Japoneses apoiam corte no imposto sobre alimentos, mas temem impacto social

2026/06/23 12:08
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Tóquio - Uma pesquisa feita pelo jornal Yomiuri apontou que 52% dos entrevistados apoiam a redução do imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas para 1% por dois anos. Na prática, a medida levaria a alíquota a 0% para pessoas de baixa e média renda, quando considerados os pagamentos compensatórios previstos na proposta, segundo o diário. No entanto, 38% dos japoneses se opõem à medida.

O problema é que a receita obtida com o imposto sobre o consumo, pago pelos cidadãos nas compras do dia a dia, é destinada à seguridade social. Esse ponto preocupa 62% dos entrevistados caso a alíquota sobre alimentos e bebidas seja reduzida para 1%, enquanto 34% afirmaram não estar preocupados.

Os eleitores mais velhos demonstraram mais preocupação que os jovens. Entre aqueles com 60 anos ou mais, 71% se disseram preocupados com a situação. O índice cai para 61% entre eleitores de 40 a 59 anos e para 50% entre os de 18 a 39 anos.

Corte no imposto será por dois anos

Takaichi prometeu na segunda-feira (22) restaurar a alíquota original do imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas, de 8%, após o fim dos dois anos de corte, como havia prometido na campanha eleitoral de fevereiro, noticiou a Kyodo.

O comentário da premiê foi feito em resposta a uma pergunta do parlamentar Ken Tanaka, do oposicionista Partido Democrático para o Povo, sobre a possibilidade de a retomada da alíquota original ser vista como aumento de imposto, o que poderia provocar uma reação negativa da população.

Takaichi já indicou que deseja implantar logo a redução do imposto, assim que o Conselho Nacional Multipartidário, no Parlamento, apresentar sua posição sobre o tema.

A primeira-ministra havia prometido zerar por dois anos o imposto sobre alimentos e bebidas durante a campanha eleitoral para a Câmara dos Representantes, a Câmara Baixa do Parlamento. Outros partidos seguiram a mesma linha, como forma de atrair eleitores em meio ao enfrentamento da inflação.

Porém, na ponta do lápis, com os rendimentos dos títulos do governo subindo para níveis elevados e a moeda japonesa permanecendo fraca diante de outras moedas, ficou claro que o corte no imposto poderá piorar a já abalada saúde fiscal do país, considerada a pior entre as nações do Grupo dos Sete.

Diante dos entraves técnicos para aplicar uma alíquota de 0%, surgiu a proposta de cobrar 1%. O Partido Liberal Democrata (PLD), de Takaichi, também propôs pagamentos anuais em dinheiro para pessoas de baixa e média renda, no total de 600 bilhões de ienes, valor equivalente à receita esperada com a cobrança de 1%.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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