Meditação zazen ajuda a reduzir estresse e melhorar o foco

Tóquio - Existe uma prática budista no Japão chamada zazen, uma meditação silenciosa que muita gente pode estar precisando nestes tempos de irritação constante, excesso de estímulos e ansiedade no cotidiano. No Japão e também no Brasil, há templos e comunidades que oferecem sessões para quem deseja participar. Em alguns locais, a prática é gratuita, enquanto em outros há taxa de participação, doação sugerida ou necessidade de reserva. Não é preciso ser budista para experimentar o zazen, mas é importante respeitar as regras de cada templo.
A decisão de participar do zazen já representa uma mudança importante. Uma das recomendações é deixar de lado, ainda que por alguns minutos, tudo o que passou ou vem passando no trabalho, nos relacionamentos e nas preocupações do dia a dia. Os organizadores do zazen em um templo de Tóquio chegam a orientar a pessoa a esquecer o próprio nome por um momento, para simplesmente sentar-se e experimentar a meditação.
Embora tenha origem religiosa, a prática também vem sendo associada, em estudos sobre meditação e atenção plena, a benefícios como redução do estresse, melhora da regulação emocional, maior capacidade de concentração e alívio de sintomas de ansiedade em algumas pessoas. Órgãos e instituições de saúde ressaltam que a meditação não substitui tratamento médico ou psicológico, mas pode funcionar como prática complementar para lidar melhor com a pressão cotidiana.
No caso do zazen, a melhora não ocorre pela tentativa de "esvaziar a mente" à força, mas pelo treino de observar pensamentos, sensações e respiração sem reagir imediatamente a tudo. Com o tempo, essa prática pode ajudar a pessoa a perceber melhor os próprios impulsos, reduzir respostas automáticas de irritação e recuperar a atenção quando a mente se dispersa. A American Psychological Association aponta que a meditação de atenção plena atua em caminhos ligados ao estresse e envolve regiões cerebrais associadas à atenção e à regulação das emoções.
O zazen faz parte do cotidiano dos monges nos templos zen-budistas. Eles costumam permanecer sentados com as pernas cruzadas, a coluna reta e em silêncio. A prática parece simples, mas exige disciplina: sentar, respirar, observar e voltar ao momento presente sempre que a mente se perder em lembranças, preocupações ou julgamentos.
Os participantes podem sentar sobre as pernas, com as pernas cruzadas ou, em alguns locais, em cadeira, conforme a orientação do templo e a condição física de cada pessoa. Tradicionalmente, a mão direita repousa diante do corpo, com a esquerda sobre ela, e os dedões quase se tocam. O corpo deve ficar ereto, a cabeça levantada, o queixo levemente inclinado para baixo e os olhos semicerrados.
No templo Ryuunji, em Tóquio, a sessão começa quando um sino é tocado. O silêncio então toma conta do espaço, quebrado apenas pelo canto dos pássaros. Esse ambiente ajuda a criar uma pausa rara em uma cidade como Tóquio, onde ruídos, telas, deslocamentos e cobranças costumam ocupar quase todos os momentos do dia.
Outro ponto importante é a respiração. Existem várias técnicas para esse momento, mas a orientação central é respirar de forma tranquila, profunda e consciente. Um estudo específico sobre zazen analisou a chamada respiração tanden, praticada por meditadores zen, e observou alterações na respiração e na variabilidade cardíaca durante a prática, um indicador relacionado ao equilíbrio do sistema nervoso autônomo.
A concentração também é parte essencial do zazen. Por isso, a prática não precisa ficar restrita ao momento sentado no templo. A atenção desenvolvida na meditação pode ser levada para atividades simples do cotidiano, como limpar a casa, preparar a comida, caminhar ou executar uma tarefa com calma, observando cada movimento. A ideia é fazer uma coisa de cada vez, com presença, em vez de agir no piloto automático.
Entre as melhorias relatadas por praticantes e estudadas em pesquisas sobre meditação estão a sensação de maior calma, melhora na percepção da própria respiração, redução da ruminação mental, mais paciência diante de situações incômodas e melhor capacidade de retomar o foco depois de distrações. Revisões científicas indicam que programas de meditação podem produzir reduções pequenas a moderadas em dimensões do estresse psicológico, especialmente ansiedade, estresse e sintomas depressivos, embora os resultados variem conforme a pessoa, a frequência da prática e a qualidade dos estudos.
