Japão cria programa para ensinar estudantes a lidar melhor com a solidão

2026/09/11 11:50
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Tóquio – Um programa educacional está sendo aplicado no Japão com o objetivo de mudar a percepção dos estudantes em relação à solidão, uma condição bastante presente na sociedade japonesa. A iniciativa busca ajudá-los a enxergar de outra forma os momentos em que ficam sozinhos.

No Japão, o isolamento social durante a adolescência é frequentemente associado à depressão, ao suicídio ou ao afastamento do convívio social, aumentando o risco de problemas de saúde mental mais tarde na vida, publicou a Kyodo.

No entanto, um grupo de estudantes do chūgakkō, equivalente ao ensino fundamental II, participou do programa e apresentou melhora nos sintomas de depressão e também na disposição para buscar ajuda de outras pessoas, segundo a equipe de pesquisadores das universidades de Tsukuba, Hirosaki e Toyo Gakuen.

O novo programa se chama “e-Bocchi”, sigla em inglês para Education for Boosting Communication and Confidence for Healthy Independence, ou “Educação para o Fortalecimento da Comunicação e da Confiança para uma Independência Saudável”.

Ele consiste em três sessões de 50 minutos, nas quais os estudantes aprendem sobre o estigma e os aspectos positivos de ficar sozinho, a importância das relações humanas e maneiras de aproveitar o tempo a sós e de procurar ajuda de outras pessoas quando necessário.

Para facilitar o entendimento, os pesquisadores utilizam trabalhos em grupo, dramatizações e materiais em vídeo. Também foram criados quatro personagens em forma de urso para ajudar os alunos a compreender conceitos abstratos.

Um deles é Koko, que gosta de ficar sozinho, mas procura ajuda quando necessário. Outro é Kodokun, que encara de maneira negativa o fato de estar sozinho.

Os estudantes que participaram do programa responderam a um questionário antes e depois das atividades realizadas em algumas escolas do Japão. Após analisar as respostas, os pesquisadores concluíram que o programa contribuiu para reduzir os sintomas de depressão e sentimentos de solidão, além de melhorar a autoestima e a capacidade dos alunos de buscar ajuda.

“Se os estudantes conseguirem mudar a ideia de que precisam se dar bem com todo mundo e passarem a enxergar de forma positiva o fato de estar sozinhos, isso ajudará a prevenir problemas de saúde física e mental”, afirmou Hirokazu Tachikawa, professor de psiquiatria da Universidade de Tsukuba.

A expectativa é de que o programa esteja disponível em todo o país por volta do ano fiscal de 2027.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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