JAF alerta para risco de permanecer em veículo estacionado sob o sol

Saitama – Experimentos realizados pela Federação Automobilística do Japão (JAF) demonstram que permanecer dentro de um carro estacionado ao sol, em pleno verão e sem o ar-condicionado ligado, pode ser extremamente perigoso. Em um teste realizado em 2025, na cidade de Toda, na província de Saitama, a temperatura interna de um veículo estacionado ao sol chegou a 53°C após 90 minutos. A temperatura externa máxima registrada naquele dia foi de 34°C.
A JAF também conduziu, em agosto de 2012, outro experimento na mesma cidade, utilizando cinco minivans estacionadas sob diferentes condições. O teste durou quatro horas, a partir do meio-dia, sob sol intenso e com temperatura externa de 35°C.
Antes do início, a temperatura interna de todos os veículos foi ajustada para 25°C.
Foram utilizados um veículo preto sem nenhuma medida de proteção, um veículo branco também sem proteção, outro com protetor solar no para-brisa, um com as janelas abertas em três centímetros e um último com o ar-condicionado ligado.
O veículo preto sem proteção registrou a maior temperatura interna, chegando a 57°C. No painel, a temperatura atingiu 79°C.
No veículo branco sem proteção, a temperatura máxima interna foi de 52°C, enquanto o painel chegou a 74°C.
No carro equipado com protetor solar no para-brisa, a temperatura interna máxima ficou em 50°C. O painel atingiu 52°C, valor consideravelmente menor do que o registrado nos veículos sem proteção.
No veículo com as janelas abertas em três centímetros, a temperatura interna máxima foi de 45°C. Apesar disso, o painel chegou a 75°C.
Já no carro com o ar-condicionado ligado, a temperatura interna máxima permaneceu em 27°C. Mesmo assim, o painel atingiu 61°C por causa da incidência direta da luz solar.
A conclusão da JAF foi que o veículo preto sem proteção apresentou as temperaturas mais elevadas durante o teste. No entanto, tanto o protetor solar quanto a pequena abertura das janelas tiveram efeito limitado para conter o calor.
Mesmo com essas medidas, as temperaturas atingiram níveis insuportáveis e perigosos para pessoas e animais.
No veículo com o ar-condicionado ligado, foi possível impedir o aumento excessivo da temperatura interna. Porém, a JAF alerta que manter o motor funcionando também apresenta riscos.
O veículo pode se movimentar devido a uma operação acidental, e o motor pode desligar caso o combustível acabe. Há ainda problemas ambientais relacionados à emissão de gases de escapamento.
Crianças dentro do veículo
A JAF também realizou uma simulação para medir o risco de insolação quando uma criança é deixada dentro de um veículo estacionado sob o sol, como pode ocorrer em estacionamentos de lojas de conveniência e supermercados.
Foi utilizado um aparelho para calcular o WBGT, índice que mede o risco de insolação e considera três fatores que exercem grande influência sobre o equilíbrio térmico do corpo humano: temperatura do ar, umidade e calor irradiado pelo ambiente.
O índice é calculado a partir das temperaturas de bulbo seco, bulbo úmido e globo negro. Também é conhecido como índice de calor.
Apenas 15 minutos após o desligamento do ar-condicionado, o índice de risco de insolação atingiu o nível considerado perigoso.
Bebês e crianças pequenas ainda não possuem a capacidade de regular adequadamente a temperatura corporal. Em ambientes muito quentes, a temperatura do corpo pode subir rapidamente e provocar a morte.
Por isso, a recomendação é jamais deixar uma criança dentro de um veículo, mesmo que ela esteja dormindo.
O mesmo cuidado deve ser adotado com idosos, pois a capacidade de regular a temperatura corporal diminui com o avanço da idade.
Não deixe objetos sobre o painel
Em outro teste, a JAF colocou smartphones, isqueiros, latas de spray e outros objetos de uso cotidiano sobre o painel para verificar os efeitos do calor.
As medições mostraram que o painel pode atingir temperaturas muito mais elevadas do que o próprio ar dentro do veículo.
O smartphone utilizado no teste não suportou o calor e ficou temporariamente inutilizável.
As latas de spray e os isqueiros não explodiram nem pegaram fogo durante o experimento. Mesmo assim, a JAF recomenda que materiais inflamáveis e outros objetos perigosos não sejam deixados dentro do veículo.
O volante também pode ficar extremamente quente. Por isso, é necessário ter cuidado ao entrar no carro para evitar queimaduras nas mãos.
Como resfriar o carro rapidamente
Em 2016, a JAF realizou outro experimento para descobrir qual seria a maneira mais rápida de reduzir a temperatura dentro de um carro superaquecido.
Foram utilizados cinco veículos idênticos. Quando a temperatura interna atingiu 55°C, os participantes aplicaram métodos diferentes para resfriar o interior.
No primeiro método, o ar-condicionado não foi utilizado. Apenas a janela do lado do passageiro foi aberta, enquanto a porta do motorista foi aberta e fechada cinco vezes para expulsar o ar quente acumulado.
No segundo método, também sem o ar-condicionado, um spray refrigerante foi aplicado durante dez segundos sobre o banco.
No terceiro, as janelas permaneceram fechadas e o ar-condicionado automático foi colocado no modo de entrada de ar externo, com a temperatura ajustada para Lo, a configuração mínima.
No quarto método, as janelas também ficaram fechadas, mas o ar-condicionado foi colocado no modo de recirculação interna, igualmente ajustado para Lo.
No último método, o veículo começou a circular com todas as janelas abertas, o ar-condicionado no modo de entrada de ar externo e a temperatura ajustada para Lo.
Depois de dois minutos, as janelas foram fechadas, e o sistema passou para o modo de recirculação interna. O veículo continuou em movimento durante mais três minutos.
No método de abrir e fechar a porta, a temperatura caiu de 55°C para 47,5°C.
Com o uso do spray refrigerante, a temperatura chegou a 50,1°C após três minutos.
Entre os métodos que utilizaram o ar-condicionado, a menor temperatura final foi registrada com a recirculação interna. A temperatura caiu para 27,5°C após dez minutos.
Com a entrada de ar externo, a temperatura chegou a 29,5°C após dez minutos.
O método que combinou ar-condicionado e condução reduziu a temperatura para 28°C em apenas cinco minutos, sendo considerado o mais rápido.
A recomendação da JAF é abrir completamente as janelas, ligar o ar-condicionado no modo de entrada de ar externo e começar a dirigir.
Depois que o ar quente acumulado for expulso, as janelas devem ser fechadas e o sistema deve ser colocado no modo de recirculação interna.
Mesmo após o resfriamento do ar, algumas superfícies podem continuar muito quentes, como o painel, o volante e as partes metálicas dos cintos de segurança.
Também já foram registrados casos de queimaduras provocadas pela superfície de cadeirinhas infantis e pelas peças metálicas dos cintos.
Foto: Canva







































