Luiz Tolesano leva profissionalismo aos palcos do Japão com a Eureka Japan

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Saitama - A era da profissionalização dos shows musicais e de comédia na comunidade brasileira no Japão começou com a fundação da Eureka Japan. Sob o comando de Luiz Tolesano, 59, a empresa consolidou-se trazendo ao país os melhores artistas e garantindo ao público que cada ingresso valeu a pena.

Tolesano, ex-faixa marrom de caratê estilo Kyokushin, veio de São Paulo para o Japão há 36 anos. Como muitos dekasseguis, trabalhou em fábricas. “Sou da época em que empreiteiras colocavam muitos trabalhadores amontoados em quartos pequenos. As condições eram as piores possíveis”, recorda.

A veia empreendedora logo falou mais alto. Tolesano fez sociedade com outras pessoas para abrir um bar karaokê, mas o negócio não deu certo e restou uma dívida que ele mesmo assumiu. Determinado, decidiu abrir seu próprio bar karaokê, desta vez vendendo bentôs. “Sem muita experiência, pegava bentô de outros restaurantes e vendia de porta em porta. Até que consegui montar meu próprio bentoya”, lembra.

O estabelecimento recebeu o nome Casa da Sogra porque, segundo ele, remetia à comida caseira que toda sogra faz. “Meu objetivo era oferecer um serviço self-service”, explica. O negócio prosperou e mais tarde Tolesano abriu uma empreiteira com o mesmo nome. “Tentei usar outro nome típico de empreiteira, mas ninguém reconhecia. Quando dizia que era o Tolesano, as pessoas lembravam da Casa da Sogra Bentô. Então decidi usar o mesmo nome”, conta.

Como surgiu a Eureka Japan

Em 2015, Tolesano viajou à Tailândia e conheceu uma empresa de materiais esportivos, especialmente de futebol, chamada Eureka. “Consegui o direito de vendas da marca fora da Tailândia. A empresa fabrica uniformes, bolas e tudo relacionado a futebol. Trouxe a marca para o Japão para atender a uma escolinha onde eu dava aula”, relata.

Logo começou a patrocinar eventos na comunidade brasileira, embora alguns nem tenham sido realizados. “Eu queria tornar a marca Eureka conhecida, mas não estava satisfeito com o resultado. Apoiei uma pessoa que organizava um evento no Japão, mas os artistas que vieram do Brasil não tinham hospedagem nem alimentação adequadas. Até que o produtor do show sumiu”, lembra.

Naquele período, era comum artistas brasileiros virem ao Japão e não receberem o pagamento combinado. Os shows ocorriam em bares, sem estrutura. “Decidi que o entretenimento da comunidade precisava se profissionalizar”, afirma.

Em 2016, Tolesano fundou a Eureka Japan em Saitama, empresa que passou a profissionalizar o setor de shows na comunidade brasileira. As apresentações deixaram de acontecer em bares e migraram para teatros. Os artistas chegavam com contrato assinado e todas as garantias. “A Eureka passou a oferecer total assistência a eles”, afirma.

Tolesano diz que prefere trabalhar com segurança e transparência. “Cuido de todo o processo, do planejamento à execução. A Eureka também passou a vender ingressos de shows para outras empresas”, explica.

Um show inesquecível com Thiaguinho

Quando o músico Thiaguinho foi convidado pela Eureka Japan para se apresentar em maio de 2024, não imaginava que o evento seria memorável. Organizado em parceria com outros sócios, o show atraiu mais de 3 mil pessoas. O palco vazado, montado em Yamanashi, teve como cenário o Monte Fuji.

“Eu queria algo diferente. Escolhemos o local pela sua beleza. Foi o primeiro show que organizamos após a pandemia de Covid”, conta. Thiaguinho e seus músicos se emocionaram ao ver o Monte Fuji. O show da turnê "Meu nome é Thiago André" ficou marcado na memória de todos.

Thiaguinho apresentou o melhor de seu repertório, antecedido por artistas da comunidade apresentados por MC Fumio Almeida. O evento terminou com uma grande queima de fogos.

