Calor no Japão: ranking mostra cidades mais quentes dos últimos anos

Tóquio — Dados estatísticos mostram que o Japão vem registrando uma sequência de verões extremos, com temperaturas máximas superadas a cada ano. No ano passado, a cidade de Isesaki (Gunma) registrou a impressionante marca de 41,8°C em 5 de agosto de 2025.
Nos últimos 20 anos, era raro os termômetros marcarem temperaturas próximas ou acima de 40°C. O Portal Japão preparou um ranking das cidades mais quentes, ou seja, aquelas que registraram as temperaturas máximas nos verões passados, com base nos dados da Agência Meteorológica do Japão (JMA).
Ranking das cidades mais quentes
A JMA não classifica formalmente as cidades como "as mais quentes", devido às variações anuais das temperaturas. Mas mantém o Ranking Oficial das Maiores Temperaturas Máximas Diárias já registradas na história do país.
Veja quais são as cidades, as temperaturas máximas e quando foram registradas:
| Posição | Cidade | Província | Temperatura Máxima Registrada | Data do Registro |
| 1º | Isesaki | Gunma | 41,8 °C | 5 de agosto de 2025 |
| 2º | Hatoyama (Distrito de Hiki) | Saitama | 41,4 °C | 5 de agosto de 2025 |
| 3º (empate) | Kiryu Tamba (Região de Kaibara) | Gunma Hyogo | 41,2 °C | 5 de agosto de 2025 30 de julho de 2025 |
| 5º (empate) | Hamamatsu Kumagaya | Shizuoka Saitama | 41,1 °C | 17 de agosto de 2020 23 de julho de 2018 |
| 7º (empate) | Maebashi Sano Mino Gero (Região de Kanayama) Shimanto (Região de Ekawasaki) | Gunma Tochigi Gifu Gifu Kochi | 41,0 °C | 5 de agosto de 2025 29 de julho de 2024 8 de agosto de 2018 6 de agosto de 2018 12 de agosto de 2013 |
Temperaturas máximas nos últimos 20 anos
A tabela abaixo aponta as temperaturas máximas absolutas registradas em todo o país em cada ano, abrangendo as duas últimas décadas.
Os dados deste ano foram consolidados até junho, capturando o início do calor extremo.
| Ano | Temperatura Máxima | Local do Registro (Cidade / Província) |
| 2026 | 35,3 °C (até Junho) | Hita (Oita) e Toyooka (Hyogo) — registrado precocemente em 18 de maio |
| 2025 | 41,8 °C | Isesaki (Gunma) — Atual Recorde Histórico Nacional |
| 2024 | 41,0 °C | Sano (Tochigi) |
| 2023 | 40,0 °C | Date (Fukushima) |
| 2022 | 40,1 °C | Hatoyama (Saitama) |
| 2021 | 40,6 °C | Tajimi (Gifu) |
| 2020 | 41,1 °C | Hamamatsu (Shizuoka) |
| 2019 | 40,6 °C | Tsubame/Teradomari (Niigata) |
| 2018 | 41,1 °C | Kumagaya (Saitama) |
| 2017 | 38,9 °C | Tajimi (Gifu) |
| 2016 | 39,7 °C | Tatebayashi (Gunma) |
| 2015 | 39,9 °C | Tatebayashi (Gunma) |
| 2014 | 38,8 °C | Kamigori (Hyogo) |
| 2013 | 41,0 °C | Shimanto/Ekawasaki (Kochi) |
| 2012 | 38,7 °C | Nakabun (Saitama) |
| 2011 | 39,8 °C | Kumagaya (Saitama) |
| 2010 | 39,4 °C | Tajimi (Gifu) |
| 2009 | 38,6 °C | Kounosu (Saitama) |
| 2008 | 38,7 °C | Tajimi (Gifu) |
| 2007 | 40,9 °C | Tajimi (Gifu) / Kumagaya (Saitama) |
Tendências climáticas
A JMA e o Ministério do Meio Ambiente possuem estudos e relatórios de projeção de longo prazo, que revelam algumas dinâmicas. Uma delas é o impacto do El Niño sobre a estação mais quente do ano.
O El Niño enfraquece o sistema de alta pressão do Pacífico Norte, conhecido como Alta do Pacífico, o que costuma resultar em frentes frias ou chuvosas mais prolongadas durante o período de chuvas, chamado de Baiu, e em verões ligeiramente menos tórridos no Japão.
Mas integrantes do Painel de Especialistas do Japão alertam para dois fatores críticos:
Aquecimento de base elevado: o aquecimento sistêmico da atmosfera no mundo e da superfície do oceano Pacífico está tão acentuado que, mesmo sob a influência moderadora do El Niño, as temperaturas mínimas de referência já começam muito mais altas do que no século passado.
Efeito combinado da Alta do Tibete: mesmo em anos de El Niño, se ocorrer o acoplamento da alta pressão do Tibete, na alta troposfera, sobreposta à Alta do Pacífico, na baixa troposfera, o efeito de "cobertor térmico duplo" é ativado, gerando picos de calor extremo, acima de 40°C, independentemente das oscilações do Pacífico Equatorial.
Quais são as projeções?
Aumento de dias de calor extremo, chamados de moushobi: a tendência estatística indica um aumento contínuo no número de dias por ano com temperaturas iguais ou superiores a 35°C. Regiões no oeste do Japão, como Kansai e Kyushu, e as planícies de Kanto devem experimentar de 5 a 12 dias a mais de calor extremo por verão até o fim desta década.
Noites tropicais, chamadas de nettaiya: há aumento sistemático das noites em que a temperatura não cai abaixo de 25°C, agravando o estresse térmico em metrópoles como Tóquio, Osaka e Nagoia.
Projeção de cenários intermediários: os modelos climáticos globais aplicados ao Japão estimam que a temperatura média de verão continuará subindo a uma taxa aproximada de 0,3°C a 0,5°C por década até a estabilização das emissões.
É preciso levar em consideração que os modelos meteorológicos não preveem com exatidão o mês ou o dia em que o recorde de 41,8°C será quebrado, nem se isso ocorrerá neste ano, em 2027 ou em 2028. Os meteorologistas trabalham com probabilidades de anomalia, como, por exemplo, "70% de chance de o verão de 2027 ser mais quente que a média histórica dos últimos 30 anos".
Foto: Canva








































