Kumamoto recebe críticas por querer estrangeiros em serviços domésticos

2025/10/31 12:12
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Kumamoto – O governo da província de Kumamoto está recebendo críticas da população após anunciar que aceitará estrangeiros para serviços de limpeza doméstica, utilizando o sistema de Zonas Especiais Estratégicas Nacionais a partir de 2026, segundo o jornal Kumamoto Nichinichi.

A notícia repercutiu no canal Sanseito Real Voice no YouTube. Sanseito é um partido que tem se destacado recentemente por se posicionar contra a imigração e criticar veementemente os estrangeiros no Japão.

O jornal de Kumamoto informou que, na visão do governo, estrangeiros atuando em serviços domésticos ajudarão “aqueles que criam filhos a conciliar trabalho e cuidado com as crianças”.

O governo provincial deverá estabelecer um conselho de gestão independente até o final deste ano para avaliar a proficiência em japonês e a experiência profissional dos candidatos. A previsão é de que estrangeiros que já trabalham em Kumamoto também possam utilizar os serviços.

Até o momento, estrangeiros empregados em serviços domésticos só podiam entrar e residir na província se fossem contratados por estrangeiros altamente qualificados, como diplomatas e pesquisadores. Com a implementação da zona especial, o número de empregadores será ampliado para incluir empresas de serviços domésticos.

O governador de Kumamoto, Takashi Kimura, declarou no início de outubro: “Cada vez mais empresas estão contratando estrangeiros na província. Há também um movimento para exigir que os funcionários ofereçam serviços domésticos como parte dos benefícios. Queremos promover ainda mais a convivência com estrangeiros.”

O governo do Japão criou o sistema de Zonas Especiais Estratégicas Nacionais para flexibilizar regulamentações em áreas específicas e atrair investimentos e recursos humanos. Kumamoto se tornou um polo da indústria de tecnologia, especialmente nos setores de semicondutores e Tecnologia da Informação.

A província trabalha para inaugurar um centro que ofereça suporte unificado aos procedimentos de abertura de empresas e para agilizar o processo de verificação de residência para engenheiros e intérpretes estrangeiros.

Reações do público

No canal do YouTube Sanseito Real Voice, o título do vídeo já expressa indignação: “A província de Kumamoto ignora completamente a voz de seus cidadãos...”.

Um dos internautas escreveu: “Parem a imigração! Parem a imigração! Parem com isso!”.

Outro pediu ao governador de Kumamoto “tentar deixar um estrangeiro entrar na sua casa e cuidar da sua família. Só assim o senhor entenderá suas próprias angústias e as do povo da província.”

Um comentário afirmava que “os imigrantes são vistos como armas de invasão do Japão. A Terceira Guerra Mundial já está em curso, não uma guerra com armas, mas uma tomada de poder no Japão por meio da imigração em massa... Como resultado, não resta outra opção senão enganar o público e permitir que um grande número de imigrantes entre clandestinamente sob vários pretextos, como vistos para habilidades específicas, vistos de gestão de negócios, vistos de emprego para desenvolvimento e vistos de estudo, todos baseados na premissa de que retornarão aos seus países de origem quando o visto expirar.”

Temores da população

O jornal de Kumamoto informou ainda que a decisão da província aumentou as preocupações dos residentes sobre a aceitação de trabalhadores estrangeiros. “Aumentarão os crimes e outros problemas” tem sido a crítica mais frequente.

Consta que, embora a sede do governo normalmente receba algumas dezenas de opiniões, desta vez o número de reclamações ultrapassou 300 entre os dias 9 e 16 de outubro.

Curiosamente, metade das mensagens usou o mesmo texto: “Como residente da província, oponho-me firmemente à política de coexistência com estrangeiros e à iniciativa de autonomia especial promovida pela Província de Kumamoto”. Outro trecho dizia: “Em outras províncias estão ocorrendo problemas graves, como diferenças em valores religiosos, disputas sobre costumes, como funerais, e deterioração da segurança pública.”

A Divisão de Políticas de Comércio e Indústria da prefeitura afirmou: “Esta não é uma aceitação aleatória de talentos estrangeiros nem uma promoção da imigração.”

O governo de Kumamoto esclareceu que os estrangeiros vão “ajudar os pais a conciliar trabalho e cuidados com os filhos. Eles serão responsáveis por cozinhar, lavar roupa e limpar em horários específicos. O período máximo de permanência é de cinco anos.”

Foto: Banco de Imagens

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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