Luiz Tolesano e sua esposa Silvia com o comediante Whindersson Nunes (Foto: Alex Santos)

Outro marco da Eureka Japan foi o show do comediante Whindersson Nunes, no Grand Ship, em Shizuoka, que reuniu cerca de 3.500 pessoas. Para fazer o show do comediante e de tantos outros artistas, Tolesano conta com uma equipe afinada, cuidando da produção, do marketing, das mídias sociais, assessoria de imprensa, tecnologia da informação e toda técnica exigida nos palcos.

O show que não aconteceu com Ivete Sangalo

Luiz Tolesano e sua esposa Silvia Shiomi ladeiam a cantora Ivete Sangalo (Foto: Cedida)

A seriedade da Eureka Japan ficou ainda mais evidente com a contratação de Ivete Sangalo. O evento, previsto para 2020, seria voltado a brasileiros e japoneses, com a participação de três grandes bandas japonesas e com público estimado em 30 mil pessoas. “Os ingressos já haviam sido vendidos, mas veio a pandemia. O show foi adiado e depois cancelado. Mesmo assim, insistimos em pagar o cachê da Ivete”, explica.

Segundo ele, a decisão visava preservar a credibilidade da empresa. “Não queria comentários de que não havíamos cumprido o contrato. Fomos ressarcidos pelos locais alugados, mas arcamos com hospedagem e logística”, relata.

Como parte do acordo, Ivete realizou um show em São José dos Campos (SP), cumprindo o contrato. O episódio reforçou o compromisso da Eureka Japan em só realizar eventos com todas as partes de acordo e contratos assinados. A empresa também reembolsou integralmente os ingressos.

Agenda de artistas confirmados

“Quando convido um artista para vir ao Japão, primeiro verifico se ele realmente quer vir. Se sim, ajustamos a agenda. Alguns querem apenas passear, e nesses casos recusamos”, diz Tolesano.

A agenda da Eureka Japan para 2026 já está quase fechada, restando definir apenas uma data. Em novembro, virá o comediante Matheus Ceará, seguido por Rogério Morgado e Emerson Ceará. “Léo Lins também quer vir”, adianta. O cantor João Gomes também está confirmado. “Esses artistas optam por vir com a Eureka Japan por causa da nossa reputação no mercado”, reforça.

Seriedade e vistos de trabalho

Outro fator que diferencia a empresa é o cuidado com os vistos dos artistas.

“Os artistas vêm com visto de trabalho, não de turista. Isso garante que estejam enquadrados como funcionários, com direitos assegurados e cobertura em caso de imprevistos, evitando problemas jurídicos”, explica.

“A Eureka se responsabiliza desde a saída do artista do Brasil até o retorno ao país”, afirma Tolesano.

Compromisso com o público

Tolesano e Silvia junto do evangelista Deive Leonardo (Foto: Alex Santos)

“Nós vendemos sonhos. Nosso objetivo é trazer shows com o mesmo padrão dos realizados no Brasil, para que o público saiba o que esperar ao comprar um ingresso”, resume.

Ele reforça que a empresa cuida de todos os detalhes para entregar apresentações de alto nível, mas reconhece que os custos são elevados e que parte do público ainda desconfia dos produtores. “Quando definimos um artista, converso pessoalmente, analisamos as condições e iniciamos a divulgação. No show do Thiaguinho, tivemos que comprar e importar instrumentos que não puderam ser trazidos. Foi uma experiência inesquecível. O que falta é o público confiar mais na produção”, diz.

Tolesano reconhece que o mercado de entretenimento da comunidade conta com outras empresas, mas nem todas cumprem o prometido. “O público precisa confiar no produtor. Mesmo que só uma pessoa apareça no show, o artista tem que se apresentar, pois isso está em contrato. É assim que a Eureka Japan trabalha”, conclui.

Fotos: Alex Santos/Eureka Japan
A família Tolesano com o cantor Thiaguinho

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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