Japão registra milhares de furtos de oferendas em templos e santuários

Kanagawa – No final de setembro, um sacerdote auxiliar do templo Myoenji, na cidade de Hiratsuka, província de Kanagawa, capturou um homem suspeito de furtar dinheiro doado por visitantes e fiéis em uma caixa de oferendas. Mas esse tipo de crime em templos e santuários não é incomum no Japão. Todos os anos, a polícia registra milhares de ocorrências.
Por meio das imagens das câmeras de segurança, o sacerdote havia percebido um padrão no comportamento do homem. O suspeito aparecia no templo todos os dias aproximadamente no mesmo horário, pouco depois da meia-noite, noticiou o News on Japan.
No dia 27 de setembro, as câmeras registraram o homem entrando no templo e verificando uma caixa de oferendas. Depois, ele foi até outra caixa, colocou-a no chão e a virou de cabeça para baixo. Após recolher o dinheiro que caiu, dirigiu-se para a saída.
O sacerdote, que mantinha o local sob vigilância, presenciou o furto, saiu de casa e conseguiu capturar o suspeito. O templo já havia sido alvo de furtos em caixas de oferendas em outras cinco ocasiões.
Graças à ação do sacerdote, a polícia prendeu Noboru Kato, de 47 anos, que declarou estar desempregado, sob suspeita de furtar ¥ 1.500 de uma caixa de oferendas. Segundo a polícia, ele admitiu a acusação, e os investigadores apuram se Kato esteve envolvido em outros furtos.
Furto sem invasão
Os furtos de dinheiro depositado em caixas de oferendas de templos e santuários são tão recorrentes no Japão que possuem uma categoria própria nas estatísticas da Agência Nacional de Polícia (NPA).
Esse tipo de crime é classificado como “furto visando dinheiro de oferendas” (さい銭ねらい, saisen nerai) e aparece entre as modalidades de furto sem invasão.
Durante vários anos, foram registradas mais de 3 mil ocorrências anuais em todo o país.
| Ano | Casos registrados |
| 2015 | 3.372 |
| 2016 | 3.288 |
| 2017 | 3.385 |
| 2018 | 3.192 |
| 2019 | 3.269 |
| 2020 | 3.189 |
Nesse período, foram registrados cerca de nove casos por dia. Em 2020, das 3.189 ocorrências, 2.005 foram esclarecidas, e 485 pessoas foram identificadas como autoras. A taxa de esclarecimento naquele ano foi de 62,9%.
Nos dez anos entre 2015 e 2024, foram registrados 30.747 casos. Embora tenha ocorrido uma redução em relação aos 3.372 furtos registrados em 2015, os números permaneceram relativamente estáveis nos últimos anos, com 2.707 casos em 2022, 2.772 em 2023 e 2.759 em 2024.
O Livro Branco sobre Criminalidade de 2025, do Ministério da Justiça, mostra que os furtos de oferendas correspondiam a 0,9% dos furtos registrados pela polícia em 2024.
Naquele ano, foram registradas 2.759 ocorrências desse tipo em todo o país, uma média de mais de sete casos por dia. A polícia esclareceu 1.569 ocorrências, correspondentes a 56,9% do total, e identificou 481 pessoas.
Modo de agir
Os criminosos que visam às caixas de oferendas utilizam diferentes métodos.
Há ladrões que usam uma haste com material adesivo na ponta para retirar moedas ou cédulas pela abertura. Outros viram a caixa para fazer o dinheiro cair, exatamente como ocorreu no caso de Hiratsuka. Há ainda aqueles que arrombam as caixas com ferramentas ou simplesmente levam a caixa inteira.
Em um santuário de Toyama, os criminosos chegaram a serrar uma caixa de oferendas avaliada em quase ¥ 2 milhões. No mesmo local, as câmeras flagraram um homem que aparecia até três vezes por dia e usava uma haste com fita adesiva para retirar o dinheiro, segundo a TBS News.
Os responsáveis por templos e santuários também têm adotado medidas para dificultar os furtos. No Inage Jinja, em Kawasaki, província de Kanagawa, onde pequenas caixas de oferendas já haviam sido furtadas, foi implantado um sistema que permite fazer oferendas por meio do PayPay. Como não envolve dinheiro em espécie, o pagamento eletrônico também funciona como uma medida de prevenção contra furtos.
Foto: Reprodução/Urashimataro/Wikimedia Commons – Domínio público








































