Japoneses apoiam corte no imposto sobre alimentos, mas temem impacto social

Tóquio - Uma pesquisa feita pelo jornal Yomiuri apontou que 52% dos entrevistados apoiam a redução do imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas para 1% por dois anos. Na prática, a medida levaria a alíquota a 0% para pessoas de baixa e média renda, quando considerados os pagamentos compensatórios previstos na proposta, segundo o diário. No entanto, 38% dos japoneses se opõem à medida.
O problema é que a receita obtida com o imposto sobre o consumo, pago pelos cidadãos nas compras do dia a dia, é destinada à seguridade social. Esse ponto preocupa 62% dos entrevistados caso a alíquota sobre alimentos e bebidas seja reduzida para 1%, enquanto 34% afirmaram não estar preocupados.
Os eleitores mais velhos demonstraram mais preocupação que os jovens. Entre aqueles com 60 anos ou mais, 71% se disseram preocupados com a situação. O índice cai para 61% entre eleitores de 40 a 59 anos e para 50% entre os de 18 a 39 anos.
Corte no imposto será por dois anos
Takaichi prometeu na segunda-feira (22) restaurar a alíquota original do imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas, de 8%, após o fim dos dois anos de corte, como havia prometido na campanha eleitoral de fevereiro, noticiou a Kyodo.
O comentário da premiê foi feito em resposta a uma pergunta do parlamentar Ken Tanaka, do oposicionista Partido Democrático para o Povo, sobre a possibilidade de a retomada da alíquota original ser vista como aumento de imposto, o que poderia provocar uma reação negativa da população.
Takaichi já indicou que deseja implantar logo a redução do imposto, assim que o Conselho Nacional Multipartidário, no Parlamento, apresentar sua posição sobre o tema.
A primeira-ministra havia prometido zerar por dois anos o imposto sobre alimentos e bebidas durante a campanha eleitoral para a Câmara dos Representantes, a Câmara Baixa do Parlamento. Outros partidos seguiram a mesma linha, como forma de atrair eleitores em meio ao enfrentamento da inflação.
Porém, na ponta do lápis, com os rendimentos dos títulos do governo subindo para níveis elevados e a moeda japonesa permanecendo fraca diante de outras moedas, ficou claro que o corte no imposto poderá piorar a já abalada saúde fiscal do país, considerada a pior entre as nações do Grupo dos Sete.
Diante dos entraves técnicos para aplicar uma alíquota de 0%, surgiu a proposta de cobrar 1%. O Partido Liberal Democrata (PLD), de Takaichi, também propôs pagamentos anuais em dinheiro para pessoas de baixa e média renda, no total de 600 bilhões de ienes, valor equivalente à receita esperada com a cobrança de 1%.
Foto: Canva







































