Japão aumenta preços de 1.477 alimentos em novembro; reajuste médio é de 17%

2026/11/02 08:03
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Tóquio – O Japão começou novembro com reajustes anunciados nos preços de 1.477 produtos alimentícios, incluindo maionese, molhos para saladas, bebidas e alimentos processados. Segundo levantamento divulgado na sexta-feira (30) pela empresa de pesquisas Teikoku Databank, o aumento médio previsto para os produtos atingidos é de 17%, demonstrando que as despesas com alimentação continuam pressionando o orçamento das famílias.

A pesquisa foi realizada com 195 grandes fabricantes de alimentos e bebidas que comercializam seus produtos no mercado japonês.

Embora a quantidade de itens reajustados seja inferior à registrada em setembro e outubro, o número é quase dez vezes maior que o observado em novembro de 2025, quando 150 produtos tiveram aumentos anunciados.

O levantamento também mostra que, considerando os reajustes identificados entre janeiro e dezembro de 2026, o total chegou a 20.327 produtos.

É o segundo ano consecutivo em que o Japão registra mais de 20 mil reajustes de alimentos e bebidas.

Condimentos lideram os aumentos de novembro

Entre as categorias analisadas, os condimentos apresentam o maior número de produtos com reajustes.

São 644 itens, incluindo maionese, molhos para saladas e diferentes produtos utilizados no preparo de refeições.

Uma das empresas que anunciaram mudanças é a Kewpie, conhecida pela comercialização de maionese e molhos utilizados tanto nas residências quanto em restaurantes.

A segunda categoria com o maior número de reajustes é a de bebidas, com 417 produtos. Entre elas estão cafés, refrigerantes e outras bebidas comercializadas em garrafas e embalagens individuais.

Empresas como Asahi Soft Drinks e Ito En estão entre as fabricantes que anunciaram mudanças nos preços de determinados produtos.

Na terceira posição aparecem os alimentos processados, com 275 itens, incluindo conservas de peixe e alimentos destinados a bebês e crianças pequenas.

Essas três categorias somam 1.336 produtos, representando aproximadamente 90% dos reajustes identificados para novembro.

Alta média de 17% não representa inflação geral

Um esclarecimento importante é que o aumento médio de 17% não significa que todos os alimentos vendidos no Japão ficaram 17% mais caros.

O percentual corresponde à média dos reajustes anunciados para os produtos incluídos na pesquisa de novembro.

A Teikoku Databank considera os valores informados pelas fabricantes, e não uma média de todas as mercadorias encontradas nos supermercados.

Além disso, os preços efetivamente cobrados pelos estabelecimentos podem variar conforme as condições comerciais, promoções e decisões de cada rede.

Por exemplo, um produto cujo preço de referência passe de 200 para 234 ienes terá aumento de 17%.

Número de reajustes diminuiu em relação a outubro

Apesar da grande quantidade de produtos afetados, o levantamento mostra que a onda mais intensa de aumentos registrada no início do outono começou a perder força.

Em setembro, 4.965 produtos tiveram reajustes anunciados. Em outubro, foram 3.153 itens. Já em novembro, o número caiu para 1.477. É a primeira vez em três meses que o total mensal fica abaixo de 3 mil produtos.

A redução na quantidade de novos reajustes não significa que os preços anteriores voltaram a cair. Um produto que ficou mais caro em setembro poderá continuar sendo vendido pelo novo valor em novembro, mesmo que não apareça novamente entre os itens reajustados neste mês.

Por isso, a diminuição do número de aumentos representa uma desaceleração das mudanças de preços, não necessariamente um alívio imediato para os consumidores.

Mais de 20 mil produtos foram atingidos em 2026

Considerando os reajustes anunciados para todo o ano de 2026, a Teikoku Databank identificou 20.327 produtos. O resultado aproxima-se dos 20.609 registrados em 2025.

A maior quantidade de aumentos anuais está concentrada nos alimentos processados, com 6.968 itens. Entre eles estão produtos congelados, arroz pronto embalado e outros alimentos industrializados.

Na segunda posição aparecem os condimentos, com 6.258 reajustes. Bebidas, incluindo as alcoólicas, somam 3.381, enquanto os doces e outros produtos de confeitaria apresentam 1.415.

Os números mostram que o aumento dos custos atingiu diferentes categorias utilizadas diariamente pelos consumidores.

A pesquisa conta os reajustes anunciados pelas fabricantes. Quando um mesmo produto tem seu preço aumentado mais de uma vez durante o ano, cada reajuste pode ser contabilizado separadamente.

Portanto, o total de 20.327 não significa necessariamente que esse mesmo número de produtos diferentes tenha sofrido exatamente um aumento.

Matérias-primas continuam sendo principal causa

Segundo a Teikoku Databank, a elevação dos preços das matérias-primas foi mencionada em 91,7% dos reajustes identificados durante 2026.

Isso inclui custos relacionados a ingredientes agrícolas, produtos importados e insumos utilizados pela indústria alimentícia.

O Japão depende de importações para obter parte significativa de diferentes matérias-primas utilizadas na fabricação de alimentos.

Quando os preços internacionais aumentam ou o iene se desvaloriza, as fabricantes podem enfrentar despesas maiores. Mas os custos das matérias-primas não são a única razão para os reajustes.

