
Tóquio – Economistas no Japão alertam que um conflito prolongado envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode resultar em forte alta nos preços da gasolina, além das tarifas de eletricidade e gás. Com mais de 90% das importações de petróleo bruto provenientes do Oriente Médio, a economia japonesa enfrenta incertezas, apesar das reservas estatais para mais de 250 dias. No campo diplomático, a Embaixada do Irã no Brasil agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas críticas aos ataques, enquanto a representação iraniana no Japão pressiona o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi por uma postura contra as ações de Washington e Tel Aviv.
Apesar de o governo já ter divulgado que tem estoque de petróleo e de gás para mais de 250 dias, a incerteza sobre o fim do conflito gera estimativas nada animadoras para a economia japonesa, segundo a Jiji Press.
Uma delas é que ocorra uma forte alta nos preços da gasolina e nas tarifas de eletricidade e gás, impactando as famílias e pressionando significativamente o Produto Interno Bruto (PIB).
O total de 93% do petróleo importado do Japão vem de quatro países naquela região: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Catar.
A Idemitsu Kosan informou que não há impacto imediato no fornecimento de derivados de petróleo, indicando que o abastecimento pode ser mantido no curto prazo.
Já no mercado futuro de petróleo, o WTI, referência do petróleo padrão dos Estados Unidos, chegou temporariamente ao patamar de 75 dólares por barril, o nível mais alto em cerca de oito meses.
Para Hideo Kiuchi, economista executivo do Nomura Research Institute, o preço do petróleo poderá chegar a 87 dólares por barril caso o conflito se prolongue.
Em seu cálculo, a gasolina, que fica na faixa dos 150 ienes por litro na média nacional, após a revogação da taxa provisória no fim do ano passado ter reduzido o valor em cerca de 25 ienes por litro, poderá custar 200 ienes o litro.
O efeito também será sentido nos preços de energia elétrica, incluindo ainda o gás natural liquefeito (GNL). Como consequência, aumentará também os custos de transporte e produção, provocando reajustes em uma ampla gama de produtos, inclusive alimentos, e impondo um pesado fardo a famílias e empresas.
Para Takuya Hoshino, economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, no pior cenário o barril de petróleo custará 130 dólares, e o PIB real do Japão poderá cair em 0,58% no primeiro ano e 0,96% no segundo ano.
Hoshino disse que apesar de haver a perspectiva de retomada do crescimento dos salários reais, a alta dos preços de energia, devido ao agravamento do conflito no Oriente Médio, pode fazer com que o recuo dos salários reais volte a se ampliar.
O que o governo diz
O ministro do Comércio, Ryosei Akazawa, informou que a suspensão da produção de gás natural liquefeito no Catar não deverá interromper imediatamente o fornecimento de energia ao Japão. O Catar responde por 4% do total de importações de GNL do Japão, enquanto outros países do Oriente Médio fornecem em conjunto cerca de 11%.
Segundo o Japan Daily, as reservas de GNL do Japão equivalem a cerca de três semanas de consumo. O governo japonês, porém, disse que não há um plano imediato para liberar as reservas de petróleo, mas que poderá recorrer a outros mercados quando for necessário.
Sanae Takaichi planeja se encontrar com líderes do G7 na esperança de reafirmar a cooperação para evitar o aumento da tensão no Irã e no Oriente Médio. Ela tem um encontro agendado com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em Tóquio, na sexta-feira (6), receberá a visita do presidente francês Emmanuel Macron entre final de março e início de abril. E planeja também visitar o presidente Donald Trump na terceira semana de março.
Entenda as reservas do Japão
Quando o governo diz que o país dispõe de reservas de petróleo equivalentes a 254 dias, está se referindo a um sistema de estocagem que iniciou em 1972, segundo a Federação do Petróleo do Japão.
Em 1975, com a aprovação da Lei de Reservas de Petróleo, o Estado passou a estabelecer metas de estocagem, depois da crise do petróleo. A lei na época exigia a manutenção obrigatória de estoques para 90 dias. A partir de 1978 é que o sistema passou a assegurar o equivalente a 250 dias de importações.
Houve liberação do estoque durante a Guerra do Golfo, em 1991, após o Grande Terremoto do Leste em 2011, e com o agravamento da situação na Líbia. Durante a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o governo liberou parte das reservas estatais.
As reservas foram criadas como uma válvula de segurança, garantindo uma margem de tempo em situações de emergência.
Irã agradece posição do Brasil
O embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu a nota divulgada pelo Itamaraty no final de semana, em que o governo brasileiro criticou os ataques promovidos por Israel e pelos EUA contra os iranianos.
“Acreditamos e vemos essa ação por parte do governo brasileiro como valorosa, destacando soberania, integridade territorial e independência dos governos”, afirmou Nekounam, em entrevista a jornalistas brasileiros, publicou a Jovem Pan.
A Embaixada iraniana no Japão pediu para o governo de Takaichi se posicionar contra os ataques dos EUA e Israel, classificando as ações como “crime de guerra” e “genocídio”.
O chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, negou que haverá negociação com o governo americano, em publicação nas redes sociais. Ele desmentiu as notícias veiculadas pela imprensa de que representantes iranianos teriam tentado iniciar conversas com Washington.
A organização Crescente Vermelho, do Irã, divulgou que 787 pessoas morreram durante os ataques no Irã, segundo a France Presse.








































