, ou cerca de 80 horas extras mensais por um período de dois a seis meses antes do surgimento dos problemas.

Outros fatores também são levados em conta, como trabalho em turnos, prazos extremos e falta de descanso, segundo o Journal of Occupational Health.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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