Japão cria programa para ensinar estudantes a lidar melhor com a solidão

Tóquio – Um programa educacional está sendo aplicado no Japão com o objetivo de mudar a percepção dos estudantes em relação à solidão, uma condição bastante presente na sociedade japonesa. A iniciativa busca ajudá-los a enxergar de outra forma os momentos em que ficam sozinhos.
No Japão, o isolamento social durante a adolescência é frequentemente associado à depressão, ao suicídio ou ao afastamento do convívio social, aumentando o risco de problemas de saúde mental mais tarde na vida, publicou a Kyodo.
No entanto, um grupo de estudantes do chūgakkō, equivalente ao ensino fundamental II, participou do programa e apresentou melhora nos sintomas de depressão e também na disposição para buscar ajuda de outras pessoas, segundo a equipe de pesquisadores das universidades de Tsukuba, Hirosaki e Toyo Gakuen.
O novo programa se chama “e-Bocchi”, sigla em inglês para Education for Boosting Communication and Confidence for Healthy Independence, ou “Educação para o Fortalecimento da Comunicação e da Confiança para uma Independência Saudável”.
Ele consiste em três sessões de 50 minutos, nas quais os estudantes aprendem sobre o estigma e os aspectos positivos de ficar sozinho, a importância das relações humanas e maneiras de aproveitar o tempo a sós e de procurar ajuda de outras pessoas quando necessário.
Para facilitar o entendimento, os pesquisadores utilizam trabalhos em grupo, dramatizações e materiais em vídeo. Também foram criados quatro personagens em forma de urso para ajudar os alunos a compreender conceitos abstratos.
Um deles é Koko, que gosta de ficar sozinho, mas procura ajuda quando necessário. Outro é Kodokun, que encara de maneira negativa o fato de estar sozinho.
Os estudantes que participaram do programa responderam a um questionário antes e depois das atividades realizadas em algumas escolas do Japão. Após analisar as respostas, os pesquisadores concluíram que o programa contribuiu para reduzir os sintomas de depressão e sentimentos de solidão, além de melhorar a autoestima e a capacidade dos alunos de buscar ajuda.
“Se os estudantes conseguirem mudar a ideia de que precisam se dar bem com todo mundo e passarem a enxergar de forma positiva o fato de estar sozinhos, isso ajudará a prevenir problemas de saúde física e mental”, afirmou Hirokazu Tachikawa, professor de psiquiatria da Universidade de Tsukuba.
A expectativa é de que o programa esteja disponível em todo o país por volta do ano fiscal de 2027.
Foto: Canva








































