Japão descarta estrangeiros nas Forças de Autodefesa apesar de déficit de quase 30 mil militares

Tóquio - O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, negou que o governo esteja considerando recrutar estrangeiros para as Forças de Autodefesa. O comentário foi feito após a Fundação Sasakawa para a Paz apresentar uma proposta recomendando que o governo estudasse, entre outras medidas, a possibilidade de admitir estrangeiros como forma de enfrentar a falta de candidatos.
Koizumi foi categórico ao comentar o assunto. “Primeiramente, não estamos considerando o recrutamento de estrangeiros para as Forças de Autodefesa”, afirmou.
Ele acrescentou que o Ministério da Defesa “tradicionalmente limita a elegibilidade para candidatura às pessoas que possuem nacionalidade japonesa”.
Koizumi ressaltou ainda que os requisitos para ingresso nas Forças de Autodefesa atualmente estão limitados a pessoas de nacionalidade japonesa.
“Em meio ao declínio da natalidade e ao envelhecimento da população, garantir recursos humanos é um grande desafio, mas, acima de tudo, devemos dar prioridade às pessoas que já estão aqui”, afirmou.
O ministro indicou que pretende avançar na melhoria das condições de trabalho e da remuneração dos integrantes das forças, aumentar a produtividade com o uso de tecnologias como inteligência artificial e ampliar o apoio profissional após a saída das Forças de Autodefesa.
Entre as medidas está a criação da chamada “Agência de Apoio aos Ex-integrantes das Forças de Autodefesa e suas Famílias”, nome ainda provisório, destinada a reforçar a assistência à carreira dos militares após o desligamento.
O tamanho da falta de pessoal
Em 31 de março deste ano, as Forças de Autodefesa tinham um efetivo autorizado de 247.154 militares, mas contavam com 217.701. Isso representa uma taxa de preenchimento de apenas 88,1%.
Em números absolutos, faltavam 29.453 militares para que o efetivo previsto fosse atingido.
| Força | Efetivo previsto | Efetivo real | Preenchimento |
| Força Terrestre | 149.403 | 129.176 | 86,5% |
| Força Marítima | 45.462 | 41.463 | 91,2% |
| Força Aérea | 47.131 | 42.324 | 89,8% |
| Estado-Maior Conjunto e outros | 5.158 | 4.738 | 91,9% |
| Total | 247.154 | 217.701 | 88,1% |
O problema também aparece no recrutamento. No ano fiscal encerrado em março de 2026, o Ministério da Defesa planejava contratar 15.430 pessoas, mas conseguiu recrutar 11.177, o equivalente a 72% da meta.
Apesar disso, houve melhora em relação ao exercício anterior. Koizumi informou, em junho, que foram recrutadas 1.453 pessoas a mais do que no ano fiscal anterior.
O que exatamente propôs a Fundação Sasakawa
A proposta da Fundação Sasakawa para a Paz foi elaborada por um grupo que inclui Tetsuro Kuroe, ex-vice-ministro administrativo da Defesa, um dos cargos mais altos do ministério, e Koji Yamazaki, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças de Autodefesa.
Os dois também participam do conselho de especialistas envolvido nas discussões sobre a revisão dos três principais documentos de segurança nacional do Japão.
O documento da Fundação sustenta que, diante da perspectiva de continuidade da redução da população japonesa, “chegou o momento de analisar seriamente a possibilidade” de utilização de estrangeiros nas Forças de Autodefesa.
Segundo o documento, a exigência de nacionalidade japonesa para o serviço público teria feito com que a possibilidade de utilização de estrangeiros nas forças não fosse suficientemente considerada até agora.
A proposta, porém, estabelecia limitações importantes. Os estrangeiros seriam considerados para atividades que não envolvessem combate nem funções caracterizadas como “exercício do poder público ou formação da vontade do Estado”.
Também seria necessário estudar:
• quais nacionalidades poderiam ser aceitas, possivelmente restringindo os candidatos a cidadãos de países aliados ou considerados parceiros;
• quais funções poderiam ser exercidas;
• a que nível de informações sigilosas esses integrantes poderiam ter acesso.
A Jiji Press informou que, entre as possibilidades mencionadas, estavam funções como a administração de bases, o que permitiria liberar militares japoneses para outras atividades.
O exemplo da Austrália
A Fundação citou expressamente a Austrália como referência. Atualmente, estrangeiros podem se candidatar às Forças Armadas Australianas.
A regra abrange cidadãos da Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Papua-Nova Guiné, desde que atendam a determinados requisitos. Entre eles estão ter residência permanente na Austrália ou visto equivalente, residir no país há pelo menos um ano e não ter servido em outra força militar nos dois anos anteriores à candidatura.
A abertura começou em julho de 2024 para neozelandeses e foi ampliada em janeiro de 2025 para residentes permanentes dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. O governo australiano justificou a mudança pela necessidade de ampliar e manter uma força militar especializada diante das dificuldades de recrutamento.
Foto: Reprodução/APT
Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi








































