Japão registra 80 mil desaparecimentos por ano e casos seguem em alta

Tóquio – As autoridades japonesas estimam que cerca de 80 mil pessoas desapareçam anualmente no país. No ano passado, a Agência Nacional de Polícia registrou 82.563 casos. As razões para tantos desaparecimentos são variadas. Além das pessoas com problemas de saúde, há também aquelas que somem voluntariamente por diferentes motivos.
O total de 2024 representa uma queda, embora o número permaneça na faixa dos 80.000. Em 2015 foram 82.035 casos, subindo para 87.962 em 2018. Depois houve redução para 77.022 em 2020, atingindo o pico de 90.144 em 2023.
Entre os 82.563 desaparecidos do ano passado, 18.121 eram pessoas com demência. Embora tenha ocorrido redução de 918 casos em relação ao ano anterior, a proporção desse grupo aumentou 0,8 ponto percentual, indicando que o índice segue elevado, segundo a mídia local.
Mesmo com a diminuição de 7.581 casos em comparação com 2023, o número total registrado em 2024 continuou alto. Por gênero, houve 10.012 homens e 8.109 mulheres nessa situação, informou o Media Shaho.
A polícia aponta que algumas mulheres somem para fugir da violência doméstica, enquanto outras pessoas tentam escapar de dívidas ou se afastam por não suportarem vergonha, culpa ou pressão no trabalho. Ainda assim, o maior grupo é o de pessoas com demência. Em 2023 foram 19.000 casos, a maioria localizada rapidamente graças ao rastreamento por GPS usado por prefeituras.
Estrangeiros também aparecem nas estatísticas, como o caso de grande repercussão da francesa Tiphaine Véron, que desapareceu durante uma visita a Nikko em 2018.
O relatório da ANP mostra que cerca de 80 por cento das pessoas desaparecidas foram encontradas mortas em um raio de cinco quilômetros de suas residências. Muitos desses casos ocorreram em margens e leitos de rios, canais de irrigação e áreas de floresta.
Há também situações solucionadas rapidamente. Em 2015, por exemplo, foram registrados 82.000 desaparecimentos e pelo menos 80.000 pessoas foram localizadas no mesmo ano.
Fenômeno do Johatsu
Nem todos desaparecem por motivos alheios à própria vontade. Há pessoas que decidem sumir do mapa conscientemente. O fenômeno social é chamado "Johatsu" e se refere a quem resolve evaporar da vida pública motivado por vergonha social, dívidas ou relacionamentos problemáticos.
Nesses casos, o desaparecimento é planejado, com a pessoa apagando rastros e dificultando a busca por familiares que ficam sem respostas.
Um aspecto curioso é a existência de empresas que atendem esses clientes que desejam recomeçar a vida em sigilo.
Uma dessas empresas atua de maneira discreta e possui registro regular como companhia de tecnologia especializada em segurança de dados e reorganização de rotinas pessoais, segundo o Japan Today.
Um dos programas oferecidos orienta clientes que desejam cortar laços antigos e reconstruir a vida em outro local. A empresa ensina como reduzir rastros digitais e reorganizar hábitos. Consta que presta assistência a mais de 150 desaparecimentos voluntários por ano.
Foto: Banco de Imagens







































