Morte de Ali Khamenei e ataques no Irã podem impactar preço do petróleo

Tóquio – A mídia do Irã confirmou a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, na operação realizada pelos Estados Unidos e Israel no sábado (28) em vários pontos do país. Os ataques contra o Irã e os mísseis disparados pelas forças iranianas contra alvos no Golfo Pérsico provocaram a interrupção das exportações de petróleo da região produtora mais importante do mundo.
Além de Khamenei, Israel informou no domingo (1) que outros 40 altos oficiais iranianos morreram nos ataques. Mas a mídia estatal local publicou que foram seis os mortos durante uma reunião do Conselho de Defesa, segundo a Jovem Pan. Autoridades iranianas, porém, contestaram, dizendo que seis morreram nos ataques.
O Irã nomeou no domingo (1) o aiatolá Alireza Arafi como líder interino, segundo publicação em redes sociais do porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, Mohsen Dehnavi.
A morte de Khamenei foi amplamente comemorada pelos iranianos. Mas houve protestos também por parte de muçulmanos xiitas pró-Irã. Muitos deles tentaram invadir o Consulado dos Estados Unidos (EUA) em Karachi.
Golfo
Foram relatadas explosões em toda a região do Golfo Pérsico, segundo a France Presse, citando Manama, capital do Bahrein, e Doha, no Catar. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) informaram ter interceptado mísseis iranianos e foram ouvidas explosões na capital Abu Dhabi.
Países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Omã, haviam se reunido no domingo (1) à noite para discutir uma resposta unificada aos ataques do Irã, publicou o G1.
Petróleo pode subir
Ainda não se sabe a dimensão do problema, pois isso dependerá da duração do conflito. Mas a incerteza já foi suficiente para afetar os fluxos na região, que responde por 20% da oferta global de petróleo. A expectativa é de que os preços subam na retomada das negociações nesta segunda-feira (2), segundo a Reuters.
Os preços do petróleo Brent, referência internacional, subiram nas últimas semanas para cerca de 70 dólares por barril, o nível mais alto desde agosto de 2025, mas há estimativas de que o valor chegue a 100 dólares.
"Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz", disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS.
Teerã havia alertado embarcações sobre a travessia no Estreito e a maioria dos armadores de petroleiros, grandes companhias de petróleo e empresas comerciais interromperam o transporte de petróleo.
Consequências para o Japão
O possível aumento do preço do petróleo tende a refletir no fornecimento de combustíveis e de energia em países importadores, como é o caso do Japão. Caso o valor do barril permaneça alto por um período prolongado, pode gerar desaceleração econômica em economias dependentes de importação de energia.
O Japão importa grande parte de seu petróleo do Oriente Médio e depende de combustíveis fósseis para energia e transporte. Em um cenário de preço alto do barril, os seguintes itens tendem a ficar mais caros no Japão: combustíveis, tarifas de eletricidade, transporte público e frete. Outros itens são produtos importados, alimentos e itens básicos e matérias-primas.
O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, afirmou que o fará todos os esforços diplomáticos com a comunidade internacional para acalmar a situação envolvendo o Irã.
Motegi enfatizou que a paz e a estabilidade no Oriente Médio, incluindo a segurança energética e a manutenção do sistema internacional de não proliferação, são da maior importância para o Japão.
Voos suspensos
Várias companhias aéreas que têm rotas que passam pelo Oriente Médio suspenderam seus voos. Um dos casos é a Japan Airlines (JAL), cuja decisão pode afetar conexões e sobrevoos que dependam do espaço aéreo na região. Passageiros que têm voo marcado para o Brasil, por exemplo, precisam verificar com a companhia aérea se a rota está confirmada.
Outras companhias que suspenderam voos para destinos no Oriente Médio são a Qatar Airways, que pode alterar seus itinerários entre o Japão e a América do Sul. A Turkish Airlines também suspendeu voos, assim como Air France, British Airways e Lufthansa. Estão na lista ainda a Virgin Atlantic, LOT Airlines, Iberia Express, entre outras.
Foto: Reprodução







