Veja alguns locais no Japão onde praticar zazen
Ryuunji, Tóquio: o templo Ryuunji, em Setagaya, oferece sessões de zazen e outras atividades ligadas ao zen. As reservas e informações atualizadas podem ser consultadas no site oficial: https://ryuun-ji.or.jp/
Tokyo Zen Center: ligado à tradição Myoshinji, em Tóquio, oferece atividades, cursos e experiências relacionadas ao zen. Informações no site oficial: https://www.myoshinji.or.jp/tokyo-zen-center
Daihonzan Eiheiji, Fukui: este importante mosteiro da escola Soto Zen possui o programa Sanzen, voltado à experiência da prática zen, com inscrição antecipada pelo site oficial. No entanto, o próprio templo informa que, por circunstâncias monásticas, o programa para visitantes internacionais pode ficar suspenso em determinados períodos. Por isso, é indispensável conferir a situação atual antes de planejar a visita. Informações: https://daihonzan-eiheiji.com/en/
Soto-Zen Koshoji, Uji, Kyoto: o templo Koshoji informa em seu site que oferece experiências de prática, incluindo zazen e sutra tracing, além de atividades como encontros mensais de zazen e eventos ligados à tradição Soto Zen. Fica na cidade de Uji, província de Kyoto. Informações: https://uji-koushouji.jp/en/
Templo Engakuji, Kamakura: este importante templo Zen Rinzai de Kamakura oferece práticas regulares abertas ao público. O zazen matinal começa às 6h, não exige reserva e funciona por doação voluntária, mas a orientação é em japonês e a participação é voltada a indivíduos, não a grupos turísticos. Informações: https://www.engakuji.or.jp/en/zazen/
Templo Kenchoji, Kamakura: o templo realiza atividades de zazen e também aparece em programas de zazen em inglês, com orientação para residentes estrangeiros, estudantes e turistas. O programa em inglês inclui explicação inicial, sessões de zazen e perguntas e respostas. A taxa informada é de 1.000 ienes, além da entrada do templo. Informações: https://www.kenchoji.com/ e https://www.tokozenji.or.jp/english
Zenshoan, Yanaka, Tóquio: conhecido pelas sessões de zazen aos domingos à noite, das 18h às 20h. Para iniciantes, a reserva é obrigatória e há limite de vagas. O site oficial informa taxa de 1.000 ienes para a primeira participação e 500 ienes a partir da segunda. Informações: https://zenshoan.com/kouza_zazenkai/
Templo Koshoji, Kamigyo-ku, Kyoto: este é outro templo chamado Koshoji, diferente do templo de Uji. Fica em Kyoto e pertence à tradição Rinzai. O templo informa atividades como zazen e encontros regulares. Informações: https://www.ko-sho-ji.jp/
Templo Kenninji, Kyoto: considerado o templo Zen mais antigo de Kyoto, realiza sessões públicas de zazen para indivíduos no segundo domingo de cada mês, com início às 7h30. Em agosto, a atividade costuma ser suspensa, e a recomendação é conferir o site antes de ir. Informações: https://www.kenninji.jp/
Templo Tokozenji, Yokohama: localizado em Yokohama, oferece sessões de zazen em japonês e inglês. Há sessões online, encontros mensais e programas privados mediante reserva, com regras e valores diferentes conforme a modalidade. Informações: https://www.tokozenji.or.jp/english
Templos e comunidades no Brasil
Templo Budista Busshinji, São Paulo, SP: localizado no bairro da Liberdade, é a sede do Budismo Soto Zen na América do Sul. O templo oferece zazen para iniciantes aos sábados, às 18h, com orientação sobre horário de chegada e vestimenta. Informações: https://sotozen.org.br/
Zendo Brasil, São Paulo, SP: situado em Perdizes, funciona como uma comunidade Zen Budista e oferece zazen para iniciantes aos domingos, às 11h, no modelo presencial e online. Informações: https://zendobrasil.org.br/zazen-para-iniciantes/
Templo Zu Lai, Cotia, SP: sede do Monastério Fo Guang Shan no Brasil, ligado ao Budismo Chinês e à tradição Chan, equivalente chinesa do Zen. O espaço realiza práticas, palestras, retiros e atividades de meditação, incluindo retiros em nobre silêncio. Informações: https://templozulai.org.br/
Templo Enkoji, Itapecerica da Serra, SP: localizado em meio à natureza, o templo se apresenta como um espaço voltado à meditação, ao budismo e ao desenvolvimento da paz interior. Informações: https://temploenkoji.org.br/
Mosteiro Zen Morro da Vargem, Ibiraçu, ES: o mosteiro se apresenta como o primeiro mosteiro zen da América Latina e fica em uma unidade de conservação, com atividades ligadas à espiritualidade, sustentabilidade e prática zen. Oferece retiros e visitas para quem deseja conhecer a rotina monástica. Informações: https://sites.google.com/view/mosteirozenmorrodavargem/inicio
Daissen, comunidade zen-budista no Brasil: o Daissen reúne comunidades de prática zen em diferentes cidades do Brasil e também oferece atividades virtuais. Segundo o site oficial, a comunidade é orientada por Gensho Roshi e Saikawa Roshi e busca difundir os ensinamentos de Buda e de Dogen Zenji, fundador da escola Soto Zen. Informações: https://www.daissen.org.br/
Foto: Canva







































