Koizumi pede debate sem tabus sobre armas nucleares no Japão

Tóquio – O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, defendeu a realização de um debate nacional sobre o papel que as armas nucleares poderiam desempenhar na defesa do país.
“Para o Japão, é uma questão difícil de discutir, mas um tema que não podemos evitar é o nuclear”, afirmou durante uma entrevista ao programa on-line Genron TV, exibida em 17 de julho.
Durante a entrevista, Koizumi mencionou as mudanças nas políticas de segurança adotadas por países europeus após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Ele citou o fortalecimento das forças nucleares da França e a decisão da Finlândia de flexibilizar as restrições ao transporte, à entrada e à presença de armas nucleares em seu território, noticiou o jornal The Asahi Shimbun.
Em junho, o Parlamento finlandês aprovou uma alteração na legislação que permite a importação, o transporte, o fornecimento e a posse de armas nucleares no país quando considerados necessários. A medida, no entanto, não significa que a Finlândia tenha decidido instalar permanentemente esse tipo de armamento em seu território.
Para Koizumi, o Japão “deve debater e levar adiante todas as políticas sem tabus”, diante das mudanças no cenário internacional de segurança.
As declarações representam um questionamento significativo aos Três Princípios Não Nucleares do Japão, que estabelecem que o país não deve possuir, produzir ou permitir a entrada de armas nucleares em seu território.
Em novembro de 2025, Koizumi já havia defendido que o Japão considerasse a aquisição de submarinos de propulsão nuclear. Esses submarinos utilizam energia nuclear para sua movimentação, o que não significa necessariamente que sejam equipados com armas nucleares.
A primeira-ministra Sanae Takaichi, por sua vez, vem defendendo uma revisão do princípio que proíbe a entrada de armas nucleares no Japão.
As declarações do ministro da Defesa podem ampliar o debate antes da revisão de três documentos fundamentais da política de segurança japonesa, planejada pelo governo para ocorrer até o fim deste ano.
Durante a entrevista, Koizumi também criticou os partidos de oposição pela defesa rígida dos princípios não nucleares.
“Fui questionado pelos partidos de oposição sobre os Três Princípios Não Nucleares e os submarinos de propulsão nuclear. Pergunto-me se a preservação do status quo não passou a ter prioridade sobre a verdadeira proteção do Japão”, declarou.
Três Princípios Não Nucleares
Em 11 de dezembro de 1967, o então primeiro-ministro Eisaku Sato apresentou os Três Princípios Não Nucleares durante uma reunião da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes.
“Minha responsabilidade é alcançar e manter a segurança do Japão com base nos Três Princípios Não Nucleares, de não possuir, não produzir e não permitir a introdução de armas nucleares, em conformidade com a Constituição pacifista do Japão”, afirmou Sato.
Os princípios foram formalmente respaldados pelo Parlamento japonês em 1971 e, desde então, orientam a política nuclear básica do país. Eles, porém, não foram incorporados à legislação e, portanto, não têm força de lei.
Foto: Reprodução
Ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi







