A pesquisa também identificou crescimento da influência das despesas de energia, mão de obra e transporte.

Custos de energia e salários têm peso crescente

A elevação dos custos energéticos apareceu em 63,9% dos reajustes anunciados pelas fabricantes. A eletricidade, os combustíveis e outros insumos energéticos são utilizados em diferentes etapas da produção e da distribuição dos alimentos.

Uma fábrica pode precisar de energia para conservar ingredientes, operar máquinas, refrigerar mercadorias e manter suas instalações.

Além disso, os produtos precisam ser transportados até depósitos, centros de distribuição e estabelecimentos comerciais.

As despesas com mão de obra foram mencionadas em 51,5% dos reajustes.

Esse foi o maior percentual registrado para esse fator desde que a Teikoku Databank começou a acompanhar as causas dos aumentos em 2023.

O resultado mostra que os custos relacionados aos trabalhadores passaram a exercer influência crescente nas decisões de preços das fabricantes.

Aumento dos salários também influencia os preços

As empresas japonesas vêm concedendo reajustes salariais relativamente elevados nos últimos anos.

Uma pesquisa divulgada em outubro pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar mostrou que o aumento salarial médio nas empresas analisadas alcançou 13.926 ienes mensais em 2026, equivalente a 4,4%.

Na indústria alimentícia, as empresas precisam remunerar funcionários envolvidos na fabricação, no controle de qualidade, na administração e na distribuição. Quando essas despesas crescem, parte delas pode ser incorporada aos preços finais.

Isso não significa que os reajustes salariais sejam a única causa da inflação ou que todos os aumentos de preços decorram diretamente de salários maiores.

A pesquisa mostra que diferentes fatores estão contribuindo simultaneamente para a elevação dos custos.

Também existe uma relação importante para os consumidores: os trabalhadores precisam de salários maiores para enfrentar o custo de vida, enquanto as empresas procuram compensar despesas crescentes por meio de reajustes.

Situação no Oriente Médio aparece no levantamento

A Teikoku Databank identificou influência da situação no Oriente Médio em 27,5% dos reajustes anunciados durante 2026.

As dificuldades relacionadas ao mercado de petróleo provocaram aumentos de custos em diferentes atividades econômicas.

Além dos combustíveis, derivados de petróleo são utilizados na fabricação de embalagens e outros materiais empregados pela indústria alimentícia.

Um exemplo é a nafta, matéria-prima utilizada na produção de diferentes componentes químicos e plásticos.

Quando os custos desses materiais aumentam, fabricantes de embalagens podem repassar parte das despesas às empresas de alimentos.

O transporte marítimo e rodoviário também pode ser afetado pelos preços dos combustíveis.

Um mesmo reajuste pode ter sido provocado simultaneamente pelo aumento das matérias-primas, dos combustíveis e da mão de obra.

Famílias continuam enfrentando despesas elevadas

Para os consumidores, o principal problema é que os reajustes se acumulam ao longo do tempo.

Mesmo quando uma empresa deixa de aumentar seus preços durante determinado mês, os valores anteriores continuam influenciando o orçamento doméstico.

A situação é especialmente importante para famílias que possuem uma parcela elevada da renda comprometida com alimentação.

Além de procurar produtos mais baratos, muitos consumidores estão alterando hábitos de compra, aproveitando promoções e comparando preços entre estabelecimentos.

Os produtos de marcas próprias, conhecidos como private brands, também podem representar alternativas em determinadas categorias, embora seus preços igualmente estejam sujeitos a reajustes.

O que esperar de 2027?

A Teikoku Databank considera que a quantidade de reajustes poderá diminuir em 2027, depois da concentração de aumentos registrada durante o outono de 2026. A empresa não prevê necessariamente o desaparecimento da pressão sobre os preços.

Os custos de mão de obra, transporte e energia continuam elevados. Além disso, determinadas fabricantes já começaram a anunciar mudanças para o próximo ano.

O levantamento menciona, por exemplo, a possibilidade de novos aumentos em produtos à base de trigo importado, incluindo pães.

Outra tendência considerada pela empresa é o crescimento dos reajustes indiretos, nos quais o fabricante mantém o preço de venda, mas reduz o conteúdo da embalagem.

Essa prática também representa aumento do custo por unidade de produto.

Menos reajustes não significam alimentos baratos

O principal resultado da pesquisa de novembro é que o ritmo das mudanças começou a diminuir depois dos aumentos concentrados em setembro e outubro.

O volume de 1.477 produtos continua elevado quando comparado ao mesmo mês do ano passado.

O total anual de mais de 20 mil reajustes também mostra que o encarecimento dos alimentos permanece disseminado por diferentes categorias.

Para as famílias brasileiras residentes no Japão, o efeito dependerá principalmente da evolução dos salários, das despesas domésticas e da capacidade de adaptar os hábitos de consumo.

A expectativa é que a quantidade de novos reajustes diminua em 2027, mas os pesquisadores alertam que os custos das empresas continuam pressionados e que os consumidores ainda poderão enfrentar novos aumentos.

Fonte: Teikoku Databank, Jiji Press

Foto: Canva

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